Se tem uma coisa que detesto muito é ter que ficar “chupando dedo” por algum jogo que me interessa, e foi exatamente o que aconteceu em setembro do ano passado quando Hades 2 foi lançado para PC e Nintendo Switch. Como jogo apenas no PS5, acabei ficando de fora desse lançamento que aguardava desde que coloquei mais de 100 horas no primeiro Hades.
Para “piorar”, vi a review de um colega de redação que comentava o quão incrível essa sequência do já incrível Hades estava, tudo graças às melhorias em basicamente todas as áreas do jogo anterior, resultando em um dos melhores jogos de 2025, sendo até mesmo indicado a várias categorias do The Game Awards. O hype era mais do que real, e a expectativa para o lançamento no PS5 e Series começou a crescer ao ponto de Hades 2 se tornar um dos meus jogos mais aguardados de 2026, mesmo sendo “apenas” um port.
E aqui estamos: Hades 2 foi anunciado para PS5 e Series bem antes do que eu esperava, com pouco mais de 6 meses desde o lançamento no PC e Switch, e com uma data de lançamento muito próxima do anúncio do port. Junto do anúncio, veio a revelação de que o jogo também faria parte do catálogo do Xbox Game Pass Ultimate já no lançamento, agregando bastante ao serviço.
A pergunta que fica é: será que vale a pena jogá-lo no PS5?
A história de Hades 2

Desenvolvido e publicado pela Supergiant Games, Hades 2 é a sequência direta do hit indie de 2019, Hades. Assim como no jogo anterior, Hades 2 é um roguelite com grande foco em sua narrativa, sendo um dos motivos que destacou a franquia de outros jogos do gênero, investindo pesado na construção de relações entre personagens a cada jornada.
No primeiro Hades, controlamos Zagreus, um filho pouco conhecido de Hades cujo objetivo era superar o próprio pai e escapar do inferno em que vivia (literalmente). Pelo caminho, Zagreus recebia a ajuda de outros deuses do Olimpo e de figuras mitológicas do panteão grego que tinham alguma desavença com Hades, o que convenhamos não é muito raro.
Sem soltar spoilers do jogo anterior, Hades termina de uma forma que encerra com maestria o arco de Zagreus, o que acabou gerando muita dúvida sobre como seria feita essa sequência. Teríamos um novo protagonista com uma nova história? Uma história pregressa? Ou até mesmo uma nova mitologia? Foram muitas perguntas que a Supergiant respondeu com: sim, uma nova protagonista e uma sequência direta dos eventos do primeiro jogo.

Em Hades 2, jogamos com Melinoe, uma irmã perdida de Zagreus cuja infância foi moldada pelo aprendizado de magias para deter o titã Cronos e resgatar sua família. Ela, ao contrário de Zagreus, é uma bruxa que vive entre guerreiros e tem uma visão diferente sobre Hades e os deuses olimpianos. É através dessa jornada para destruir Cronos e salvar tanto o Olimpo quanto a Terra que ela aprende mais sobre a própria família.
Logo de cara, me surpreendeu a diferença de escala que Hades 2 assume em relação ao seu predecessor. Antes, era um objetivo familiar e pessoal para Zagreus; aqui, o objetivo é salvar o mundo de Cronos. A parte familiar se apresenta mais adiante, conforme mais interações são feitas.
É uma mudança considerável do que tinha sido apresentado no primeiro jogo e que me causou um certo estranhamento nos minutos iniciais.

Honestamente, achei o começo um tanto quanto estranho por isso, já que demora um pouco para o jogo te contextualizar sobre o que Cronos de fato fez. Você entra nessa história com o objetivo de matá-lo, e é isso, sem muitos detalhes. Há menos apelo inicial do que no primeiro Hades, que te apresenta ao mundo do jogo juntamente aos problemas familiares de Zagreus, um personagem repleto de problemas que poderiam ser resolvidos com uma boia terapia (como grande parte dos contos gregos, na verdade).
Além disso, Hades, por natureza, é um vilão muito mais fácil de odiar do que Cronos, graças às várias mídias e contos em que o deus do submundo é colocado como vilão. Em Hades 2, demora um pouco para entender o papel do deus que dá nome ao jogo no conflito com o titã do tempo. Sim, o momento em que tudo clica e passa a fazer sentido é espetacular, mas ainda assim é um ponto que deixa um pouco a desejar.
Honestamente, não achei Cronos um vilão tão bom a ponto de querer rejogar Hades 2 várias vezes só para enfrentá-lo, deixando a desejar tanto na narrativa quanto no desafio de sua boss fight. Por vezes, ele chega a ser menos marcante que outros chefes do jogo (em especial a do segundo bioma).
No geral, diria que a história principal tenta ser mais elaborada do que a do game anterior e até se arrisca mais, especialmente no ato final, mas acaba sendo menos instigante. Porém, o game anterior também não se popularizou pela sua narrativa propriamente dita, mas sim pela forma como a Supergiant escreveu esses personagens mitológicos e suas interações com o jogador, e isso continua brilhando muito aqui.
Novos deuses, novos amigos

Se tinha algo que me deixava ansioso para Hades 2 era descobrir quais personagens da mitologia grega seriam adicionados ao jogo. Por isso, evitei ao máximo ver gameplays do acesso antecipado e até mesmo do lançamento do ano passado, para manter a experiência o mais livre de spoilers possível, e recomendo a qualquer jogador interessado em Hades 2 fazer o mesmo.
Há um número considerável de deuses que não apareceram no primeiro jogo e que surgem aqui para ajudar Melinoe, incluindo deuses menos explorados do panteão grego, como Héstia e Hera. Também há deuses que retornam com melhorias consideráveis, como Poseidon, que recebeu um upgrade absurdo em suas bênçãos.
Além dos deuses novos e retornantes, há ausências que, apesar de fazerem falta, suas ausências são justificadas para evitar que a experiência fosse quebrada, como foi o caso de Atena, que basicamente funcionava como um “modo fácil” no primeiro jogo com suas habilidades de parry e escudos, o que poderia quebrar Hades 2 com muita facilidade.
Retornar para Hades 2 é como iniciar uma nova temporada de um anime: você reencontra rostos familiares com novas aparências e aprendizados adquiridos no “timeskip”, e de quebra conhece novos personagens que agregam ainda mais valor à jornada.
Uma gameplay refinada!

Em termos de jogabilidade, a Supergiant seguiu a máxima de que “não se mexe em time que está ganhando” e pouco alterou a estrutura básica do primeiro jogo. Continuamos com um ataque principal no quadrado, um ataque à distância no triângulo, uma conjuração no círculo e ataques especiais com o R2.
Uma das principais adições é o sistema de cartas, que permite criar builds extremamente quebradas dependendo das combinações escolhidas. O jogo incentiva bastante essa experimentação, facilitando o desbloqueio dessas cartas.

Além disso, podemos desbloquear melhorias permanentes através do caldeirão de bruxa da Melínoe, exigindo atenção aos recursos coletados durante as runs, algo semelhante ao primeiro jogo, mas aqui mais refinado e menos trabalhoso.
No geral, Hades 2 pega tudo o que o primeiro já fazia bem e expande com mais variedade e possibilidades. Isso vale tanto para habilidades quanto para armas. E isso é incrível. Não entrarei em muitos detalhes relacionados ao sistema de combate pois o mesmo já foi destrinchado em nosso review de Hades 2 para Nintendo Switch 2 publicado em setembro do ano passado, que pode ser conferido clicando aqui.
A grande diferença da versão de Switch 2 e PC para essa nova versão para PS5 é a utilização do controle DualSense, que poderia adicionar uma camada extra de imersão graças a suas features exclusivas como os gatilhos adaptativos e sistemas de vibração. Infelizmente, o o Dualsense acabou não sendo muito bem utilizado nesse jogo, apenas os gatilhos adaptativos em momentos bem específicos (como no uso dos especiais da Demeter e na hora de apaziguar com fantasmas).
Vale a pena jogar Hades 2 no PS5!
De maneira geral, a versão de Hades 2 para PS5 é tão incrível quanto o seu lançamento original para Switch, Switch 2 e PC, já que apesar de ter deixado um pouco a dever no uso do DualSense, a jornada de Melinoe possui um loop de gameplay viciante, mecânicas de combate extremamente satisfatória e uma boa progressão, mantendo a alta qualidade do primeiro game, fazendo a espera ter valido a pena!
Hades 2 é um jogo que beira a excelência, brilhando com uma direção de arte linda, trilha sonora icônica e um elenco de personagens extremamente carismático, ao ponto de suavizar os deslizes da história em momentos-chave, que é o que impede o título de alcançar o seu verdadeiro potencial.
Trocando em míudo, Hades 2 é uma aula de como fazer uma sequência que melhora as qualidades do jogo anterior e entrega uma experiência igualmente marcante.
O Review
Hades 2
Agora no PS5 com um port muito bem feito, Hades 2 é uma aula de como fazer uma sequência que melhora todas as qualidades do jogo anterior e entrega uma experiência igualmente marcante.
PRÓS
- Melinoe é uma personagem simplesmente incrível
- Jogo perfeitamente otimizado para o PS5
- Gameplay segue brilhando e viciando muito
- Trilha sonora impecável
CONTRAS
- Início da campanha é um pouco decepcionante






