Roguelikes são, sem dúvida, os queridinhos do momento, e é um gênero que se destaca pela rejogabilidade e foco na variação e nas suas mecânicas envolvendo a derrota, trocando a frustração de um “Game Over” pela progressão, e consegue ser um atrativo para grandes empresas e até pequenos projetos independentes, e Katanaut é mais um projeto que busca envolver o potencial do roguelike em uma nova aventura.

Lançado no dia 10 de Setembro apenas para PC, Katanaut está sendo publicado pela Acclaim, o lendário estúdio dos anos 90 que após uma completa ressureição, busca investir no potencial dos games independentes, e nessa análise, gentilmente disponibilizada através de uma chave de acesso cedida pela Acclaim, iremos destrinchar esse título em uma análise completa!
Início que marca a mente do jogador
Katanaut inicia de forma bastante despretensiosa e sem explicar muito ao jogador, e logo após uma cena de festa em uma boate, já somos apresentados ao protagonista, que rapidamente empunha suas armas e parte ao combate, não na festa, claro, mas sim ao redor dela, já que a mesma se passa em uma estação espacial.

Nesse contexto, algo está transformando a tripulação da estação em monstros das mais variadas formas, e cabe ao protagonista e sua katana, fatiarem os inimigos em busca da saída. Com armas de corpo-a-corpo e de tiro que podem ser mudadas conforme pegamos mais itens nas viagens, as nossas builds irão variar de forma aleatória, e conforme avançamos, conseguimos usar e equipar o que mais se encaixa no nosso estilo.
Além das armas, Katanaut oferece itens e habilidades especiais com diferentes efeitos, que ajudam a diversificar cada partida e deixar o combate altamente frenético, além do quesito exploração também estar presente, já que o jogo funciona como se fosse um metroidvania, no qual o layout é diferente a cada jogatina, deixando a gameplay mais fresca e diversa, e no caso do PC, conta com suporte para controle e teclado, que funcionam de formas um pouco diferentes, mas que são igualmente responsivas(mas no controle é melhor!).

Katanaut sofre um pouco nas convenções de seu gênero
Mas infelizmente, o jogo, por ser um roguelike, não tem tanta variação quanto deveria, especialmente por ter uma variedade relativamente baixa de itens que realmente mudam seu jeito de jogar, e apesar da gama de opções oferecida, o feeling não muda tanto, e grande parte do jogo soa muito repetitiva, e a vontade de rejogar não é tão constante, já que o sentimento de novidade é bastante esparso ao voltar em uma das fases iniciais após morrer.
Em relação ao combate em si, o frenesi é bastante legal e divertido, mas os inimigos deixam as coisas um pouco caóticas demais, e embora os confrontos sejam bastante tranquilos no geral, algum projétil inimigo pode acabar se camuflando em meio ao caos e te atingindo de forma pouco notável, o que dá um sentimento de frustração, e os chefes, nesse quesito, também não são tão eficientes em dar batalhas diversificadas e com diferentes abordagens, deixando tudo repetitivo novamente.

Katanaut, no fim, pode se destacar pela variedade grande de loot e de inimigos, mas honestamente, seria um jogo que teria mais destaque se substituísse o aspecto roguelike da jogabilidade em favor de um mapa feito a mão e uma progressão feita de forma mais linear, já que não encontrei motivos que realmente justificassem a necessidade e o apelo de rejogar fases que, embora “diferentes”, ainda carregam muita similaridade entre si.
História está lá, mas…
Claro, é importante lembrar que parte da progressão está na morte, e a cada derrota, o protagonista volta para sua base e conversa com NPCs a fim de obter novos upgrades permanentes ou itens que passam a aparecer nas próximas partidas, e grande parte da narrativa também está atrelada a esse aspecto, com boa parte dos diálogos acontecendo nesse hub, e em outros ocasionais momentos durante as partidas, especialmente mais perto do fim.

No entanto, esse aspecto narrativo também deixa a desejar, e embora o começo apresente muitas perguntas para o jogador, as respostas e o desenvolvimento delas acaba não sendo tão notável, e mesmo com a presença constante dos NPCs na sua base, eles não tem o desenvolvimento necessário, e o protagonista também é muito inexpressivo, sendo incapaz de realmente imergir o jogador nos eventos e no desenrolar da jornada.
Outros aspectos são efetivos, mas não usam o potencial no máximo
Em relação ao aspecto visual, novamente devo destacar que há pouco que realmente atiça aos olhos, e os menus, cenários e designs de inimigos realmente não chamam tanto a atenção, inclusive contando com ambientes às vezes escuros até demais para se identificar o que está ocorrendo, e a pixel art utilizada não faz uso completo de seu potencial em entregar algo chamativo visualmente, embora eu garanta que no que tange os bosses, os visuais ficaram realmente muito bons e com um aspecto bastante amedrontador.

Agora, o som de Katanaut é realmente bacana. Os efeitos sonoros gerais do combate são bastante efetivos em passarem a impressão de um frenesi violento, e as trilhas sonoras synthwave lembram clássicos do gênero como Hotline Miami e Katana Zero, e tudo isso acrescenta em muito ao produto final. Sim, está longe de ser uma obra-prima musical, mas definitivamente entrega o necessário para uma ambientação boa.
Uma boa pedida para os maiores fãs do gênero
Contando com opções de português brasileiro, Katanaut pode ser aproveitado por qualquer jogador brasileiro, e isso se faz necessário não só por um entendimento narrativo, mas também para ficar a par de todos os efeitos e habilidades que constantemente serão usados e substituídos na jornada, garantindo uma boa experiência em relação a linguagem, além de mais opções gerais de acessibilidade, além da já citada opção de usar controle ou mouse e teclado.

Por fim, Katanaut se mostra um título efetivo, embora pouco notável num panorama geral. O jogo certamente vai ser uma boa pedida aos fãs de roguelike que estão sempre buscando um novo game para aproveitar alguns minutos por dia em uma partida rápida, mas no geral, é um jogo simples demais em alguns aspectos relativos ao gênero, e definitivamente não mostra todo o seu potencial, mas claro, ainda garante a diversão de quem está disposto a passar seus obstáculos e entender que derrotas nem sempre são um retrocesso durante a sua jornada.
O Review
Katanaut
Um título sólido para quem é bastante familiarizado e acostumado com roguelikes, embora Katanaut sofra de uma falta de variação grande no loop de gameplay e se valha da repetitividade por grande parte da jornada.
PRÓS
- Ambientação espacial é bacana e lembra clássicos do terror
- Combate é frenético e bastante baseado em loot
- Música synthwave é bastante agradável e atmosférica
- Possui localização para o português brasileiro
CONTRAS
- Se torna repetitivo pela falta de variação nos roguelikes
- Ambientação é um pouco escura e confusa
- Alguns confrontos soam desbalanceados, sendo muito fáceis e muito difíceis sem ritmo






