King of Meat é a nova promessa da Amazon Games de trazer uma plataforma interativa com co-op. Quatro jogadores são colocados para passar por fases criadas pela comunidade, com elementos de plataforma e um pouco de combate. Mas como será que o jogo se destaca dentro dessa proposta?

Combatendo inimigos com os amiguinhos
Primeiramente, King of Meat acontece num universo em que os jogadores são personagens de um reality show. Apesar de contar com algumas cenas, o jogo não tem exatamente uma história, essas cenas servem para dar algum leve contexto do universo e apresentar os NPCs que você ira interagir e encontrar para conversar, mas está longe de ser uma tentativa de criar uma narrativa.
Essas cenas são feitas com animação 2D, e tem uma boa qualidade nas animações, mas o roteiro em si é um pouco falho, ou talvez eu esteja velha demais para entender esse tipo de humor. Os diálogos fazem parecer que King of Meat tem um humor que mescla uma tentativa de Rick and Morty, mas para o atual público jovem. O que me deixa na dúvida se realmente é o tipo de humor que atrai a Geração Y e eu estou muito velha para isso, ou se o humor realmente é forçado demais.

Inclusive, tudo em King of Meat tem um pouco dessa sensação de querer que aconteça coisas demais em um curto período de tempo. As fases são relativamente curtas, e um pouco simples, mas talvez isso tenha sido uma questão de ter sido uma cópia para análise, que ainda não contém fases criadas pela comunidade.
Porque essa é a maior proposta do jogo. Ele conta com um modo de criação de suas próprias fases, permitindo que você conecte salas, e organize certos quebra-cabeça em forma de alavancas para que os jogadores avancem pelas salas, além de colocar certos obstáculos, como esqueletos que são inimigos que precisam ser derrotados.
Essas fases são os desafios do reality show chamado King of Meat, mencionado há alguns parágrafos atrás, no qual o seu personagem e o de seus amigos devem vencer os obstáculos para conquistar fama, e eventualmente melhores equipamentos e habilidades. A gameplay é simples, com alguns leves elementos de plataforma, um combate melee com um combo simples, e outras possibilidades de armas, como uma besta para você atirar nos inimigos. Os personagens também contam com habilidades especiais, como um super arroto que tem uma grande área de alcance, que é uma mão na roda contra os inimigos.

Então, basicamente, o sistema funciona em você e seus companheiros (ou amigos) escolherem uma das fases disponíveis na tela, que geralmente aparecem três opções como votação, e o objetivo é derrotar os obstáculos e chegar até o final, com fases mais difíceis tendo limites na quantidade de vidas. Ou seja, os quatro jogadores não podem morrer mais que algumas vezes, ou é game over.
Os obstáculos vêm na forma de inimigos, que tem esqueletos mais fracos, que morrem em poucos golpes, ou alguns esqueletos mais fortes, que necessitam de mais golpes e também tiram mais do seu HP ao acertar um ataque. As fases também contam com alguns quebra-cabeças para se abrir portas, como alavancas, ou um sistema de argolas em que você precisa arremessar uma bola para que todas as argolas brilhem, e só aí a porta estará liberada.
É tudo bem simples, principalmente nas fases criadas pelos desenvolvedores de King of Meat, e a proposta é fazer um jogo que expanda por conta da sua própria comunidade, com jogadores elaborando suas próprias fases, e daí fazendo algo mais complexo. Porém, da forma em que o jogo estará sendo lançado, sem essas fases criadas pela comunidade, tudo está bastante cru, simples demais e até mesmo sem graça.

O criador de fases até tem potencial, mas pelo o que eu mexi, achei simplista demais e um pouco limitante, mas talvez seja o caso de pessoas mais criativas conseguirem criar fases que realmente façam o sistema brilhar, apesar de tudo.
Além disso, King of Meat conta com um sistema de personalização do seu personagem, com alguns itens sendo desbloqueados conforme a sua progressão e nível, enquanto outros podem ser adquiridos com NPCs que ficam no HUB principal, onde você também pode encontrar outros jogadores e até mesmo formar uma party, caso não tenha amigos para jogar com você.

Olha só esses raios de luz!
Outra característica que faz King of Meat parecer um jogo focado apenas no público jovem, está na sua parte gráfica. Não pelo gráfico mais cartoonizado, inclusive eu sou até fã desse estilo de arte, mas o problema está no sistema de luzes do jogo. Sim, parece um pouco estranho, mas você já vai entender.
King of Meat contém muitas luzes, e essas luzes frequentemente parecem estar estouradas pela câmera, o que passa a causar um incômodo com pouco tempo de jogatina. Para onde você vai, e de qualquer maneira que você virar a câmera, vai ter alguma luz verde, rosa, vermelha, de qualquer cor, na verdade, parecendo estourada na sua tela, fazendo até mesmo com que seus olhos comecem a doer depois de alguns minutos.

Eu precisei ir nas configurações de King of Meat e reduzir o brilho da tela para 20 (o padrão é 50), e ainda assim me incomodava um pouco. E não é uma questão de HDR mal configurado, realmente é uma proposta do jogo ter essas luzes frequentemente nos seus olhos, talvez numa tentativa de manter a atenção do público mais jovem, mas acaba sendo extremamente incômodo.
Fora isso, a direção de arte de King of Meat executa muito bem o seu trabalho, e entrega algo simples e funcional dentro da proposta do jogo.
Sobre trilha sonora, ela não se destaca, e acaba sendo apenas um pano de fundo tapa buraco para você não estranhar caso decidissem não colocar música nenhuma e ser apenas um grande silêncio com apenas os sons do SFX. Definitivamente não é aqui que você vai acabar encontrando alguma música memorável para ficar ouvindo depois.

Talvez eu esteja velha demais para isso
Enquanto eu jogava King of Meat, um questionamento pairava sobre a minha cabeça: esse jogo é apenas sem graça, ou eu que estou velha demais para isso, e não sou seu público alvo? Sendo bem sincera, eu não fiquei impressionada por nada do que eu testei ali, inclusive fiquei até entediada a partir da terceira fase em que eu joguei.
Mas talvez seja apenas um caso de idade avançada, e o jogo vai acabar ficando popular entre as crianças e adolescentes do momento, mas o que eu posso dizer é que, com uma gameplay rasa, humor forçado, uma necessidade de muito brilho e luz, fases repetitivas e coisas acontecendo muito rápido para tentar prender a sua atenção, eu definitivamente não sou o público alvo de King of Meat.
O Review
King of Meat
King of Meat tem uma proposta interessante, mas com uma execução rasa, além de forçar um humor sem graça e ter um excesso de luzes que chegam a incomodar durante as sessões de gameplay. Talvez o foco do jogo seja o público mais jovem, e eu apenas não o tenha entendido, mas o que eu vi não me surpreendeu em nada.
PRÓS
- Criador de fases estimula a criatividade dos jogadores e pode se tornar um diferencial
CONTRAS
- Humor forçado
- Excesso de luzes no ambiente incomodam
- Jogabilidade batida






