A franquia LEGO Batman se tornou umas das encarnações do Cavaleiro das Trevas mais amadas pelos fãs da DC, conquistando milhões de fãs ao redor do mundo desde os mais antigos e hardcore que acompanham as mensais do herói religiosamente até uma nova geração de fãs de heróis, que tiveram o primeiro contato com o herói através das aventuras LEGO.
Apesar do enorme sucesso, a franquia LEGO Batman ficou por um tempo na geladeira da TT Games, com o último game da franquia tendo sido lançado em 2014, e a última aparição da versão de blocos do herói sendo em LEGO DC Super-Villains, lançado em 2019. Eis que finalmente, a TT anunciou o retorno do Cavaleiro das Trevas de blocos com LEGO Batman: O Legado do Cavaleiro das Trevas, um novo game que prometia levar as aventuras do universo LEGO DC para outro nível.
Após ter tido uma primeira experiência com o game durante a gamescom latam, tive a oportunidade de jogar a versão final do game durante os últimos dias, e como já dito em minha preview a alguns dias, posso afirmar com todas as letras que SIM, LEGO Batman: O Legado do Cavaleiro das Trevas VALE toda a expectativa colocada pelos fãs encima do novo game da TT.
LEGO Batman: O Legado do Cavaleiro das Trevas é uma grande homenagem a toda a história do maior detetive do mundo

LEGO Batman: O Legado do Cavaleiro das Trevas é uma espécie de reboot de todo o universo LEGO Batman, nos levando a uma nova jornada que passa por diferentes momentos da vida do Cavaleiro das Trevas, sendo uma verdadeira mistura de diversos conceitos de diferentes obras do herói durante os mais de 80 anos de histórias de Batman.
Começaremos a acompanhar essa nova encarnação do herói desde a fatídica noite em que o jovem Bruce Wayne se tornou órfão no beco do crime, passando pelo seu treinamento com Ra’s al Ghul e a Liga das Sombras como em Batman Begins, até a criação da lenda do Cavaleiro das Trevas que vigia Gotham, e claro, a formação da Batfamília ao passar do tempo.

Dividida em capítulos, a história de LEGO Batman: O Legado do Cavaleiro das Trevas é composta por mini-arcos que contam com vilões menos famosos do herói como o Homem-Pipa e o Vaga-lume, juntamente a um vilão central como Coringa, Mr. Freeze e Duas-Caras, com cada um desses arcos se passando em um período diferente da vida do Morcegão.
Santa referência batman!
Esse formato em capítulos permitiu a TT fazer uma grande salada de frutas de referências nessas histórias, misturando elementos da famosa série animada, os filmes mais recentes e até mesmo a icônica encarnação de Adam West na série de 66, e claro, adicionando ideias totalmente novas na mistura, criando uma história única e extremamente divertida que cumpre com louvor a proposta de homenagear o herói e universo criados por Bob Kane e Bill Finger.

Mas claro, como em todo jogo de LEGO, o bom humor e o carisma dos personagens são o coração de tudo, e em LEGO Batman: O Legado do Cavaleiro das Trevas isso não é diferente. Batman continua com seu humor de “tiozão” e tendo uma boa chavinha de ligar e desligar o modo Batman 66 todas as vezes que a situação pede um pouco mais de seriedade, enquanto Robin herdou de suas contraparte dos quadrinhos os trocadilhos MUITO bem encaixados, fazendo com que o próprio Morcegão tenha dificuldades em manter a postura de “eu sou a vingança” com as piadas do Menino Prodígio.
Essa mesma mistura de humor pastelão com a seriedade do material original também funciona para todo o resto da batfamília e para os vilões, com cada um deles tendo um carisma único que apesar de serem levados para um tom extremamente cômico, respeitam as suas origens e personalidades dos quadrinhos e demais mídias onde apareceram. Claro, muita coisa teve que ser alterada para que o game continuasse sendo family-friendly, apesar de incluir personagens com histórias traumáticas como Dick Grayson e o Duas-Caras, mas são mudanças que fazem sentido dentro da narrativa e que ainda sim sustentam as motivações dos personagens, apesar do tom muito mais leve.

Um medo que honestamente já tinha sido um pouco afastado durante a minha sessão de preview, era de que as referências ofuscassem a narrativa criada pela TT, algo comum de acontecer em obras que procuram homenagear franquias muito longas com diversas adaptações. Felizmente, esse não foi o caso, já que a forma que essas referências foram encaixadas serviram como uma luva na narrativa original criada pela TT Games.
Fãs antigos irão reconhecer cenas icônicas dos filmes, painéis icônicos dos quadrinhos, piadas que referenciam outras encarnações do herói, e até mesmo a abertura da amada animação de 1992 totalmente recriada, porém, em momento algum essas referências soam como forçadas na trama, sendo executadas de uma maneira extremamente natural e que agrega a história como um todo.
Eu preciso destacar que mais uma vez a localização e principalmente dublagem em português que é a cereja do bolo, sendo mais um trabalho fenomenal desde a localização de piadas, a escalação dos atores que encaixaram como uma luva para os personagens e a atuação de cada um deles. A Warner tem sido umas das referências em localização de seus jogos para o Brasil, e LEGO Batman: O Legado do Cavaleiro das Trevas é mais um de seus jogos que entrarão para o hall de melhores localizações para português da história.

Claro, não espere uma história nível Ano Um ou Corte das Corujas, afinal, LEGO Batman: O Legado do Cavaleiro das Trevas ainda tem como principal público alvo o público infantil, que muito provavelmente terá o seu primeiro contato com o herói através do título, mas como um fã de longa data do herói que por muitos anos consumiu mensais e todas as grandes sagas de Batman nos quadrinhos, LEGO Batman: O Legado do Cavaleiro das Trevas entregou uma trama que me surpreendeu e me fez dar MUITAS risadas, me causando algumas crises de riso durante meu tempo com o game.
Gotham como nunca vista antes
LEGO Batman: O Legado do Cavaleiro das Trevas segue a mesma fórmula já conhecida de gameplay dos jogos de LEGO, com blocos que devem ser quebrados para que possamos construir engenhocas de LEGO, quebra-cabeças, coletáveis, etc, mas com uma grande novidade: a introdução do mundo aberto, trazendo uma Gotham City totalmente feita de LEGO! Claro, é uma versão reduzida da cidade, mas todos os seus 3 principais distritos e construções icônicas estão MUITO bem representados no universo de LEGO criado pela TT Games.
A cidade é extremamente viva e apesar de ser inteiramente feita de blocos de LEGO, consegue transmitir com maestria aquela aura de que o perigo espreita em cada beco sujo, com as ruas repletas de NPCs vivendo suas vidas cotidianas e gangues causando baderna.

Com a introdução do mundo-aberto, a estrutura de gameplay de LEGO Batman: O Legado do Cavaleiro das Trevas sofreu algumas mudanças, como a introdução de missões de história e uma série de objetivos secundários espalhados pelo mapa, como coletáveis, baús, enigmas do charada que VÃO botar a sua cabeça pra funcionar e outras atividades secundárias, que podem ser realizadas a qualquer hora entre uma missão e outra.
O loop é bem simples: fazemos uma missão de história, somos jogados ao mundo aberto novamente com novas atividades desbloqueadas a depender dos acontecimentos da história, repita o processo.
Muitas dessas atividades exigirão habilidades específicas de um dos personagens jogáveis, nos permitindo alternar livremente entre toda a Batfamília a qualquer momento. Cada personagem tem um kit exclusivo de ferramentas, como Robin que pode disparar cabos que podem ser usados como passarelas, Batgirl que pode hackear as antenas de transmissão e outros computadores, ou a Mulher-gato que pode literalmente invocar um gato para passar por locais que, bem, apenas um gato conseguiria passar.


Aproveitando o sistema de combate baseado em Batman Arkham, que conta com um sistema de combos baseado em contra-ataque e esquivas como mecânicas de defesa, sendo uma espécie de versão pocket da trilogia da Rocksteady, LEGO Batman: O Legado do Cavaleiro das Trevas também traz missões aleatórias de patrulha, com chamados da polícia que podem ser resolvidos pelos jogadores, sendo algo completamente opcional, e que honestamente, se torna um pouco cansativo após a quinta ou sexta vez em que batemos em bandidos aleatórios.
Boa parte dessa “canseira” vem da pouca variedade de inimigos, que por mais que Gotham esteja repleta de diferentes gangues que representam os mais diversos vilões, há poucas (para não dizer nenhuma) diferenciação entre eles a não ser visuais. Todas as gangues possuem inimigos comuns, inimigos com armas brancas como tacos de baseball ou espadas, inimigos com escudos, com armas de fogo e um inimigo grandalhão, que é uma verdadeira esponja de danos.
A exceção são as batalhas contra os chefes, que exigem pensarmos um pouco fora da caixinha para utilizar as ferramentas de cada um dos personagens jogáveis para derrotar os vilões, tendo uma dinâmica bem legal e única em cada uma delas.
Mesmo com as excelentes batalhas contra os chefes, o combate de LEGO Batman: O Legado do Cavaleiro das Trevas acaba se tornando o seu grande ponto fraco, apesar de tentar dar uma variada com os diferentes acessórios de cada um dos personagens. A TT Games perdeu uma chance de ouro em dar inimigos únicos para cada uma das gangues, o que poderia tornar o combate do game em um dos melhores de toda a história do herói nos games.


E é claro, se Gotham City é totalmente explorável, o Batmovel se torna um personagem mais do que presente em LEGO Batman: O Legado do Cavaleiro das Trevas, equipado com um sistema de turbo e até mesmo um lançafoguetes. A grande sacada é que assim como a batfamília, que tem uma dezenas de trajes desbloqueáveis de todas as eras e encarnações nesses mais de 80 anos de história, o Batmovel e os veículos da batfamília também receberam um tratamento semelhante.
Mas mais importante do que a parte visual, dirigir o batmóvel é extremamente divertido, com um sistema de controles simples mas que passam a sensação de velocidade necessária, nos colocando verdadeiramente na pele do Cavaleiro das Trevas feito de blocos.

Com a adição do batmóvel, é claro que a TT Games não perderia a oportunidade de adicionar corridas de Time Attack por todo o mapa, sendo um verdadeiro deleite para quiser espremer até a última gota dos veículos.
A batcaverna!
Todos os coletáveis e moedas que adquirimos em Gotham e nas missões de história são utilizados na batcaverna, que foi transformada em um hub totalmente exploráveis E customizável em LEGO Batman: O Legado do Cavaleiro das Trevas. Conforma avançamos pela história, desbloquearemos novas áreas dentro do famoso esconderijo do Morcegão, que podem ser usadas para construir novas instalações como um centro de treinamento e muito mais.
Também podemos customizar as instalações com mobílias dos mais diversos estilos, nos permitindo dar o nosso próprio toque especial ao esconderijo mais famoso dos quadrinhos.

A Batcaverna também conta com uma baita exposição de todos os trajes e veículos desbloqueados, tendo dois enormes salões dedicados única e exclusivamente para exibir os trajes, sendo uma verdadeira exposição dos mais de 80 anos do personagem totalmente recriada em LEGO.
Podemos adquirir novos trajes apenas por completar as missões principais, enquanto outros precisam ser adquiridos por peças na loja do Mini Batman ou serem desbloqueados através de objetivos secundários espalhados pelo mundo aberto. Também podemos alterar o traje de cada um dos personagens a qualquer momento, nos permitir alterar a roupa da batfamília de acordo com o que julgarmos ser a melhor escolha para a situação.


A batcaverna foi uma adição extremamente interessante e bem-vinda, já que por mais que o esconderijo do Homem-Morcego seja quase um personagem nos quadrinhos, poucas mídias se dão ao trabalho de explorar o local. Felizmente, LEGO Batman: O Legado do Cavaleiro das Trevas não esqueceu de um dos principais elementos do herói.
A aventura definitiva do Cavaleiro das Trevas

LEGO Batman: O Legado do Cavaleiro das Trevas se colocou em uma posição difícil ao ser anunciado como uma grande homenagem a toda a história do Homem-Morcego, mas felizmente, a TT Games provou mais uma vez que entende o personagem e o universo do herói como poucos. Apesar de ser uma aventura mais leve que notavelmente tem como grande alvo o publico infanto-juvenil, LEGO Batman: O Legado do Cavaleiro das Trevas conseguiu me conquistar por completo, se tornando o meu game favorito do herói, finalmente desbancado Arkham City que a anos estava intocado nesse trono.
Sim, o game pisa em alguns blocos e deixa um pouco a desejar no sistema de combate e a pouca variedade dos inimigos, mas honestamente, é um deslize um tanto quanto pequeno quando comparado aos acertos da TT Games. Com uma narrativa que não apenas homenageia, mas que também respeita TODAS as encarnações do herói e uma Gotham City extremamente viva, LEGO Batman: O Legado do Cavaleiro das Trevas é um game obrigatório para qualquer fã de carteirinha do herói, além de ser uma excelente porta de entrada para quem nunca consumiu as histórias da DC.
Essa análise de LEGO Batman: O Legado do Cavaleiro das Trevas foi produzida através de uma chave de review do game para PS5, gentilmente cedida pela Warner Bros. Games
O Review
LEGO Batman: O Legado do Cavaleiro das Trevas
LEGO Batman: O Legado do Cavaleiro das Trevas cumpre com maestria a sua proposta de homenagear os mais de 80 anos de histórias do herói, trazendo uma história repleta de referências e MUITO bom humor e uma Gotham City viva e convidativa a exploração, marcando o início de uma nova era para a franquia, apesar de dar uma pisada no LEGO com um sistema de combate um tanto quanto repetitivo e com pouca variação de inimigos.
PRÓS
- História extremamente divertida
- Boa quantidade de personagens jogáveis
- Quebra-cabeças criativos
- Gotham City é um mundo aberto vivo e repleto de atividades secundárias divertidas
- Controles de direção do batmovel extremamente satisfatórios
- Uma verdadeira homenagem aos 87 anos de Batman
CONTRAS
- Mecânicas de combate se tornam repetitivas
- Pouca variação de inimigos






