Se algum dia você já se questionou como seria um JRPG de piratas, Like a Dragon: Pirate Yazuka in Hawaii vem para responder essa dúvida. Majima, um dos personagens mais queridos da franquia, mas que é jogável somente em três jogos, sendo que um deles é somente um capítulo curto, vem para assumir um posto que é a cara dele: ser o capitão de um navio pirata.

Yo-ho, yo-ho, a pirate’s life for me!
Qual é a diferença entre um pirata e um membro da Yakuza? Não chega a ser muita, ambos vivem na linha da ilegalidade, e com o último jogo da franquia, Like a Dragon: Infinite Wealth, se passando no Havaí, a RGG Studios teve uma ideia genial: conectar a premissa de criminosos japoneses, com piratas pelas águas da Oceania.
Outro acerto da RGG foi a escolha de Goro Majima como o protagonista a assumir essa função. Sendo ainda mais maluco que o próprio Ichiban, e estamos falando de um homem que sai no soco em turnos, porque acredita que na vida real as pessoas lutam igual como em Dragon Quest, uma aventura pirata tem tudo a ver com Majima.

Tudo começa quando o ex-membro da Yakuza acorda em uma praia sem suas memórias, e é ajudado por Noah, um menino que anda com seu fiel tigre gato de estimação, Goro. Majima não se lembra nem mesmo do próprio nome, mas a dívida de ter a sua vida salva pelo garoto que tem o sonho de conhecer lugares fora da ilha minúscula onde vive, o leva para o caminho da pirataria. No caso, a pirataria mesmo, ele não sai por aí vendendo mídias adquiridas de forma ilegal.
Com isso, Majima sai em aventuras pelo mar que acabam o levando atrás do lendário tesouro de Esperanza, um antigo navio que acabou encalhando após um acidente, no qual dizem que os tripulantes haviam descoberto o elixir da vida eterna, mas que acabou se perdendo após o fatídico evento.
A RGG tem um talento nato para escrever bons personagens, e os novos apresentados durante essa aventura não ficam para trás. Noah é um garoto extremamente simpático, o que é difícil de se fazer, já que personagens crianças facilmente podem pender para um lado mais chato caso você não tome cuidado o suficiente. Mas ele não é o único bom personagem, além do próprio Majima que exala carisma naturalmente.

Eu recomendo jogar na dublagem japonesa, mas caso você realmente queira jogar na dublagem em inglês, ela também é boa. Matthew Mercer, que já dublou personagens como Leon em Resident Evil 6 e Vincent Valentine em Final Fantasy 7: Rebirth, assume o papel de Majima e entrega um excelente trabalho.
No geral, a história de Like a Dragon: Pirate Yakuza in Hawaii pode ser uma das mais malucas que a RGG já escreveu, cheia dos exageros típicos do estúdio. Ela não tem nenhum momento muito pesado emocionalmente falando, como Yakuza: Like a Dragon, por exemplo, e é uma história com um clima mais divertido no geral, mas não fica para trás no quesito qualidade. Ela também comete os erros típicos da franquia, como momentos em que a história se arrasta um pouco demais, principalmente lá pela metade do jogo.

O cachorro louco de Shimano
Antes de Yakuza: Like a Dragon, a série era conhecida pelo seu combate de beat ‘em up, em que Kiryu saía pelas ruas do Japão caindo no soco com bandidos aleatórios e outros membros da Yakuza. Quando Ichiban assumiu o protagonismo da franquia, virou um clássico JRPG de turno. Like a Dragon: Pirate Yazuka in Hawaii retorna às raízes de beat ‘em up, trazendo facilmente o melhor combate já apresentado na franquia. Majima já tinha o melhor combate em Yakuza 0, principalmente no estilo em que ele lutava usando um taco de baseball.
Em Yakuza in Hawaii, Majima apresenta dois estilos de luta: Mad Dog, seu estilo padrão em que usa uma faca, e o Sea Dog, em que ele realmente encarna um verdadeiro pirata e luta com duas cimitarras. O estilo do Mad Dog é melhor quando você está contra somente um ou dois inimigos, enquanto os ataques em área do Sea Dog são excelentes quando vem um grupo maior contra Majima.

Os ataques são bastante fluidos, e agora temos a volta de combos aéreos, que estavam presentes somente na gameplay de Akiyama em Yakuza 5. Majima pode jogar alguns inimigos para cima, e imediatamente engajar em um combo aéreo, finalizando com um finisher bem forte para o chão. Todos os golpes se conectam de forma excelente, e o protagonista é bem mais rápido que Kiryu.
Os equipamentos para melhorar Majima vieram da maneira mais criativa o possível, e que tem uma ligação direta com piratas: anéis. Você pode equipar até 10 anéis, um em cada dedo, fazendo com que o personagem realmente pareça um grande capitão dos 7 mares.
Porém, isso também é uma aventura pelos mares, e o combate físico não é o único presente em Like a Dragon: Pirate Yazuka in Hawaii. Obviamente, temos o principal ponto em um jogo sobre piratas: as batalhas navais.

Mas se você espera uma batalha naval ao nível realista de Assassin’s Creed: Black Flag, esse não é exatamente o lugar para você. Estamos falando de Yakuza, e óbvio que a RGG fez a interpretação de um JRPG do que seriam as batalhas navais, com o navio de Majima, Goromaru, tendo várias opções de customização, e um modo “turbo” que faz com que o navio avance mais rápido pelo mar enquanto um jato de fogo sai de trás dele.
O Goromaru também conta com várias outras opções malucas de upgrade que eu não quero estragar a surpresa, mas algumas ideias são extremamente engraçadas, enquanto outras são bem apelonas. Durante as batalhas, Majima pode soltar do leme do navio para levantar aliados que ficam nos canhões ou na metralhadora (eles têm barra de HP e sofrem dano quando o Goromaru é atacado), ou usar uma RPG para dar dano no navio inimigo.

No geral, é a batalha naval mais divertida que eu já experimentei em um jogo, com mecânicas bem executadas, gostosas de se usar, e bem equilibradas.
As side-quests estão de volta e continuam malucas como sempre. Agora elas também te ajudam a conseguir ainda mais membros para a sua tripulação, e eu soltei uma gargalhada genuína com a side-quest que envolve conversar com o tigre gato de Noah, por favor, não percam essa.
Obrigada pelos homens gostosos!

Os gráficos de Like a Dragon: Pirate Yazuka in Hawaii são os mesmos de seu antecessor, Like a Dragon: Infinite Wealth, com o mesmo mapa de Honolulu, mas com várias novas ilhas adicionadas, além dos mapas em que você pode viajar com o Goromaru. O visual e a física da água são muito bons, e é algo que a engine da RGG Studios, a Dragon Engine, sempre teve destaque, qualquer líquido sempre teve uma aparência impecável nos jogos.
Mas por ser um jogo que ainda também roda no PlayStation 4, não vai encher seus olhos. E esse também nunca foi o destaque da franquia, o verdadeiro potencial dela fica na gameplay e em contar boas histórias.
O destaque fica na modelagem impecável que a RGG Studios faz de seus personagens. Tá bom, eu admito, esse parágrafo é só pra eu agradecer o estúdio pelo Majima começar o jogo sem camisa… E eu também ter a opção de deixa-lo sem camisa com a mecânica de escolher roupas. Voltando à programação normal…
He’s a pirate
Piratas do Caribe tem uma das melhores composições de uma música que envolve piratas na minha opinião, que é a He’s a Pirate. É basicamente o tema principal dos filmes e você deve saber do que eu estou falando. Aqui a RGG não me decepcionou, e entregou uma música de batalha muito parecida com o clima dessa música de Piratas do Caribe, e eu estou só esperando essa música ficar disponível de forma oficial para eu ficar ouvindo incansavelmente.

A trilha sonora toda no geral é boa, e o design de áudio também. O som dos canhões, do vento enquanto você viaja pelos mares com o Goromaru, tudo se complementa perfeitamente para trazer a sensação da aventura pirata. Mas essa música que eu citei anteriormente é a cereja do bolo do título em questão de áudio.
Considerações Finais
Like a Dragon é uma série com vários jogos, mas que alguns ficam perdidos ali no meio no quesito qualidade geral. Mas Like a Dragon: Pirate Yazuka in Hawaii é um que realmente me surpreendeu, entrando facilmente no meu top 3 jogos da franquia, junto de Yakuza 0 e Yakuza: Like a Dragon. Confesso que inicialmente eu não esperava muita coisa, principalmente por ser um spin-off que ainda reciclaria algumas coisas de Infinite Wealth.

Ele consegue ser o jogo definitivo de piratas, é absurdamente divertido, tem uma boa história e personagens, e traz bastante conteúdo para ser feito. Não tente correr para terminar a história, porque o jogo não vai te deixar porque você precisa melhorar os seus equipamentos e os de Goromaru para avançar.
Outra vantagem é que o jogo pode ser aproveitado perfeitamente por pessoas que nunca encostaram em um título da franquia antes. Algumas referências aqui ou ali serão perdidas, mas nada que afete o seu entendimento dessa história em específico, eu diria que 95% do jogo é facilmente compreensível para novatos na franquia. Além disso, Like a Dragon: Pirate Yazuka in Hawaii está completamente legendado e com interface em português.

O Review
Like a Dragon: Pirate Yazuka in Hawaii
Like a Dragon: Pirate Yazuka in Hawaii é um excelente jogo para aqueles que nunca encostaram na franquia e querem aproveitar uma aventura pirata, e é também excelente para aqueles que são fãs de longa data. Divertido, com uma das melhores gameplays de um jogo dessa temática e da própria franquia, Goro Majima finalmente ganha mais uma vez o seu merecido destaque dentro da franquia Yakuza, e espero que não volte a ficar jogado de escanteio.
PRÓS
- É um excelente Yakuza
- É um excelente jogo de piratas
- História divertida
- Muitas mecânicas muito boas de gameplay
CONTRAS
- História dá uma leve enrolada em alguns momentos






