No meio de tantos lançamentos grandes, tem sido uma busca minha jogar pequenos jogos, de desenvolvedoras ainda sem muito renome, para poder limpar o paladar desses jogos enormes que tanto jogamos. Jogos pequenos, feitos com amor e geralmente com uma mensagem legal, que não demoram mais do que o necessário para entregar experiências fantásticas. Foi motivado por essa busca, e pela chave gentilmente enviada pela Playtonic Games, que topei me aventurar nesse jogo carismático chamado Lil Gator Game e em sua DLC, lançada hoje, no dia 12 de fevereiro.

Desenvolvido pela MegaWobble e lançado pela primeira vez em 2022, Lil Gator Game é um jogo em que acompanhamos a jornada de um pequeno jacaré que tenta convencer a irmã mais velha e atarefada a brincar com ele no parque. Com um grupo de amigos com os quais pode contar para essa missão, objetos espalhados pela ilha e uma imaginação fértil, o pequeno jacaré tem como objetivo criar uma brincadeira tão marcante e irresistível que nem mesmo as tarefas da universidade de sua irmã poderão interferir. Cabe a nós, jogadores, a missão de juntar todas as peças para que a brincadeira ocorra da forma mais grandiosa possível.
Algo que me encantou logo de cara em Lil Gator é a sua simplicidade. Desde o início, o jogo deixa claro que você está controlando uma criança em um parque de diversão. Logo, todas as mecânicas e inimigos que encontramos durante a jornada são releituras de elementos mundanos, transformados em coisas fantásticas por meio de regras criadas pelas próprias crianças.
Deslizes na gameplay fazem parte da Jornada?
A tampa de uma lata de lixo, ou um pedaço de papelão redondo, tornam-se escudos que, como os inimigos são monstros de papelão estáticos, também servem como formas de deslizar pelo mapa com mais velocidade. Gravetos, lápis gigantes e até mesmo pedaços de papelão recortados em formato pontudo viram espadas para que o nosso herói possa combater os perigos escondidos (por eles mesmos) na ilha. Pedras e pequenos objetos arremessáveis se tornam as principais armas de longa distância do nosso herói que, com muita bravura, utiliza essas mesmas ferramentas para resolver puzzles deixados por outros residentes dessa ilha de aventuras.

É tanta fofura que, por muitas vezes, eu ignorava completamente os controles desengonçados e difíceis de dominar. A movimentação do nosso jacarezinho é tão engraçada, por ele andar de pernas abertas e dar a impressão de que vai cair a qualquer momento, quanto ruim de controlar, por conta da lentidão e da pouca responsividade, com o personagem patinando pelo cenário ou realizando saltos imprecisos quando é necessário pular de um lugar para o outro.
Durante esse processo de análise, eu me questionava se isso era motivo para tirar pontos de Lil Gator, visto que, sim, os controles são imprecisos e me atrapalharam em algumas missões. Porém, a estrutura do jogo foi feita de um jeito que raramente você vai se sentir punido por isso. O layout dos cenários é construído de forma acessível para que, caso o jogador caia durante alguma escalada ou salto indesejado, possa voltar rapidamente ao ponto em que estava. O próprio tamanho da ilha principal é perfeito para que, caso o jogador se perca, encontre um novo amigo para recrutar para a missão do nosso pequeno jacaré. Isso acabou evitando que eu me sentisse frustrado com a falta de precisão dos comandos.
E a gente já foi criança…

Se na gameplay o jogo base de Lil Gator tinha esses deslizes, ele te conquista de vez com os diálogos entre o jacarezinho e os NPCs que encontramos pela jornada, todos de um carisma ímpar. Há uma inocência genuína na forma como os personagens da mesma faixa etária do protagonista falam, potencializada pelo ótimo trabalho de regionalização que adapta essa história, cuja nacionalidade não foi definida pelos desenvolvedores, para o Brasil, com o uso inteligente de gírias e termos que usamos no dia a dia.
Em muitos momentos, me vi lembrando de quando era criança, das brincadeiras com amigos na rua e daquela bagunça que só crianças, sem trabalho ou grandes responsabilidades escolares, tinham à disposição para criar. Lil Gator aproveita essa vulnerabilidade do jogador para, de forma muito esperta, adicionar elementos capazes de fazer muito marmanjo chorar, situações da vida que o nosso protagonista não entende completamente e para as quais tenta criar justificativas fantásticas.
Nós, adolescentes ou adultos um pouco mais vividos, acabamos tendo uma leitura mais real das situações que o jogo apresenta, especialmente na parte envolvendo a irmã mais velha. Isso transforma a experiência em uma grande conversa, que pode ser lida e interpretada de formas diferentes dependendo da idade de quem joga. Mesmo sendo uma história curta, Lil Gator entrega uma jornada emocionante e engraçada com esse jacarezinho fã de Zelda.
E se o Link fosse um Pequeno Jacaré?
Outro ponto positivo da campanha principal de Lil Gator Game são as várias referências à cultura pop, principalmente ao mundo dos games. Zelda: Breath of the Wild é a principal inspiração, tanto nas mecânicas, como a camisa que funciona como planador e a barra de stamina redonda que se esgota ao escalar montanhas, quanto nas ideias malucas que o protagonista tem para essa grande brincadeira. O melhor de tudo é que, em nenhum momento, parece que o jogo está ridicularizando suas referências. Pelo contrário, é perceptível o carinho que os desenvolvedores têm pelas franquias homenageadas, e até mesmo pelo ato de desenvolver um jogo.

Se fosse para dar nota apenas ao jogo base de Lil Gator, diria que seria algo entre 7 e 7,5, visto que, apesar da história carismática e do mundinho aberto divertido de explorar, o jogo é curto demais e, mesmo assim, consegue ficar um pouco cansativo na parte final. A estrutura das missões se repete, sempre exigindo ajudar três amigos diferentes em três tarefas, e os itens que desbloqueamos acabam sendo mais skins do que ferramentas realmente novas.
In the Dark: a DLC

Anunciada no ano passado, três anos após o lançamento oficial do jogo base, a DLC “In the Dark” é uma adição muito bacana ao já bom Lil Gator Game. Aqui, o foco deixa de ser impressionar a irmã mais velha e passa a ser impedir os planos do grandioso Lorde das Sombras e sua gangue de tomar a cidade construída pelo nosso jacarezinho no jogo base. O plano, porém, dá errado antes mesmo de começar, após uma explosão fazer com que tanto o nosso personagem e seus amigos quanto a gangue do Lorde das Sombras fiquem presos em uma caverna durante toda a expansão.
Mesmo presos na caverna, o protagonista não perde a oportunidade de transformar essa experiência em uma nova brincadeira. Dessa vez, contra o Lorde das Sombras, ele adiciona novas ferramentas ao seu arsenal: armas que utilizam amuletos e dão novas funcionalidades aos itens, como uma espada que faz bolhas e permite saltar muito alto, uma picareta que possibilita atacar no ar e abrir caminhos escondidos, entre outras que o jogador recebe ao explorar a caverna.

Além dessas ferramentas com amuletos, itens como escudo e arremessáveis ganham novas versões dentro da DLC, adicionando funcionalidades extras. Um exemplo é o escudo feito de teias, que o jogador pode usar para sair pulando pelo mapa, ou o lançador de teias, que permite ao nosso jacarezinho se balançar como o Homem-Aranha.
A caverna onde a expansão se passa é pequena, porém muito bem construída, com diversas passagens secretas e missões secundárias bem distribuídas, que a fazem parecer maior do que realmente é. O visual também é incrível: o céu escuro da caverna, misturado às luzes das tochas e dos vagalumes, cria um clima noturno muito bacana e diferente do jogo base, que se passa inteiramente à luz do dia.

São adições excelentes para a gameplay de Lil Gator. Melhoram muito a mobilidade do jogo e tornam a experiência ainda mais divertida. O melhor é que todas essas ferramentas podem ser levadas para o jogo principal e para o New Game Plus, que já vem incluso neste pacote. A história da expansão é menos concentrada em uma única pessoa, como foi o jogo base com a irmã mais velha, o que faz com que perca um pouco do fator emocional do título original, mas compensa com um elenco de personagens secundários muito bons.
Vale a Pena jogar Lil Gator Game: Gator of the Year?

Sim, porém com ressalvas. O jogo base é uma aventura pequena e emocionante, mas peca na gameplay, apresentando uma reta final um pouco cansativa, mesmo com sua curta duração. A expansão aprimora isso ao adicionar ferramentas que melhoram a mobilidade do nosso pequeno jacaré e introduzir personagens secundários muito carismáticos, como o próprio Lorde das Sombras.
No geral, Lil Gator Game: Gator of the Year é um pacote divertidíssimo e uma ótima pedida tanto para crianças quanto para adultos que querem limpar o paladar desses jogos enormes que têm saído e apenas relaxar um pouco.
O Review
LIL GATOR GAME
No geral, Lil Gator Game: Gator of the Year é um pacote divertidíssimo e uma ótima pedida tanto para crianças quanto para adultos que querem limpar o paladar desses jogos enormes que têm saído e apenas relaxar um pouco.
PRÓS
- Personagens carismáticos
- História bonita
- Cenários abertos pequenos porém divertido de explorar
CONTRAS
- Mesmo com a DLC, é muito curto
- Gameplay deixa a desejar com personagens deslizando e comandos imprecisos






