A esse ponto, já podemos considerar Little Nightmares uma franquia consolidada da Bandai Namco, que embora mais famosa por jogos de esporte, aventura e tiro, também explora o nicho do terror com essa franquia que é um verdadeiro sucesso que, mesmo após a saída da Tarsier Studios, a desenvolvedora original dos games, segue a todo vapor.
Após o lançamento de Little Nightmares 3 com uma história totalmente nova, um spin-off focado na realidade virtual acaba de lançar, e Little Nightmares VR: Altered Echoes não só volta à Cidade Pálida do segundo título como nos põe na pele da Dark Six, o lado sombrio da protagonista que aparecera de forma misteriosa e rara até então. E aqui nessa análise você confere todas as nossas impressões sobre esse título!

Acontecendo durante os eventos de Little Nightmares 2, quando o Homem Magro separa Six de sua parte sombria, controlamos essa em busca de se juntar novamente a sua parte “real”, e a partir disso, tudo se desenrola de forma bastante similar aos outros títulos da franquia, mas claro, sendo um jogo VR, as coisas são traduzidas para esse meio de uma forma bastante interessante.
De volta à Cidade Pálida
Obviamente, o jogo é retratado completamente em primeira pessoa, o que difere muito da visão 2.5D da franquia, e é uma perspectiva muito interessante, já que a protagonista é minúscula e tudo é gigante ao redor dela, além de claro, muita interatividade com os objetos e puzzles, que basicamente resumem todo o loop de gameplay de Little Nightmares VR.

Quanto a esse, nada aqui é novidade pra quem já conhece a franquia, e temos que se esgueirar por buracos, vielas e cantos se escondendo das monstruosidades que habitam a cidade, e que estão ansiosas para derrotar a inocente Dark Six.
Entre seções de stealth e sequências frenéticas de perseguição, Little Nightmares VR se destaca por alguns enigmas bastante criativos, que vão desde o uso de marretas para quebrar portas como até uma caixinha de fósforo que nos acompanha por todo um capítulo, na qual é necessário sempre riscar mais um palitinho para iluminar o caminho e evitar armadilhas, mas claro, sempre atento para que o barulho do fósforo não chame a atenção de algum monstro.

Little Nightmares VR acerta em muitos aspectos, mas…
Todavia, devo dizer que esse sistema no geral é um pouco cansativo, apesar de vários puzzles e seções criativas, uma hora o stealth realmente não apresenta novas questões e linhas de raciocínio, ficando bastante “na mesmice” de se esconder da mesma forma sempre, o que é um contraste em relação a outros aspectos do jogo que são melhor trabalhados.
Apesar de alguns bugs aqui e ali, no geral, Little Nightmares VR é bem tranquilo de rodar, e a curta duração do game faz jus à franquia principal, e mais do que isso deixaria o jogo um tanto cansado.

Narrativamente falando, o título se destaca por se aprofundar mais na personagem da Six durante os eventos do segundo Little Nightmares, e eu pessoalmente achei bem interessante no geral, com diversas conexões na franquia principal e que deixam a personagem e a sua forma Dark Six com mais camadas, e até mesmo alguns plot twists repousam ao final da jornada, isto é, para quem conseguir desvendar todos os simbolismos que carregam o título.
A falta das animações é realmente uma grande perda
O visual é uma das partes mais interessantes, mas também mais problemáticas de Little Nightmares VR. De início, vemos algumas fases que foram “recicladas” de Little Nightmares 2, embora tenha a transição para o VR, mas realmente falham em ser “novidade”, embora os dois últimos capítulos compensem sendo adições inéditas no universo da saga, e que tem cenários muito detalhados e com aquela direção de arte característica da série.

No entanto, uma das coisas mais interessantes de Little Nightmares era a violência gráfica das animações, especialmente em um game over, e isso não está nenhum pouco presente aqui. Ao morrermos, a tela simplesmente escurece e não sentimos nenhum efeito pesado ao sermos capturados por um dos monstruosos perseguidores ou ao cairmos de uma altura grande, o que prejudica muito grande parte do simbolismo e da atmosfera de Little Nightmares VR.
Apesar disso, o jogo consegue manter bem a atmosfera em outros aspectos, e mesmo alguns gráficos mais “borrados” podem ser relevados em contraste com outras coisas que tem um carinho maior no título, embora outro aspecto do visual possa ser incômodo para alguns: Dark Six usa uma capa de chuva assim como sua contraparte, e o visual do game é sempre “cortado” pela silhueta do capuz, o que é uma adição interessante e parece ter sido usada para contornar obstáculos técnicos, mas depois de um tempo acaba atrapalhando bastante na visualização dos cenários, que é essencial para o progresso.

Um presente para os fãs saudosos do segundo título
No aspecto sonoro, Little Nightmares VR mantem a atmosfera opressiva e os sons brutais dos perseguidores, mas novamente não vai além do básico e embora completamente funcional, está longe de ser um dos quesitos mais brilhantes do título, o que, considerando o quão essencial é esse atributo em jogos de survival horror, acaba sendo um desperdício de potencial, infelizmente.

Por fim, Little Nightmares VR: Altered Echoes é uma boa adição para a franquia, e certamente vai empolgar os fãs da franquia que dispõem de um VR para experimentarem essa versão muito mais imersiva da franquia, mas infelizmente ele falha em ser “algo a mais” do que o que já havíamos visto anteriormente, sendo mais um presente aos fãs saudosos do que um indicativo de potencial a ser explorado pelos próximos títulos da série.
O Review
Little Nightmares VR: Altered Echoes
Little Nightmares VR é uma boa pedida para os fãs da franquia e com certeza é uma boa transição da atmosfera da série para a realidade virtual, mas infelizmente falha em ser mais do que isso, sem apresentar muita originalidade e sem cair longe da zona de conforto da franquia.
PRÓS
- Transição excelente para a realidade virtual
- Puzzles e enigmas bastante criativos
- Novos cenários e adições são uma boa pedida
- Conexões narrativas com a franquia principal
- Sequências de perseguição bastante frenéticas
CONTRAS
- Seções stealth caem na mesmice após um tempo
- Alguns bugs atrapalham a jogatina
- Animações de game over completamente ausentes
- Reciclagem de muitos aspectos do segundo título






