O gênero de plataforma, especialmente o 2D, já foi um dos grandes moldes no qual os videogames surgiram, cresceram e evoluíram, mas conforme o avançar do poderio gráfico e da criação de grandes mundos e combates complexos, o estilo caiu em desuso.
Felizmente, a esfera indie consegue celebrar e inovar até hoje nesse gênero, nos entregando verdadeiras joias como Celeste, Pizza Tower e Rain World. A desenvolvedora Assoupi claramente se inspira nesses jogos para entregar MainFrames, com seu charme próprio sem deixar de mão o que dá certo, então confere com a gente os acertos e erros desse carismático platformer, disponível para PC e Switch.

Um molde simples, mas com mecânicas novas
MainFrames não é tão diferente de outros jogos do gênero no seu âmago: o jogo é fluido, com pulos responsivos e a mecânica agora comum de se prender a paredes e usá-las de apoio para realizar um novo pulo.
No entanto, junto à temática do jogo, há mecânicas novas que lembram muito as funcionalidades que usamos normalmente em qualquer tarefa de um computador. O disquetinho que protagoniza o jogo deve usar janelas como obstáculos e apoios, e deve pular de uma em uma até o fim da tela, assim subsequentemente até o final do nível.

Com o percurso distribuído em 8 mundos, cada um deles irá fornecer novas e únicas mecânicas: de início, podemos mover as janelas de lugar para melhor adequar a passagem, bem como alongá-las ou minimizar as mesmas. Outras mecânicas incluem focar ou desfocar em uma janela, despertando diferentes efeitos, ícones que dão um pulo extra ao personagem ou até mesmo que jogam ele para frente, bem como janelas que invertem a gravidade ao serem tocadas.
Abordagens diferentes carecem de um certo polimento
Pode não parecer pelo estilo do jogo, mas ele não é estritamente linear. Claro, há necessidade de avançar de tela em tela, mas em alguns pontos, há caminhos divergentes no pelo final que podem levar a um ou outro caminho, que entregam algum item diferente ou até mesmo um diálogo.

Apesar de ser uma ideia interessante, é um pouco estranho de início pois o jogo não aponta isso em nenhum momento, e também não deixa claro quando há ou não uma bifurcação na estrada(apenas pelos pixelados na tela que indicam as saídas). Não somente, como também faz falta um mapa, mesmo que simplório e rudimentar, para quem gosta de explorar todas as saídas e desafios.
Um diferencial do jogo é que durante alguns mundos, você irá ver uma telinha de minigame, na qual você pode enfrentar um desafio no estilo arcade, como ficar constante no ar apenas usando o pulo de certas plataformas, ou a inversão de gravidades, que já conta com um recorde padrão para ser batido, mas você pode estender indefinidamente, a depender do quanto está se divertindo com isso.

Para quem não é acostumado com plataformas, podem ficar tranquilos, na maior parte do tempo a curva de dificuldade é bem suave, e nada que um pouco de erro e tentativa não lhe dará a habilidade necessária para finalizar o jogo.
Porém, uma parte em específico no meio da jogatina me pegou de surpresa, na qual você precisa encarar uma bateria de desafios, que além de ser um tanto desafiadora, precisará ser feita do início toda vez que perder. É um pico de dificuldade que não é visto no resto do jogo, inclusive após tal parte, e inclusive não saberia dizer se era algo opcional, pois pela falta de indicativos, pareceu ser um obstáculo obrigatório a ser passado.

História simples e visuais charmosos
Narrativamente, o jogo é extremamente simples, lhe colocando no papel de um disquete que precisa reparar um computador antigo com a ajuda de daemons, programas que rodam no plano de fundo de qualquer dispositivo, e até mesmo o sistema operacional, inteligentemente representado por um pinguinzinho.
O gráfico do jogo é um dos maiores chamativos, mesmo sendo simples, evoca uma estética nostálgica e confortável mesmo sem se relegar a apenas copiar elementos usados na informática antigamente, mas usando um estilo próprio que se assemelha muito ao que sentimos ao pensar nessa época com carinho, relembrando um passado mais simples.

A trilha sonora é legal para embalar o clima leve do jogo, mas não é um grande chamativo, apenas estando lá e sem deixar uma grande marca em quem joga, diferentemente do aspecto visual do jogo.
Mesmo tendo muitas ideias e com um ritmo leve, o jogo não se demora em sua chegada, sendo bem curtinho e pode ser facilmente zerado em 2 ou 3 horas, mas com um conteúdo opcional relativamente grande para quem gosta de desbravar esses jogos ao máximo e só cansa após finalizar todas as conquistas.
Acessibilidade é chave, mesmo na simplicidade
Como dito anteriormente, o jogo é simples e direto, sem grandes aspirações aparentes, mas mesmo assim não abre mão de fornecer muitas opções de acessibilidade para o jogador.
Desde o carinho pelo nosso público com uma localização bem eficiente para o português brasileiro até opções mais elaboradas que deixam a jogabilidade dinâmica, como diminuir a velocidade do jogo para que você possa executar os movimentos com mais calma, como até opções de assistência de pulo infinito ou invencibilidade para quem definitivamente tem dificuldade em desbravar os desafios.

MainFrames é uma carta de amor às nossas memórias
Com um visual fofinho e carismático, o jogo tem seu apelo para uma demografia mais nova, mas acredito que o foco do jogo é homenagear uma geração passada, que hoje é adulta e enfrenta uma tecnologia muito diferente de uma ou duas décadas atrás.
A atmosfera onírica de MainFrames remete ao jeito que guardamos certos momentos e descobertas na memória, mesmo que não sejam estritamente realistas com o jeito que aquela época de fato era, e usa isso de aliado ao entregar um platformer que talvez não seja tão diferente daqueles jogos simples que experimentávamos em navegadores ou em algum CD-ROM velho.

MainFrames é eficiente e vai direto ao ponto no que quer entregar, com uma proposta simples e divertida, é difícil dizer que o jogador irá se decepcionar com o jogo sabendo exatamente do que ele trata e quais lembranças o mesmo busca resgatar.
O Review
MainFrames
Um platformer fofo e curto sobre uma época nostálgica, o jogo é eficiente em divertir e homenagear tempos mais simples com um visual muito charmoso, mesmo com um leve problema de ritmo.
PRÓS
- Jogabilidade divertida e fluida
- Visuais bem feitos e bastante confortáveis
- Mecânicas inovadoras ligadas ao tema do jogo
- Opções de acessibilidade diversas
CONTRAS
- Música pouco memorável, embora sirva para entregar atmosfera
- Pico de dificuldade inesperado que atrapalha o ritmo
- História bem "qualquer coisa"






