Anunciado durante a E3 de 2017 para o Nintendo Switch, Metroid Prime 4: Beyond se tornou uma lenda entre os fãs da Big N, com muitos fãs (inclusive eu) constantemente se questionando se o game realmente veria a luz do dia ou se sucumbiria aos confins do dev hell. Após muitos problemas com a sua desenvolvedora original, a Nintendo tomou a decisão de transferir o projeto para a Retro Studios, o rebootando completamente e dando vida a Metroid Prime 4: Beyond.
Desde o re-anúncio do game e sua confirmação para o Nintendo Switch 2, Metroid Prime 4 se tornou a minha grande expectativa para o novo console da Nintendo, já que finalmente uma das minhas franquias favoritas receberia um novo game após mais de uma década de jejum.
Após muito tempo de espera, finalmente tive a oportunidade de experienciar o retorno de Samus da franquia Prime e… Bem, Retro Studios, precisamos conversar…
Como decisões questionáveis tornaram Metroid Prime 4: Beyond a minha grande decepção de 2025

Se passando alguns anos após os acontecimentos de Metroid Prime 3, Metroid Prime 4: Beyond coloca o jogador mais uma vez na pele da lendária caçadora de recompensa espacial Samus Aran, que está mais uma vez no encalço dos piratas espaciais liderados por Sylux. Samus é chamada para combater os piratas no distante planeta Tanamaar, que está sendo atacado pelos piratas.
Após chegar no planeta e neutralizar várias das ameaças invasoras, um dispositivo desconhecido apresenta graves problemas, e sua explosão transporta Samus e vários outros que estavam no local para um planeta isolado e desconhecido, chamado Viewros. Em um planeta completamente hostil e, pior, sem acesso a suas habilidades avançadas, Samus precisa herdar o legado dos antigos habitantes do planeta caso queira ter uma chance de sobreviver e encontrar o caminho para casa.
Narrativa fraca e personagens desinteressantes

Apesar de ter uma premissa interessante, a narrativa de Metroid Prime 4: Beyond acaba caindo na velha armadilha de tentar ser mais do que apenas um pano de fundo para games que não necessitam de um enredo bem trabalhado. Apesar de todo o mistério ao redor dos Lamorn, uma antiga e curiosa raça que habitava Viewros e que servem de guia para a jornada de Samus, ser até que bem interessante, a ausência de carisma dos personagens e principalmente, a ausência de falas de Samus, tornam se importar com o enredo uma missão quase impossível.
Entre esses personagens, os mais presentes durante boa parte do enredo serão Myles, um mecânico que ficará encarregado de instalar os upgrade de Samus durante a jornada, o sniper solitário Reger Tokabi e os soldados da Federação Galáctica Ezra Duke e Nora Armstrong. Apesar de terem personalidades únicas, todos os personagens parece ter uma única função em tela: relembrar o jogador do quão incrível Samus é.

Claro, existe um esforço notável em realmente desenvolver cada um dos personagens e dar um peso maior para a história de Metroid Prime 4, porém, a decisão de manter Samus como um personagem manda por água abaixo todas essas tentativas de dar uma maior importância para a história. O que honestamente não seria um problema caso os diálogos e os personagens fossem realmente interessantes, o que não nos falta são exemplos de jogos em que personagens bem construídos conseguem carregar com maestria um protagonista mudo, o que infelizmente, não é o caso aqui.
Por várias vezes, os personagens farão alguns comentários ou perguntas que NECESSITAM de uma resposta de Samus para funcionar e realmente te vender a ideia de que Samus se importa com esse grupo, nem que seja um pouco, porém, o silêncio completo da heroína passa uma ideia completa oposta. A intenção de dar um peso narrativo maior para a história Metroid Prime 4: Beyond é uma ideia louvável, porém, a execução deixou MUITO a desejar graças a questionável decisão de manter Samus muda.

Felizmente, esses personagens não tem um impacto negativo fora das cutscenes, com pouquíssimas interações e falas pelo rádio, servindo mais para dar um pouco mais de contexto sobre o que estamos buscando ou nos guiar entre os objetivos.
Um mundo aberto? No meu Metroid?

A grande novidade de Metroid Prime 4: Beyond seria a introdução de um mundo aberto a formula de Metroid, o que parece uma boa ideia no papel mas um desastre completo na sua execução. O grande deserto do planeta de Viewros funciona como uma espécie de hub para conectar as 4 fases principais do game, além de abrigar cristais (que falaremos sobre jaja) e diversos desafios nitidamente inspirados nas shrines de Breath of Wild e Tears of the Kingdom.
A presença de um hub quebra uma antiga tradição da franquia, que sempre contou com fases interconectadas entre si para criar um único grande mapa, o que com certeza irá causar estranheza nos jogadores mais veteranos. Para explorar esse imenso mundo aberto contaremos com a motocicleta Vi-O-La, que será a nossa melhor amiga durante todo o período que ficarmos no deserto.

Infelizmente, a Retro Studios parece ter levado a ideia de criar uma hub desértica a sério demais, fazendo do grande mundo aberto do game… Bem, um deserto. Com exceção da caça pelas entradas das “shrines”, que nos recompensam com upgrades, além dos eventuais inimigos que podem ser enfrentados utilizando os armamentos especiais da moto e objetivos para serem completados no mapa, não há muito a se fazer além de coletar uma quantidade obscena de cristais para serem utilizados no final do game correndo de um lado para o outro.
A impressão que tive é a de que a existência desse mapa foi apenas um remendo para o fato de que o jogo passou por diversos problemas de desenvolvimento, e a construção de um enorme mapa conectado natural como de costume na franquia acabou não sendo possível como consequência. Todos os trailers passavam a ideia de que o hub seria uma excelente adição ao game e que agregaria a formula clássica da franquia, mas infelizmente… Não foi dessa vez.
Apesar disso, as fases em si são o completo oposto do grande deserto, com um level design muito bem pensado e que realmente instiga o jogador a explorar cada cantinho, sendo o ponto mais forte de todo o jogo. As mecânicas únicas de Metroid Prime são muito bem utilizadas aqui, desafiando o jogador a quebrar a cabeça a todo momento para avançar e utilizar todos os seus upgrades para conseguir uma vantagem em combate ou resolver um puzzle.


Cada uma das fases principais possuem uma atmosfera única, sendo realmente prazerosas de serem exploradas, porém, a necessidade de atravessar o gigante deserto para retornar a elas após conseguir uma nova habilidade prejudica imensamente o backtracking, desestimulando uma das principais características de toda a franquia e que definiu todo o gênero.
A ausência de uma conexão direta entre as fases também as tornaram um tanto quanto lineares, sem muitos caminhos alternativos, tornando várias sessões em enormes corredores com uma pouca variedade de inimigos, algo que definitivamente você NÃO espera de um título que leva o nome da franquia Metroid, apesar de serem interessantes de se explorar em busca de detalhes e segredos, como já dito anteriormente.
Todos esses problemas acabam se somando ao longo da jornada, culminando no eminente desinteresse do jogador em retornar aos mapas para ter acesso as portas anteriormente bloqueadas, o que inevitavelmente irá diminuir o interesse em explorar o deserto para completar os desafios e desbloquear upgrades, causando um imenso efeito dominó que culminará no jogador se vendo obrigado a passar algumas horas vagando de um lado para o outro no deserto na reta final do game coletando cristais, que serão obrigatórios para desbloquear o final do jogo.

A Retro Studios decidiu também jogar no seguro no que diz respeito as habilidades de Samus e as mecânicas de gameplay de maneira geral, sem trazer nada de muito novo para a mesa. Claro, tudo é muito divertido e Metroid Prime 4: Beyond ainda possui as suas características únicas quando comparados a outros FPS do mercado, porém, se passaram 18 anos desde o lançamento de Metroid Prime 3, e apesar disso, Metroid Prime 4 muitas vezes parece ser um jogo parado no tempo, como se tivesse sido um jogo pensado para o Wii e não para um console da atual geração de consoles.
Performance incrível e trilha sonora imersiva
Se tem algo que Metroid Prime 4: Beyond faz MUITO bem é no que diz respeito a seus aspectos mais técnicos e sua trilha sonora, que não deixam a desejar em nenhum momento (exceto no deserto, falarei sobre jaja).
Metroid Prime 4 oferece a opção de 60 ou 120 FPS estáveis no Switch 2 mesmo no modo portátil, e o mais incrível, sem a necessidade de abrir mão da incrível qualidade gráfica do game para alcançar esse resultado. Em ambos os modos o game é simplesmente maravilhoso graficamente, com um trabalho de iluminação e ambientação, com o game constantemente tentando te contar uma história sobre o passado dos locais onde você esta visitando, sendo o principal responsável pela imersão do game.

A trilha sonora também é um espetáculo, contando com faixas que contribuem com a atmosfera de mistério e descoberta, dando o tom perfeito para reforçar a ideia de que tanto o jogador quanto Samus estão perdidos nesse mundo hostil, e que cada corredor, cada porta, esconde uma nova e perigosa descoberta. Infelizmente, a Retro Studios tomou a estranha decisão de não colocar nenhuma trilha durante nossa exploração no deserto, o que torna tudo o que envolve explorar o hub ainda mais entediante.
Claro, é possível desbloquear uma musica para a área do deserto após concluir o game em 100% (ou caso você possua o Amiibo), mas o desbloqueio de uma função que com certeza tornaria um aspecto extremamente tedioso do game um pouquinho mais tolerável apenas ao finalizar o game, honestamente, não me parece ser uma solução muito bem pensada.
Um retorno decepcionante
Após 18 anos sem um game da série e 7 anos de muita espera após seu anúncio, Metroid Prime 4: Beyond infelizmente está bem longe de ser o game que os fãs da franquia esperavam, deixando a desejar em diversos aspectos. Com uma tentativa de trazer um mundo aberto que simplesmente não funcionou, personagens desnecessários e fases lineares, o game simplesmente não consegue fazer jus ao legado da franquia e toda a expectativa criada ao seu redor, sendo a minha grande decepção do ano de 2025.
Claro, Metroid Prime 4: Beyond ainda é um game divertido com boas mecânicas de gameplay e que mantém a essência da franquia Prime em ser um FPS que prioriza a exploração, mas um jogo “apenas divertido” definitivamente não era algo que eu esperava da tão aguardada sequência de uma das franquias mais aclamadas da Big N.
Essa review de Metroid Prime 4: Beyond foi produzida através de uma chave de review do game para Nintendo Switch 2, gentilmente cedida pela Nintendo
O Review
Metroid Prime 4: Beyond
Metroid Prime 4: Beyond decepciona ao trocar os clássicos mapas interconectados por um mundo aberto tedioso, que somados a uma narrativa rasa e falta de inovação em suas mecânicas de gameplay, tornando o retorno de Samus a franquia Metroid Prime um grande potencial desperdiçado.
PRÓS
- Mecânicas de gameplay e exploração refinadas
- Lindos gráficos e performance estável
- Imersão dos cenários instiga a exploração
- Trilha sonora contribui com a imersão
CONTRAS
- História rasa com personagens desnecessários
- Mundo aberto desinteressante e tedioso desestimula o backtracking
- Fases lineares
- Grind desnecessário para desbloquear o final do jogo






