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Análise | Mothergunship

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MOTHERGUNSHIP

Lançado em 17 de julho de 2018 pela Grip Digital, MOTHERGUNSHIP é um jogo que traz aquele conceito antigo, que acabou ficando pouco usado e esquecido: Bullet-Hell. O caminho traçado pelo game adapta o velho ao novo — e ouso dizer, com classe.

SIMPLES NA MEDIDA CERTA

Em um futuro distópico, MOTHERGUNSHIP nos apresenta um roteiro simples, que segue os canastrões Sci-fi: batalhas constantes contra um inimigo que pode ameaçar muito mais do que seu emprego. A narrativa, embora não traga nada de inovador, nos envolve com o ritmo e humor dos personagens. Piadas constantes, referências ao melhor da cultura pop e personalidades excêntricas trazem a excelência de diálogos bem escritos e ótimas dublagens. Todos os personagens, sem exceção, têm suas peculiaridades levando um pouco até o nonsense. Entretanto, a história trabalha como plano de fundo, é inteiramente contada por conversas de rádio entre os demais personagens e o silêncio do protagonista. Um excelente ponto, já que não é o foco.

MOTHERGUNSHIP

TIROS, EXPLOSÕES E DIVERSÃO

O ritmo do jogo é agitado, explosões constantes e tiros coloridos de diversas velocidades vão tomando a tela. Fazendo jus ao gênero bullet-hell — bem presente nos jogos de fliperama e vídeo-games mais simples do início da década de 2000. Não estaremos jogando com uma pequena nave em meio a lasers, explosões e tiros que te deixam sem saída… talvez isso seja parcialmente verdade, mas a Grip Digital inovou! Você estará em meio a tudo isso, entretanto, em primeira pessoa.

Rapidamente o jogo te deixa enfrentar os desafios com um toque de Doom. Os controles facilitam os comandos, te ajudando a manter a velocidade e os reflexos — para um jogo que desses é extremamente necessário. Quanto mais rápido, mais os desafios tornam-se prazerosos depois de concluídos. Tudo é acompanhado por uma trilha sonora que segue o estilo do jogo, revestindo a constância e a experiência frenética com músicas que te deixam motivados a continuar cada vez mais veloz e preciso. 

Apesar de ser o essencial do gênero trazer uma bagunça e deixar o jogador perdido até conseguir se adaptar, o efeito é tão bem aplicado que é fácil se pegar o jeito na primeira meia-hora de jogatina.

Na lateral esquerda você é apresentado por duas barras que serão importantes durante sua jornada de destruição e conquista: a de vida e energia. Sua vida pode ser recarregada com itens espalhados pelo mapa, também localizados especificamente em locais nos quais as batalhas serão mais intensas — não se preocupe em prestar atenção nisso, o perigo chegará antes mesmo de você ter pista dele. A barra de energia define o quanto você pode disparar com suas armas, por isso cuidado ao construir uma metralhadora que solta raios laser, fogo e bombas — sim, você pode! —, tendo em vista que gastam bem mais energia, pelo menos no início.

TODO DESAFIO É PÁREO PARA SEU ARSENAL

Toda progressão no jogo te leva cada vez mais próximo a loucura do ambiente. Conforme você elimina os chefões e destrói as naves, tenha certeza que no cenário seguinte sua tela estará duplamente mais cheia dos diversos tipos de projéteis que o futuro do jogo traz. Acha que o jogo te trará ondas de inimigos praticamente invencíveis e uma confusão imbatível? Sim! Mas aí o jogo destaca sua principal ferramenta contra o maquinário pesado de inimigos: o seu próprio arsenal.

Em sua disposição você têm a capacidade de criar suas próprias armas e ir direto para a batalha. Isso mesmo, criar. Nada de add-ons para pequena mudanças. Aqui você cria elas parte por parte em um sistema intuitivo e simples.

Para quem gosta de um desafio, o jogo não te decepciona em momento algum. A possibilidade de adquirir power-ups, novas partes para suas armas e verificar seu status naquela missão em específico durante os intervalos das missões é extremamente recompensadora.

AMBIENTAÇÃO

Os cenários relembram um pouco usinas de metalurgia e naves espaciais clássicas dos games. Entretanto, apesar dos ambientes bonitos que envolvem luzes, grandes espaços abertos lavas brilhantes e outras partículas, tudo acaba se repetindo sutilmente. Muitas das vezes, você estará em um lugar que é semelhante ao anterior, trazendo poucas mudanças. Inclusive, os inimigos se repetem diversas vezes e, quando mudam, não tem qualquer peculiaridade ou elemento que os tornem bonitos visualmente.

CONCLUSÕES

MOTHERGUNSHIP com certeza se diferencia dos jogos da atualidade. Ele pega um conceito simples muito empregado na década anterior e o transforma de uma maneira excepcional. A necessidade de movimento, atenção e reflexos assíduos é constante e, o jogo não falha responder de uma maneira que seja humanamente possível. Por contar severamente com o sistema de waves, game pode se tornar repetitivo rapidamente, mas sua campanha curta previne que o mesmo aconteça até que o jogo seja devidamente finalizado. Apesar do estilo trazer como desafio a quantidade de coisas acontecendo na tela, é relativamente fácil se adaptar, já que o jeito frenético apresentado é muito bem aplicado.

O teor arcade do jogo trabalha muito bem com o estilo cômico da história. Sem pretensões mais profundas que ser um plano de fundo para um jogo que visa a diversão e a criatividade do jogador.

A arte é agradável em diversos pontos, apesar de repetida em diversos momentos. Os inimigos não são tão diversos e em alguns momentos podem ter a IA um pouco falha.

MOTHERGUNSHIP é um título necessário para todos aqueles que são entusiastas do gênero bullet-hell, com uma campanha curta e horas de diversão garantidas. Mas não se engane, novos jogadores também podem se divertir com o título.

MOTHERGUNSHIP está disponível por R$ 48,99 na Steam, R$ 89,50 na Playstation Store e R$ 49,00 na Microsoft Store.

A cópia de MOTHERGUNSHIP foi gentilmente cedida pela Grip Digital.

Publicado em 29 de julho de 2018 às 21:12h.
2018-07-29 21:12:22

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