Confesso que comecei Planet of Lana II com expectativas altas, principalmente por causa da experiência que tive com o primeiro jogo. Lá atrás, a conexão entre Lana e Mui me marcou bastante, e revisitar esse universo foi como reencontrar algo especial. Logo nos primeiros momentos, já ficou claro que essa sequência não só respeita o original, como também busca aprofundar tudo aquilo que já funcionava tão bem.
A história de Planet of Lana II: Children of the Leaf continua exatamente de onde parou, mas agora com um olhar mais amplo sobre esse mundo. Aos poucos, fui entendendo melhor a origem das máquinas, o passado do Mui e o que aconteceu com a tribo depois dos eventos anteriores. Esse cuidado em expandir a narrativa fez toda a diferença para mim, porque não parece apenas uma continuação, e sim uma evolução natural da jornada.

Uma evolução que dá gosto de acompanhar
Uma das coisas que mais gostei em Planet of Lana II foi ver como Lana mudou ao longo do tempo. Ela está mais experiente, mais confiante e claramente marcada pelos acontecimentos anteriores. Isso não aparece apenas na narrativa, mas também na forma como jogamos, com novos movimentos, maior mobilidade e interações mais complexas com o ambiente.
O Mui também ganhou ainda mais importância na sequência. Em vários momentos, eu me vi dependendo totalmente das novas habilidades dele para resolver situações específicas. A capacidade de se conectar com outras criaturas trouxe uma camada interessante para os puzzles, criando soluções que fogem do óbvio e deixam tudo mais criativo.

Essas novas criaturas, inclusive, são um destaque à parte. Cada uma tem uma função única, como ajudar a abrir caminhos com o fogo, transportar água ou alterar o ambiente com o poder. Isso faz com que o jogo esteja sempre se reinventando, evitando aquela sensação de repetição comum em jogos do gênero.
E falando em exploração, os cenários continuam sendo um espetáculo. Teve momentos em que eu simplesmente parei o que estava fazendo para observar o ambiente ao redor. Seja em florestas densas, regiões habitadas por outras tribos, áreas mais abertas ou até ambientes submersos, tudo é construído com um cuidado impressionante. Cada cenário parece contar uma história própria, mesmo sem dizer uma palavra.
Puzzles inteligentes e jogabilidade mais refinada
Os puzzles seguem como o coração da experiência, e aqui eles estão ainda mais bem trabalhados. Em nenhum momento eu senti que o jogo era injusto ou apelava para soluções confusas. Pelo contrário, existe um equilíbrio muito bom entre desafio e clareza, o que faz com que cada obstáculo superado seja realmente gratificante.
A sensação de tentativa e erro continua presente, mas de uma forma positiva. Eu errava, tentava novamente e, aos poucos, entendia a lógica por trás daquele desafio. Quando finalmente conseguia resolver, vinha aquela satisfação genuína que poucos jogos conseguem entregar hoje em dia.
Outro ponto que me chamou bastante atenção foi a melhoria nos controles. Tanto a Lana quanto o Mui respondem de forma mais rápida e precisa, o que faz diferença principalmente nas partes que exigem agilidade. Em momentos de tensão, como ao fugir ou se esconder de criaturas maiores, essa fluidez faz toda a diferença.

Uma narrativa sensível que se sente na prática
Assim como no primeiro jogo, Planet of Lana II não aposta em diálogos tradicionais, e isso continua sendo uma das escolhas mais marcantes. O jogo cria seu próprio idioma e deixa que o jogador interprete emoções, intenções e acontecimentos. Isso torna tudo mais pessoal e, de certa forma, mais imersivo.
Em vários momentos, eu senti que estava entendendo a história não por palavras, mas por expressões, ações e pelo contexto ao redor. É um tipo de narrativa que exige mais atenção, mas que também recompensa com uma conexão emocional muito mais forte.
A trilha sonora, novamente assinada por Takeshi Furukawa, é simplesmente incrível. Cada música parece pensada para acompanhar exatamente o que está acontecendo na tela. Em cenas mais calmas, ela reforça a sensação de contemplação. Já nos momentos mais intensos, aumenta a tensão de forma natural.

Outro ponto interessante é como Planet of Lana II amplia seus conflitos. Não se trata apenas de fugir das máquinas, mas também de lidar com decisões humanas, interesses de outras tribos e disputas por poder. Isso adiciona uma camada mais profunda à história e faz com que o mundo pareça mais vivo e complexo.
Vale a pena jogar Planet of Lana II: Children of the Leaf?
Planet of Lana II é exatamente o tipo de sequência que eu esperava, mas que ainda assim conseguiu me surpreender. Ele respeita tudo que fez o primeiro jogo especial, ao mesmo tempo em que expande a história, melhora a jogabilidade e entrega momentos ainda mais marcantes. É uma experiência que vai além do simples ato de jogar, é algo que se sente do início ao fim.
Mesmo sendo relativamente curto, Planet of Lana II: Children of the Leaf compensa com uma jornada intensa, cheia de significado e com aquele tipo de narrativa que permanece na mente depois dos créditos. A combinação entre trilha sonora, direção artística e mecânicas bem construídas cria uma experiência muito coesa e difícil de largar.
Para quem busca uma aventura envolvente, com puzzles inteligentes e uma história contada de forma sensível, Planet of Lana II é uma recomendação fácil. E, no meu caso, fica também a expectativa de que essa não seja a última vez que veremos Lana e Mui juntos nessa jornada.
O Review
Planet of lana II: Children of the Leaf
PRÓS
- Cenários incríveis, de encher os olhos
- Trilha sonora que realmente toca na alma
- Mecânicas de gameplay e habilidades realmente divertidas
CONTRAS
- Ausência de conteúdos extras para prolongar a jornada
- Duração relativamente curta






