2026 é o ano da Capcom. Após a sua “ressurreição” lá em 2017, a empresa não descansou em seus lançamentos, trazendo games como os Remakes de Resident Evil, bem como outras empreitadas como Dragon’s Dogma 2, Monster Hunter Wilds e até IPs novas como Kunitsu-Gami, e em 2026, já tendo lançado RE Requiem e Monster Hunter Stories 3, a empresa não mostra sinais de cansaço, e já emendou Pragmata, seu mais novo universo com uma aventura espacial pra lá de diferente.
Lançando no dia 17 de Abril pra PC, Xbox Series, PS5 e Switch 2, Pragmata já chama a atenção pela sua estética futurista e principalmente pelo laço paternal de Hugh, o protagonista, e Diana, a sua companheira androide, e aqui nessa análise você vai descobrir tudo sobre o game e se vale a pena a jogatina, tudo isso graças à chave gentilmente concedida a nós pela Capcom.

Com um começo tímido, Pragmata mostra muito da sua vibe futurista logo de cara, e após um começo um tanto lento, somos introduzidos à um mundo no qual a Corporaçao Delphi revolucionou a fabricação de componentes com o Lim Replicator, uma impressora 3D capaz de imprimir qualquer coisa graças ao lunafilamento, extraído de um material chamado lunum que foi descoberto escondido na Lua.
Bem-vindos ao Berço
Como esperado, não tarda muito até o caos se instaurar. Um lunamoto(sim, tipo um terremoto, mas na Lua) atinge a base lunar Berço e todos os integrantes da equipe de Hugh desaparecem, deixando-o sozinho até que encontre o robô D-I-0336-7, um tipo revolucionário de androide chamado Pragmata, e batizando-a como Diana, cabe aos dois conseguirem fugir da base que agora está infestada de bots hostis controlados pela IA IDUS, que decidiu se revoltar com seus criadores.

A gameplay de Pragmata é relativamente simples, mas esconde ali uma ideia genial. Com Diana apoiada nas costas, Hugh deve enfrentar as hordas de robôs agressivos, e apesar de grande parte da ação se desenrolar no estilo “shooter de terceira pessoa”, a adição do hacking muda tudo. Ao mesmo tempo em que Hugh corre, pula, esquiva e atira nos robôs, Diana é igualmente controlada pelo jogador e é usada para hackear os inimigos, dando dano e “abrindo” sua armadura para que possam ser atingidos por Hugh.
Esse sistema de hacking pode não parecer novidade, mas diferente de N outros jogos, em Pragmata tudo acontece em tempo real. Enquanto você atira com os gatilhos do controle e se movimenta nos analógicos, os “botões de face”(ABXY) do controle são usados para navegar o grid, e saber usar ambos os sistemas ao mesmo tempo é essencial para progredir, entregando uma gameplay responsiva, desafiadora e muito inovadora.

O excelente mora no simples
Mesmo com esse detalhe simples e revolucionário, Pragmata não descansa nos trilhos, e a progressão é gigantesca em diversos sentidos. Com mutios recursos diferentes espalhados pelos mapas, cada ida ao Abrigo, seu ponto de descanso e viagem entre as fases, estará certamente repleta de melhorias. Muito além do lunafilamento e dos recursos de melhoria, que são usados para melhorar coisas como saúde, dano e comprar armas novas, ainda temos as Moedas de Cabin, que são usadas para desbloquear novos itens, os mods de hacking, que alteram os tipos de dano que a Diana dá, além de upgrades simples como aumento da cura, diminuição da stamina ao esquivar, entre muitas outras coisas.
Além disso, Pragmata é separado entre mais ou menos 5 Setores, cada um deles sendo uma fase própria, com temática diferente, e todos cheios de coletáveis e upgrades para se achar, deixando o jogo mais divertido, profundo e com aquela vontade de fazer 100% que não vai sair até o marcadorzinho apontar que você pegou tudo que podia em cada um dos cenários.

Não se restringindo aos setores e seus desafios opcionais, como as difíceis Zonas Vermelhas, Pragmata ainda conta com um módulo de Treinamento, no qual podemos encarar até 30 desafios de diferentes tipos, seja combate, hacking, plataforma, rapidez, entre muitos outros, todos com objetivos principais e secundários, que além dos recursos, também servem pra divagar um pouco da história principal e apenas curtir algumas das mecânicas do game.
Alguns deslizes ocorrem na estação lunar…
Apesar disso tudo, Pragmata não é perfeito, e o loop de gameplay fica um pouco cansado após algum tempo, ainda mais depois que você domina o game e realmente deixa de ser muito difícil, além da abordagem contra os inimigos não variar muito, e até os chefes são derrotados com as estratégias que você já está acostumado, mas isso definitivamente não tira o brilho nem o alto polimento do título.

E, novamente fora do padrão, Pragmata ainda conta com um post game bastante interessante, que é desbloqueado após o fim do jogo e consiste de novos desafios opcionais e bastante difíceis que não só testam e dão mais para o jogador que ainda não está satisfeito com o game como ainda adiciona mais conteúdo de enredo, embora bastante sutil.
Por falar no enredo, Pragmata também é bem eficiente, embora longe de ser muito complexo ou profundo. A relação de Hugh e Diana é o ponto alto, e é realmente bem bacana ver uma dinâmica paternal bastante animada e positiva, especialmente se considerarmos que os exemplos recentes nos games costumam ser mais trágicos ou realistas, o que não é um problema, claro, mas em Pragmata é bom ver essa mudança de paradigma, e a relação de ambos é muito boa.


A gameplay é o ponto alto de Pragmata
Embora seja eficiente, eu realmente gostaria que Hugh fosse um pouco mais expressivo e tivesse mais atitudes dentro do desenrolar da história, já que quase tudo orbita à Diana e ele é quase um espectador em alguns momentos, ainda mais considerando que o passado de Hugh não foi triste nem trágico(outra vez diferente do costume), parece que isso precisava ser um pouco mais reforçado pelo roteiro, e a peteca cai em alguns momentos, mas ainda não é algo que elimine a vibe boa de Pragmata.
Mas, fora dessa dupla dinâmica, pouco mais temos de presença de outros personagens. Eles até existem, mas tem pouca relevância, atividade e influência na história, sendo mais agentes criando arquétipos e conflitos para a história andar do que qualquer outra coisa, e essa, em especial, é um tanto previsível, e também não é tão profunda quanto poderia ser com os temas que trata, tentando captar o jogador pelo carisma de Diana e pela simplicidade do que algo maior e que você vá pensar por diversos dias.

Visualmente falando, Pragmata não decepciona em nada, com os gráficos estupendos da RE Engine sempre muito eficientes, e a atmosfera da estação lunar e do aspecto futurista do game não devem em nada, deixando o clima e o teor do jogo em alta evidência, embora, naturalmente, o design dos robôs venha a ser um pouco “repetido” por motivos óbvios.
Atuação de voz impecável
Apesar do design dos personagens não ser tão distoante do estilo do game, os cenários são outra coisa completamente. Entre uma Nova York completamente distorcida e reinterpretada, cenários de natureza artificial e até cavernas lunares são um dos grandes pontos altos do game, e era sempre um deleite ir em cada uma das seções novas do jogo para ver as novas áreas que são sempre muito belas e inspiradas.

Em questão de sonoridade, Pragmata não é um dos maiores títulos do ano que capricha nesse sentido. Claro, não dá pra negar a qualidade da atuação de voz de Hugh e de Diana, tanto em inglês quanto na dublagem em português brasileiro estão verdadeiramente impecáveis, e ajudam ainda mais a sentirmos a conexão que o enredo quer transmitir, mas a trilha sonora, no tocante às músicas, acaba sendo um pouco escanteado em meio a tantos outros pontos altos do game.
Os efeitos sonoros também funcionam, mas deixam de ser tão chamativos quanto a atuação de voz, o que é entendível pelo fato do jogo ter esse escopo mais limitado ao futurismo e robôs, mas acho que dava pra tentar um pouco mais, pois embora sejam sim bem efetivos, não consegue ir muito além disso, pelo menos ao que pude perceber.

É bom ver a Capcom fora da zona de conforto
Como esperado pela Capcom, Pragmata conta com diversas opções de acessibilidade diferente, desde a localização completa em português brasileiro e muitas outras opções mais complexas, sem contar que também é plenamente jogável no mouse e teclado, para quem está no PC, embora eu admita que não consegui aproveitar muito o jogo nesse estilo e ele realmente parece 100% feito pensando no controle.
Em conclusão, Pragmata é um jogo de alta qualidade, conseguindo seguir sua proposta de forma excelente, e embora tenha alguns escorregos aqui e ali, o polimento da gameplay é incrivelmente bem feito e as opções de conteúdo secundário e de progressão, bem como a curva de dificuldade, são muito gostosos e causam uma experiência imensamente fluida do começo ao fim.

Por fim, Pragmata pode não ser exatamente perfeito, revolucionário, concorrente ao GOTY ou o que for, mas honestamente, nem todo jogo precisa ser assim, e eu fico imensamente feliz que a Capcom, mesmo sendo uma empresa de alto nível e com inúmeras franquias altamente consolidadas e que movimentam dinheiro aos milhões todos os anos, ainda não esqueceram de testar novos ares e criar novas empreitadas, e Pragmata é mais uma prova de que sair da zona de conforto dá certo.
O Review
Pragmata
Pragmata é uma surpresa agradável, e com um detalhe simples conseguiu entregar um loop de gameplay muito satisfatório e com alto nível de polimento, sem contar nos cenários criativos, carisma dos protagonistas e diversidade de progressão e conteúdo secundário.
PRÓS
- Combate + hacking é uma combinação muito divertida e bem polida
- Diversos estilos diferentes de progressão que não deixam o jogo cair na mesmice
- Conteúdo opcional riquíssimo, seja em coletáveis ou desafios de habilidade
- Cenários muito inspirados e cheios de alma
- Atuação de voz impecável de Hugh e Diana
- Personalidade e dinâmica de pai e filha é um dos pontos altos
- Post-game repleto de desafios e novos conteúdos
- Localização em português brasileiro
CONTRAS
- Curva de dificuldade não se mantem nas últimas partes do game
- História no geral pouco inspirada, especialmente em relação a outros personagens
- Trilha sonora pouco chamativa






