Pelos últimos anos muito se conversou sobre a preservação dos games graças ao crescimento dos remakes, principalmente dos remakes que alteram elementos do jogo. De bons exemplos, como Diablo II: Resurrected que adiciona elementos novos em um gráfico aprimorado para um jogo lendário com a opção de poder jogar a versão mais antiga com o apertar de um botão, a exemplos extremamente nocivos e predatórios, que removiam as versões originais dos jogos da loja para vender a versão mais recente, como foi o caso de Grand Theft Auto: The Trilogy – The Definitive Edition.
Também pouco se fala sobre a ótima rota que a Ubisoft tem seguido: atualizando jogos “antigos” como os Assassin’s Creed pré-RPG e toda a franquia Far Cry com mais FPS e correções pontuais para tornar essas experiências ainda melhores, enquanto relança ports comemorativos de franquias menos populares do catálogo dela, como foi o caso do ótimo Beyond Good and Evil. Agora chegou a vez de Rayman, uma das franquias mais importantes da Ubisoft, de receber um relançamento comemorativo, dessa vez para celebrar os 30 anos de aniversário do primeiro jogo.
Mas teria a Ubisoft conseguido acertar com esse relançamento?
30 anos de Rayman!

Rayman é uma franquia de bastante renome e foi um dos pilares da Ubisoft durante o seu início de vida. Porém, nos últimos anos, tem sido deixada de lado pela Ubisoft, cujo foco ultimamente tem sido apenas Assassin’s Creed e Far Cry. Me surpreendeu positivamente quando essa coletânea para celebrar os 30 anos do primeiro Rayman foi anunciada na State of Play de fevereiro, mais surpreso ainda ao descobrir o conteúdo que teria dentro da coletânea: 5 versões do jogo (PS1, Atari Jaguar, GBC, GBA e MS-Dos), 1 protótipo inédito do SNES, um museu interativo para cada jogo do pacote (onde conseguimos ver a evolução do desenvolvimento do personagem), mais de 120 níveis extras e um documentário com mais de 50 minutos de entrevistas com os desenvolvedores originais do jogo.
De cara o que impressiona é o layout dos menus: todas as versões do jogo estão organizadas por ordem de lançamento, em um menu estiloso e agradável. O design, cheio de bordas arredondadas e sombras exageradas, passa a “vibe” de jogos de infância. É tudo bem agradável e organizado, como um bom trabalho de arquivo deveria ser.
Ainda sobre os menus, temos a possibilidade de adicionar aprimoramentos aos jogos selecionados para facilitar a experiência. Sem precisar desbloquear nada ou usar códigos, o jogo logo te oferece essa possibilidade de tornar esses jogos mais acessíveis, com aprimoramentos como vida infinita, pulos melhores e invencibilidade nos “combates”. É uma ideia boa e um grande incentivo para quem quer conhecer essas versões de Rayman sem ter que passar pelo perrengue de jogar versões mais cruas do jogo.
Outro ponto que podemos acessar logo de cara é o documentário sobre o desenvolvimento do jogo, e é algo muito bacana de se assistir. Ao contrário do que foi feito na Mortal Kombat: Legacy Kollection, por exemplo, que adicionou um documentário interativo e em ordem cronológica dos fatos, o documentário de Rayman é mais tradicional, com entrevistas com desenvolvedores e produtores do jogo com cerca de 50 minutos de duração.
Rayman em 2026

Para ser honesto, Rayman 30th Anniversary Edition foi o meu primeiro contato com o Rayman original. Apesar de ser um fã assíduo da Ubisoft, antes dessa edição de aniversário, só havia jogado Rayman Origins e Rayman Legends, ambos jogos que tenho um carinho enorme e que fazem parte dos motivos que me fizeram criar um carinho gigante pela Ubi. Diria inclusive que a fase de ouro da empresa aconteceu justamente quando Rayman ainda estava no radar de lançamentos da empresa, como no caso de Rayman Legends.
Dito isso, jogar o Rayman original em 2026 foi uma experiência que exigiu um pouco da minha paciência, visto que Rayman tem sequências de plataforma onde qualquer deslize pode tirar uma vida sua e que, para piorar, os comandos são por muitas vezes imprecisos e com delays que podem acabar te fazendo cair em uma plataforma não desejada. No topo disso tudo, há uma câmera que limita a visão do jogador em fases cheias de armadilhas, tornando o processo de progredir por alguns níveis uma experiência infernal.
Para contornar a possível frustração dos jogadores, há a adição de um sistema de “rewind” para que o jogador possa voltar no tempo e consertar uma possível cagada. Outro recurso para facilitar a vida de novos jogadores é a inclusão de “save states” por toda a coletânea, permitindo que o jogador salve o progresso a qualquer minuto.

Ao mesmo tempo que a jogabilidade mostra a sua idade, há um charme nas mecânicas do jogo que, junto com o personagem com um visual agora icônico, te fazem entender por que essa franquia criou uma fanbase tão grande. É muito legal ver o Rayman usando o próprio cabelo como hélice para planar entre plataformas, assim como ver ele se aproveitando do fato de que os punhos são descolados do corpo para jogá-los em direção aos inimigos.
Esse charme se estende para os níveis do jogo, que possuem uma direção de arte carregada por cores vibrantes e composições de elementos visuais feitos à mão. Minha única ressalva quanto ao visual é de que, por muitas vezes, o jogo demora demais para variar os cenários, o que acaba tornando alguns levels pouco memoráveis, perdendo o fator surpresa.
Uma das principais alterações desse novo lançamento é a alteração da trilha sonora original, contando com uma nova seleção de musicais feitas para emular e homenagear o material original. Como foi a minha primeira experiência, revisitei as trilhas sonoras originais para efeito de comparação e para entender de onde vinha a insatisfação dos fãs. Mesmo mantendo maioria dos temas principais e tendo boas músicas, a nova seleção de trilhas sonoras é notavelmente inferior, o que acaba sendo decepcionante.
5 em 1 ou 1 que são 5?

Vale reforçar que o pacote é focado apenas no primeiro Rayman, e com isso em mente é intrigante observar como cada console tinha sua própria característica e como os desenvolvedores precisavam adaptar suas obras para caber no padrão imposto por uma plataforma nova, tanto tecnicamente quanto por conteúdo.
O que era um jogo virou 5 variações da mesma história, tudo graças ao avanço da tecnologia e dos videogames como um todo. Navegar pelas várias versões do mesmo Rayman, de uma mais crua para a versão melhorada porém portada para um console de menos poder, como é o caso da versão do GameBoy Advanced, é um trabalho de dissecação impressionante de um clássico, onde o jogador consegue ver em cada detalhe o que o diferencia de outros jogos da época.
Curiosamente, as versões de gameboy foram as que mais me entreteram com seu visual pixelado, com cores menos vivas e com as adaptações de níveis para o formato do GameBoy. Ver o Rayman sendo goofy em um cenário todo pixelado e com seu tamanho reduzido é bom demais.

Um outro ponto forte dessa coletânea é a inclusão de mais de 120 níveis excluídos e da primeira demo jogável de Rayman. Nesses níveis excluídos é possível ver elementos que não foram adicionados ao jogo e que acabaram serviram de rascunho para a versão do lançamento oficial. Também há níveis que são tão ruins que você entende porque os desenvolvedores não deram sequências a eles, o que também tem o seu valor histórico.
Não me leve a mal, é um pacote com bastante coisa sobre o primeiro jogo da franquia, porém é um pouco decepcionante que seja restrito apenas ao primeiro Rayman. Na situação que a franquia se encontra, seria interessante ter pelo menos os três primeiros jogos nesse mesmo molde (com seus ports, níveis que foram originalmente deletados e mais conteúdo para o documentário), assim como foi feito na coletânea de Mortal Kombat.

Vale a pena jogar Rayman: 30th Anniversary?
Honestamente, depende muito do quão interessado em Rayman você é ou o quanto o material de arquivo extra, como o mini documentário, te chama a atenção. Rayman: 30th Anniversary é um bom resgate de um jogo clássico que, para o bem e para o mal, pouco mexe no material original, mantendo a experiência de jogar Rayman acessível para novos jogadores, sendo um excelente material de preservação de um dos jogos mais importantes de todos os tempos.
Todo conteúdo extra, como a inclusão de levels excluídos, a demo original do jogo e o documentário sobre o desenvolvimento são boas adições, fazendo da coletânea uma peça importante da história dos videogames e uma coletânea quase obrigatória para colecionadores e jogadores que possuem um carinho especial pelo mascote da Ubisoft.
Essa review de Rayman 30th Anniversary Edition foi produzida através de uma chave de review do game para PS5, gentilmente cedida pela Ubisoft
O Review
Rayman 30th Anniversary edition
Rayman: 30th Anniversary é um bom resgate de um jogo clássico que, para o bem e para o mal, pouco mexe no material original, mantendo a experiência de jogar Rayman acessível para novos jogadores.
PRÓS
- Preservação de um jogo clássico
- Níveis excluídos e primeira demo jogavel do jogo dão uma boa ideia da evolução do jogo
- Documentário muito bacana sobre o desenvolvimento da franquia
CONTRAS
- Por vezes, a jogabilidade do Rayman original pode irritar
- Nova seleção de música inferior a original






