Prince of Persia é uma das franquias mais clássicas da história dos games, tendo sido um marco no PC, ainda na década de 80, e após uma revitalização feita pela Ubisoft, com a saga das Areias do Tempo, a franquia estava na geladeira.

No entanto isso mudou recentemente, com projetos como Prince of Persia: The Lost Crown, e o roguelike The Rogue Prince of Persia, que após sair em acesso antecipado meses atrás, recebeu o lançamento oficial no dia 20 de Agosto, para PC, Switch, Xbox Series e PS5, e com a gentileza da Ubisoft Brasil em nos oferecer uma chave de acesso, fizemos uma análise completa do game em sua versão 1.0!
The Rogue Prince of Persia começa em meio ao caos
Desenvolvido pela Evil Empire, estúdio responsável pelas expansões de Dead Cells, e que nasceu a partir da Motion Twin, a desenvolvedora original do game, The Rogue Prince of Persia bebe muito da obra original do estúdio, mas com uma roupagem, estética e jogabilidade modificados junto à parceria com a Ubisoft.

Nessa aventura, estamos na pele do Príncipe, um membro da família real persa, mas o game começa sem muitos rodeios, três dias após sua “morte”, que ocorreu com a invasão dos hunos em seu país, destruindo tudo pela frente e sequestrando os membros da sua família. Mas claro, a morte é parte essencial de roguelikes, e graças a um artefato do protagonista, ele consegue driblar sua derrota e voltar no tempo, juntando o gênero junto com a narrativa do título.
No quesito de jogabilidade, que ocorre conforme cada “tentativa”, The Rogue Prince of Persia é bastante similar à Dead Cells, e se você já curtiu muito do título anterior, este dispensa apresentações, sendo de certa forma até mais simplificado, já que temos apenas uma arma de corpo-a-corpo e uma arma secundária, que costumeiramente atira projéteis.

Fator replay elevado às alturas
Para montar as builds, é importante prestar atenção no DPS das armas e nos efeitos especiais que elas tem, sendo relativamente tranquilo de escolher uma arma em detrimento da outra, além de amuletos que também dão diversos efeitos diferenciados, podendo ser combinados para potencializar seus efeitos, caso você encontre amuletos compatíveis conforme avança.
Claro, tudo isso é randomizado, e as armas e amuletos que aparecem em cada tentativa são aleatórios, e parte da diversão em The Rogue Prince of Persia é em saber se virar e escolher os itens da forma certa, fazendo bom uso da aleatoriedade que o game oferece, mas é um pouco chato como a variação de itens é baixíssima ao início do game, e o arsenal deve ser expandido achando e comprando novas armas que irão aparecer permanentemente em tentativas futuras.

Além da moeda principal, as cinzas de almas, que é usada para desbloquear mais armas e amuletos, ainda há um sistema de níveis, no qual, a partir de certo progresso(que não é resetado com as mortes), um novo ponto de habilidade é obtido, e pode ser trocado por mais curas, aumento de dano, e até mesmo vidas extra, usadas assim que morrer, sem precisar recomeçar a aventura.
Mecânicas únicas e diferenciadas também estão presentes
Uma outra mecânica presente em The Rogue Prince of Persia é o sistema de parkour, que foi inteiramente pego de Sands of Time, mas aqui ele ocorre em 2D, e podemos correr pelas paredes, se pendurar em cordas e poleiros e saltar por aí, dando mais dinâmica para a travessia e tirando um pouco o foco do combate, chegando até mesmo a dar um bônus de velocidade conforme as acrobacias feitas, que também pode ser incrementado a partir de amuletos e habilidades.

Essa diversidade de mecânicas, que se expande conforme avançamos no game, apenas engrandece ele, mesmo que alguns possam se sentir limitados de início, mas acredite, para um bom fã de roguelike, vale a pena, embora eu tenha sentido a falta de mais elementos de plataforma, especialmente do primeiro game da saga, como espinhos no chão, pisos falsos e saltos de precisão.
A progressão de The Rogue Prince of Persia também é diferenciada, e embora o início faça parecer que apenas precisamos seguir uma fase após a outra, os desdobramentos do enredo passam a ser mais complexos, e novas fases alternativas podem ser desbloqueadas e acessadas em momentos específicos, além de side quests que desenvolvem mais o enredo e a relação do Príncipe com NPCs e até mesmo inimigos.


Narrativa e visuais dão um toque extra de charme no game
A dificuldade, elemento fortíssimo de roguelikes – afinal, morrer é parte essencial do gênero -, está relativamente balanceada aqui, e parece mirar um público mais casual do que Dead Cells. Claro, há momentos de aperto, especialmente no endgame, mas é um jogo menos desafiador que muitos do gênero, e é muito fácil de progredir para jogadores mais experientes, mas ainda é um título bastante convidativo para todos os públicos.
Isso tudo é carregado pela narrativa, que é relativamente simples, e não tem nada que chame a atenção mais do que o necessário – e tudo bem também. Claro, há algumas tarefas secundárias que expandem a lore de The Rogue Prince of Persia e desenvolvem mais o Princípe e sua família, mas novamente, é um bom incentivo a continuar, não indo muito além disso.

Outro aspecto bastante chamativo é o estilo visual do título, que é realmente belíssimo. Com um estilo de arte muito único e inspirado na arquitetura e estética próprias do oriente médio, esse jogo realmente leva o “Prince of Persia” a sério, e os designs dos cenários de fundo e dos personagens são muito lindos, mas algumas fases não tem uma estrutura tão bonita, especialmente as que se passam no subsolo. Além disso, a mudança da cor de pele do personagem não me agradou, afinal os tons roxos, que lembram um estilo de HQ, eram bastante chamativos e únicos para o game.
A trilha sonora de The Rogue Prince of Persia também é chamativa, ao menos de início, e os toques das primeiras fases são muito viciantes e grudam no jogador, embora esse fôlego se perca um pouco conforme as fases avançam, e outras fases não tem o mesmo grau de carisma para mim, mas claro, ainda está longe de ser algo ruim.

The Rogue Prince of Persia é uma ótima pedida para novos e antigos fãs da série
Com recursos de acessibilidade vastos e localização completa para português brasileiro, um forte da Ubisoft, o game se certifica de que nenhuma barreira motora ou de linguagem atrapalhe qualquer um de se divertir com The Rogue Prince of Persia, e esse certamente é mais um dos pontos positivos do título.
Por fim, o saldo é positivo, e o título se prova um grande resultado de uma parceria entre a Ubisoft e a Evil Empire, e apesar dessa grande febre dos roguelikes recentes, The Rogue Prince of Persia se destaca pela acessibilidade e por não ser uma barreira para novos jogadores, além de, claro, o charme estético aliado à uma série histórica.

Com um revival muito digno, se destacando em áreas menos convencionais da indústria e até mesmo da Ubisoft, o game é uma grande homenagem à história da franquia, mas não toma isso por garantido e consegue explorar novas áreas e entregar uma experiência sólida para experientes e novatos no gênero, com um combate divertido, visuais belos e garantia de diversão a cada run.
O Review
The Rogue Prince of Persia
Homenageando a franquia e trazendo uma estética fiel ao nome do game, The Rogue Prince of Persia pode não se destacar tanto assim em comparação com o antecessor da Evil Empire, mas ainda é um título altamente divertido e com um toque persa que deixa o jogo ainda mais único, em sua própria forma
PRÓS
- Combate divertido, embora simplificado
- Sistema de acrobacias dinamiza o game e torna o parkour mais engajante
- Trilha sonora bacana, especialmente nas primeiras fases
- A estética persa agrega muito ao título, com referências visuais e de design que agradam aos olhos
- Progressão facilitada e simples, o que não é um impeditivo para novatos
- Fases e tarefas opcionais quebram o gelo e adicionam mais na narrativa
- Diversas opções de acessibilidade
- Localização em português brasileiro
CONTRAS
- Algumas músicas, especialmente perto do fim, não são tão chamativas
- Narrativa "existe", mas não é um dos pontos mais altos do título
- Por ser mais fácil e acessível, jogadores mais hardcore podem não se interessar tanto
- Leque de variação de itens é baixíssimo no início






