Romancing SaGa 2 faz parte dos jogos da era de ouro da Square nos consoles de 16-bits, sendo lançado original para o Super Nintendo em dezembro de 1993 no Japão. De lá pra cá, a franquia SaGa prosperou e recebeu diversos jogos para as mais diversas plataformas, mas os clássicos sempre estiveram na cabeça e no coração dos fãs.
Com isso em mente, a Square Enix lançou de surpresa no final do ano passado Romancing SaGa 2: Revenge of the Seven, um remake do clássico do Super Nintendo para os consoles da atual geração e Nintendo Switch. Com o lançamento do Nintendo Switch 2, o novo console da Nintendo recebeu uma versão aprimorada do game, e foi através dessa versão que finalmente tive a oportunidade de experienciar o remake, e conto em detalhes o porque você, fã de RPGs japoneses, deveria jogar Romancing SaGa 2: Revenge of the Seven agora!
Romacing SaGa 2: Revenge of the Seven herda o trono do jogo original com louvores

Romancing SaGa 2: Revenge of the Seven leva o jogador para Varennes, um império marcado por divisões políticas e conflitos com forças demoníacas, que a gerações ameaçam a paz dessas terras. Durante uma dessas invasões demoníacas, sete guerreiros formidáveis se uniram e derrotaram as hordas de demônios, dando origem a ”Lenda dos Sete Heróis”, sendo contada de pai para filho durante os séculos.
Segundo a lenda, os Sete Heróis retornariam a Varennes para proteger o império quando os demônios eventualmente retornassem, o que por muito tempo serviu como um sopro de tranquilidade para as pessoas, que apesar de temerem uma nova invasão, acreditavam cegamente que estariam segurar com o retorno dos Sete.

Séculos se passaram desde a última invasão, e as lendas a respeito dos Heróis foi se perdendo com o tempo, fazendo com que o Império de Varennes perdesse parte de sua influência, fazendo com que as várias regiões antes pertencentes ao império se tornassem independentes. É em meio a esse cenário de desunião que os demônios retornam com força total, ameaçando todo o mundo mais uma vez.
Assim como diziam as lendas, o Sete Heróis retornaram a Varennes, mas diferente do que se acreditava, a intenção do grupo não era a de combater novamente os demônios, mas sim liderar os invasores e destruir o mundo.
Em meio a essa crise, cabe ao imperador a missão de unir todo o império sob uma só bandeira e derrotar todos os sete heróis, e quem melhor para desempenhar essa função do que o próprio jogador?
Pelo Império!

No papel do imperador de Varennes, Leon, Romancing SaGa 2 inicia com um ataque surpresa a capital do império, comandado por Kzinssie, um dos Sete Heróis que retornou para destruir o mundo ao lado dos demônios. Apesar de conseguirem repelir a invasão, o filho mais velho de Leon, Victor, acaba morto em meio ao combate, levando tanto o imperador quanto seu filho mais novo, Gerard, a uma caçada de vingança contra Kzinssie.
Infelizmente, Kzinssie se prova poderoso demais, obrigando o imperador a utilizar de uma antiga magia que permitiria que seu filho herdasse todo o seu conhecimento em combate, nos introduzindo a um dos principais elementos tanto da narrativa quanto da gameplay do game: a sucessão ao trono.
A história de Romancing SaGa 2: Revenge of the Seven se desenrolará durante várias gerações de herdeiros do Império de Varennes, permitindo ao jogador escolher o novo imperador durante as décadas ou séculos que se passarem. Esse sistema acaba dando origem a uma peculiaridade do game, já que diferente de outros RPGs japoneses onde o desenvolvimento dos party members agem como o motor da história, o mundo do jogo e os personagens espalhados pelo império são os grandes protagonistas.

Funcionando de uma maneira não-linear, temos total liberdade para escolher para onde e quando ir, permitindo que o jogador explore cada canto do mapa no seu próprio ritmo, com suas decisões impactando diretamente o futuro do império.
Aprenderemos mais sobre cada uma das regiões do império ao interagir com figuras importantes dos povoados espalhados pelo jogo durante a jornada, auxiliando em conflitos políticos, lidando com invasões de demônios e outras situações que possam requerer a ajuda imperial. É através dessas interações que descobriremos mais sobre o mundo de Vareness, com seus segredos e mistérios sendo o grande motor de todo o enredo.
Ao completar algumas missões nessas regiões e uni-las junto ao império, um timeskip na história poderá ocorrer, obrigando o jogador a escolher o sucessor ao trono. A escolha de um novo imperador pode impactar diretamente a história, já que algumas missões exigem que o imperador possua alguma habilidade específica para ser completada.


O remake da um passo além na narrativa do jogo original, adicionando novas cutscenes que contarão mais sobre a história dos Sete Heróis, enriquecendo ainda mais a história de Romancing SaGa 2. Chamadas de memórias, essas cutscenes estão espalhadas por todo o mapa do jogo, e são fundamentais para compreender totalmente as motivações dos vilões da história.
Apesar do formato um tanto quanto único, a história de Romacing SaGa 2: Revenge of the Seven se mantém interessante do começo ao fim, instigando o jogador a explorar cada canto do mapa para descobrir um pouco mais sobre esse fantástico mundo. A não-linearidade do roteiro contribui imensamente para o sucesso do mesmo, trazendo um sentimento único de aventura e continuidade a cada troca de imperador.
Sistemas de combate e exploração
Mantendo o seu formato de batalhas por turno, o remake Romancing SaGa 2: Revenge of the Seven traz boa parte dos sistema de combate do jogo original intactos, contando com algumas melhorias de qualidade de vida e novidades para incrementar o que já funcionava muito bem no SNES.
Assim como no game original, o remake não possui um sistema de classes e nível propriamente dito para nenhum dos party members, abrindo mão do sistema de níveis convencional do gênero. Ao invés disso, Romancing SaGa 2 traz um sistema mais livre, em que os personagens recebem Technique Points ao final de cada batalha, evoluindo individualmente as armas ou elementos utilizados durante o combate.
O sistema de habilidades também segue os moldes da franquia a risca, com os personagens desbloqueando novas habilidades ao melhorar sua técnica com suas armas equipadas.


Cada personagem possui status base únicos que favorecem a utilização de armas específicas, como por exemplo, personagens com muitos pontos em força causarão mais dano com espadas, machados e espadas largas, enquanto personagens com mais destreza causarão mais dano com arcos. Os status também decidirão a ordem que cada personagem irá atacar durante os combates, com os personagens que possuem mais pontos de agilidade tendo prioridade nos turnos.
O sistema de sucessão do trono também possui uma grande funcionalidade no sistema de classes do game, já que ao eleger um novo imperador, ele herdará todas as habilidades de seu sucessor. Isso permite que o jogador crie uma build para seus personagens principais que evolua ao decorrer do game, podendo tanto focar em armas específicas durante todo o game ou fazer do imperador um verdadeiro ”faz-tudo”.

Romancing SaGa 2 também traz o famoso sistema de formação, que nos permite organizar o posicionamento dos party members de acordo com suas funções no combate, permitindo por exemplo, colocar os membros mais ”parrudos” na linha de frente, mantendo os magos e os principais causadores de danos mais seguros no campo de batalha.
O remake também traz algumas novidades em seus sistemas de combate, como a possibilidade de ver as fraquezas dos inimigos, um indicador em suas habilidades que sinaliza que você descobrirá uma nova habilidade ao utilizar aquela habilidade em um inimigo e até mesmo a possibilidade de alterar a dificuldade em qualquer momento do jogo.
Já no que diz respeito a exploração, Romancing SaGa 2: Revenge of the Seven traz um formato de mapas mais contidos, utilizando dos famosos corredores em sua estrutura. Apesar disso, tanto os mapas de campo aberto entre uma cidade e outra quanto as dungeons são extremamente convidativas a exploração, estando repletas de caminhos alternativos que podem recompensar o jogador com tesouros como Crowns (a moeda do jogo), poções e novos equipamentos, ou com coisas que só parecem muito um tesouro.
Explorar esses caminhos alternativos atrás de recursos se torna um elementos de gameplay importante conforme avançamos no game, graças ao sistema de administração do reino. Através dele, poderemos construir estruturas na capital que nos ajudarão durante a jornada, como uma loja para o ferreiro que nos permitirá forjar armas melhores, um jardim para recolher mais impostos de seus visitantes e até mesmo uma universidade, e é claro, tudo isso pode custar uma boa fortuna.
Algumas missões secundárias também podem exigir que tenhamos algumas estruturas específicas construídas para serem completadas, aumentando a importância da exploração principalmente para os complecionistas de plantão.
Aproveitando o gancho sobre as missões secundárias, Romancing SaGa 2: Revenge of the Seven segue a risca alguns aspectos que podem ser considerados negativos por alguns jogadores, como missões secundárias que podem ser perdidas com um time skip e a falta de informação do próximo passo para completar algumas das missões, obrigando o jogador a interagir com NPCs para conseguir informações sobre os arredores para então descobrir o que fazer em seguida.

De maneira geral, Romancing SaGa 2: Revenge of the Seven definitivamente seguiu a risca a fórmula dos recentes remakes da Square Enix, procurando manter a experiência do jogo original quase que intacta, apenas adicionar pequenas mudanças e melhorias que incrementam seus sistemas, sem alterá-los. Esse é sem dúvidas um dos grandes acertos do remake, já que permite que os fãs antigos tenham aquele sentimento de nostalgia ao mesmo tempo que apresenta um clássico atemporal para um público totalmente novo, com uma nova roupagem mas sem alterar a experiência que esses jogadores teriam com o jogo original.
Aspectos técnicos e trilha-sonora
Apesar de ter sistemas de gameplay sólidos, Romancing SaGa 2: Revenge of the Seven deixa claro que o projeto definitivamente não se tratou de um desenvolvimento de alto orçamento da Square Enix, já que embora a direção de arte do game seja fenomenal, é nítido o aspecto de jogo AA nas texturas e outros aspectos técnicos como a iluminação.
Apesar dos gráficos simples, não se engane, Romancing SaGa 2 tem belíssimas paisagens e um design de monstros extremamente chamativo, que com certeza irão agradar os fãs mais antigos e entusiastas de RPGs japoneses que estão iniciando a sua jornada pela franquia com o remake.


A performance de maneira geral no Nintendo Switch 2 é excelente, mantendo os 60 quadros por segundo durante todo o gameplay sem quedas notáveis, além de manter a qualidade gráfica no modo dock praticamente intacta no modo portátil, mostrando um excelente de otimização do time de desenvolvimento para o novo console.
Já a trilha-sonora, é o que esperamos de qualquer RPG da Square Enix: uma obra-prima. Produzida pelo compositor do jogo original, Kenji Ito, o remake traz novos arranjos das faixas do jogo original , além de algumas novas faixas exclusivas para o remake, incrementando uma OST que já era considerada uma obra de arte pelos fãs. O destaque aqui vai para o tema principal de batalha, que definitivamente está entre os melhores temas de batalha entre todos os jogos da Square Enix.
Um ponto negativo de Romancing SaGa 2: Revenge of the Seven que, infelizmente, tem se tornado uma constante nos remakes e relançamentos da Square, é a ausência de localização para o português brasileiro, o que pode se tornar um impedimento para os jogadores que não dominam a língua inglesa, o que é realmente uma pena.
Um remake que faz jus ao legado do jogo original

Apesar de ser um projeto de escopo mais simples, Romancing SaGa 2: Revenge of the Seven gabarita com folga todos os requisitos que um remake precisa ter, mantendo todos os aspectos que fizeram do jogo original um clássico atemporal, ao mesmo tempo que adiciona novos elementos que complementam o gameplay e a história.
Romancing SaGa 2 entra com facilidade na prateleira dos melhores remakes dos últimos anos, entregando uma experiência fiel ao lançamento de 1993, sendo um jogo obrigatório para qualquer fã da saga e fãs de RPGs que procuram a melhor oportunidade para finalmente conhecer a franquia.
Agradecemos a Square Enix LATAM por nos ceder uma chave de review de Romancing SaGa 2: Revenge of the Seven para Nintendo Switch 2 para a produção desse review.
O Review
Romancing SaGa 2: Revenge of the Seven
Romancing SaGa 2: Revenge of the Seven entrega um remake fiel ao material original, mantendo todos os aspectos que tornaram o clássico do Super Nintendo um clássico atemporal juntamente a uma série de melhorias de qualidade de vida e novos elementos de história, tornando o remake a versão definitiva de um dos melhores jogos da franquia SaGa.
PRÓS
- Mecânicas de combate e sistema de classes refinados
- História e mundo bem construídos
- Trilha-sonora fenomenal
CONTRAS
- Ausência de localização para português
- Estrutura de missões secundárias podem confundir alguns jogadores






