Eu vou ser honesto, eu nem sabia que ROUTINE seria lançado neste ano. O que eu sabia é que esse jogo estava em desenvolvimento desde 2012 e que passou por momentos extremamente conturbados durante o seu desenvolvimento, mas, finalmente, aqui está ele. Mas será que é realmente bom? Ou o desenvolvimento complicado comprometeu a qualidade do produto? Vamos descobrir nesta review.
ROUTINE e sua história minimalista
A história de ROUTINE se passa na Lua e aqui o jogador vai assumir o papel de um Engenheiro de Software Sênior (acabou mesmo o home office, né?) que é recém-contratado para um trabalho em uma base lunar chamada Union Plaza. Ao acordarmos em nosso quarto na Union Plaza, não demora muito para notarmos que toda a base está completamente abandonada. Aparentemente não há ninguém além de nós nesse lugar. Apesar de salas, quartos e demais itens rotineiros que aparentam ser de outros funcionários da instalação estarem por aí, não há nada além de um vazio.

Vazio esse que é preenchido por centenas de computadores contendo e-mails, mensagens e também arquivos de texto de todos os tipos espalhados por aí, e é assim que ROUTINE escolhe contar a sua história: através de seu level design e de arquivos de texto, método que é bem comum para jogos de terror, mas que aqui percorre um caminho muito mais minimalista, uma vez que muita coisa é desconexa e cada nova pista funciona como uma nova peça de um quebra-cabeça maior do que você conseguiria imaginar.

Para ser honesto, eu achei incrível a história que existe nessa base lunar e a história que nós vamos vivenciar durante a jogabilidade. Ambas são excelentes e, ao optar por trocar longas cenas e diálogos por documentos, ROUTINE deixa o jogador escolher como vai absorver essa história e, para mim, esse foi um dos pilares principais para a minha imersão nesse jogo. Uma história instigante às vezes é tudo que você precisa. E sabe a melhor parte? está tudo legendado em português Brasil.
Jogabilidade metódica
ROUTINE é um jogo de terror em primeira pessoa e, quando falamos de títulos do gênero, as primeiras referências que vêm à mente são duas franquias: Outlast e Amnesia, que foram com certeza o pilar central de desenvolvimento desse subgênero, mas é um erro acreditar que ROUTINE se apoia nessas duas para desenvolver a sua jogabilidade.

O primeiro pilar principal que compõe a jogabilidade de ROUTINE e está atrelado ao survival horror é que, nesses corredores da base, existe sim uma ameaça maior do que você imagina percorrendo a Union Plaza, e ela vai entrar no seu caminho para atrapalhar a sua exploração e progressão. Para lidar com esse obstáculo, você vai ter que correr, se esconder ou tentar defender-se utilizando a ferramenta de assistência cosmonáutica (F.A.C. para os íntimos).

Quando digo que a jogabilidade é metódica, eu quero dizer que é necessário pensar e até estrategizar a forma como você vai explorar a base lunar e seus corredores vazios. Existe um senso de tensão constante em cada ação que você faz durante o jogo enquanto explora. Cada ação feita com a F.A.C para resolver um puzzle ou abrir uma porta para explorar um novo lugar é essencial, mas sempre gera o questionamento de se alguma coisa ouviu ou viu você percorrendo aquela área.

Em geral, a jogabilidade de ROUTINE é simples, mas o acerto dela é ser muito TÁTIL e imersiva, pois tudo com que você interage no jogo é de forma diegética. Para abrir uma porta, você precisa ir até o painel e selecionar a opção. Para recarregar o F.A.C ou mudar sua função de uso, você precisa alterar configurações nele, tudo sem atravessar nenhum menu que tiraria sua imersão, e isso com certeza é um ponto muito positivo.
Atmosfera, estética e imersão
Estes são tópicos que eu preciso dizer, não existe NADA comparável com isso nos survival horror em primeira pessoa, acho que o jogo que mais se apróxima dessa ideia é o Alien Isolation, mas aqui eles vão muito além. O jogo possuí um visual sic-fi retrô, imitando muitosos filmes dos anos 90. Com monitores CRT, corredores industriais velhos, tecnologias análogicas, tudo isso dáu ma sensação de “retro-futurismo” que em outras circustãncias poderia causar conforto mas aqui, nós temos sensação de isolamento e claustrofobia.

Outro ponto importante é o design de audio, aqui ROUTINE brilha também e eu devo dizer de que esse é um dos elementos mais importantes em um jogo de terror, afinal, tem que existir todo um suspense e antecipação a cada esquina e muito disso é gerado através dos sons. Então temos rangidos, alertas, passos distantes, interferencias e as vezes até o simples e absoluto SILÊNCIO. Todos esses elementos imergem você nessa experiêncai de uma forma muito única.

Mas o elemento chave que combina esses dois que citei e o fato da jogabilidade ser diagética, é o seguinte: uma HUD extremamente reduzida. Isso permite com que esse mundo ganhe muito mais vida e importância, quer ler um arquivo? tem que interagir com o documento ou acessar pelo computador, quer se orientar pela estação? tem que olhar placas e avisos. Essa combinação é extremamente impressionante e responsável por entrar uma experiência incrível em ROUTINE.
Aspectos técnicos e acessibilidade
A cópia que recebemos para fazer a review foi de PC e, em termos técnicos, o jogo rodou super bem e possui apenas um loading, que é o primeiro quando você carrega um save, ou loadings rápidos caso você morra, mas, em geral, o jogo está com uma performance sólida e bem estável no que se refere a bugs e crashes, zero problemas em toda a minha experiência.

Em relação à acessibilidade, são realmente poucas opções. Eu gostaria, por exemplo, da possibilidade de poder aumentar o tamanho das letras das legendas, achei todas muito pequenas, o que fica um pouco ruim para ler caso você jogue um tanto distante do monitor. Fora isso, ele fornece opções bem simples.
ROUTINE não chega de surpresa mas faz o suficiente para ser memorável
Quando eu li que ROUTINE estava em desenvolvimento desde 2012, eu me assustei, porque não é como se ele fosse um jogo extremamente complexo. Lógico, ele possui muitos detalhes e uma imersão única para o gênero, mas ainda assim, treze anos de desenvolvimento é muita coisa. Jurava que o produto final seria uma bomba completa.
Bem, não é o caso. ROUTINE surpreende muito ao trazer uma experiência extremamente sólida para o gênero survival horror. Ele pode não ser revolucionário (talvez, se tivesse saído pouco mais de dois anos depois do anúncio, seria), mas entrega um terror imersivo de um nível bem difícil de comparar. É facilmente uma experiência que merece a atenção de todos que forem fãs do gênero.
.
O Review
ROUTINE
ROUTINE entrega uma experiência de terror em primeira pessoa surpreendentemente sólida, mesmo após treze anos de desenvolvimento turbulento. Ambientado na Union Plaza, o jogo aposta em uma narrativa minimalista contada por arquivos e level design, fortalecendo a imersão. A jogabilidade é metódica, tensa e totalmente diegética, exigindo estratégia constante enquanto o jogador lida com uma ameaça real nos corredores da base lunar. Com performance estável e atmosfera envolvente, ROUTINE se destaca como um survival horror que merece atenção.
PRÓS
- Atmosfera e história extremamente imersiva, com um terror tenso e constante
- Jogabilidade metódica e tática
- Interações totalmente diegéticas, aumentando muito a sensação de presença e imersão
- Performance sólida no PC






