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Home Análises

Review | Saros (PS5)

Nathan Manoel por Nathan Manoel
14 de maio de 2026
em Análises
saros review capa

Desenvolvido pela Housemarque e publicado pela Sony, Saros é o novo exclusivo do playstation 5 cujo o foco é unir uma jogabilidade veloz e, por muitas vezes, caótica com uma boa história que se desenrola por runs, bem semelhante com o que é feito em jogos roguelikes. Saros também serve como uma sequência espiritual do excelente Returnal, um dos primeiros exclusivos de PS5 e um dos jogos que melhor utilizou o dualsense até hoje, porém com mudanças substanciais para tornar essa experiência mais acessível para jogadores mais casuais. 

Minha principal dúvida ao começar Saros era exatamente essa questão de tornar o jogo mais acessível e dos desenvolvedores do jogo não o rotulando como roguelike, mesmo tendo claros elementos desse subgênero. Será que vão facilitar demais a experiência quase perfeita que Returnal trouxe em 2021?  Como que ele não é um roguelike mesmo tendo tantos elementos de um roguelike? 

Foram muitas dúvidas levantadas durante esse período pré-lançamento, mas uma coisa era certa: só por ele parecer um pouco com Returnal, ele merecia a minha atenção. E desde já adianto que valeu e MUITO a pena ter criado expectativas, já que Saros é insano, mesmo com algumas ressalvas. 

O sol é para sempre

Saros Review
Review | Saros (PS5) 11

Em Saros acompanhamos a jornada de Arjun Devraj, um “executor” da tripulação Echelon IV, uma tripulação formada por um grupo de especialistas em diferentes áreas cuja missão é explorar o planeta de Carcosa. De uma missão de exploração, Arjun acaba se metendo em uma missão de resgate da sua esposa, Nitya.

E é basicamente só isso que sabemos sobre a história pelas primeiras horas de jogo, sabemos quem somos (Arjun, um executor ranzinza porém muito habilidoso) e o que buscamos (encontrar Nitya), e pelo caminho novas questões são impostas ao jogador: afinal, o que é Carcosa? Um planeta ou um purgatório? Porquê tudo é tão direcionado a Arjun? Por quê nossos companheiros estão morrendo? E, por último, quem é esse tal de Rei Amarelo que tanto é mencionado pelos NPCs do jogo? 

SAROS 2
Review | Saros (PS5) 12

Muitas dúvidas são colocadas para o jogador e, de forma primorosa, vão criando novas provocações para que a gente continue nessa jornada com Arjun. Para além de manter o jogador instigado com a trama, essas dúvidas são essenciais para criar essa atmosfera lovecraftiana que a Housemarque já se mostrou dominar desde Returnal que em Saros é ainda mais intensificada. 

Você sente que algo de errado está acontecendo com os personagens e, principalmente, com o Arjun. A sensação de estar acompanhando personagens enlouquecendo e se perdendo a cada run faz com que a história ganhe novos patamares quando eventos importantes da história desenrolam: cada chefe, cada objetivo secundários realizado e cada arquivo aberto durante as partidas, são passos para que o jogador consiga entender o “quadro todo” ou nesse caso, entender grande parte do quadro que foi quebrado propositalmente para fins artísticos, faltando um pequeno pedaço capaz de gerar uma dúvida e inquietação capazes de ficarem impregnadas na mente do jogador. 

NPCs sendo NPCs

Só é um pouco decepcionante a forma como o jogo trabalha a interação de Arjun com outros personagens: Após uma run, somos transportados para “a passagem”, um lugar onde encontramos e interagimos com NPC’s da Echelon IV, sendo um diferencial da isolação que a Selene, protagonista de Returnal, passava após cada morte. Aqui, em Saros, os NPC’s fazem comentários sobre as runs, sobre um tempo passado e até mesmo deixam notas para que o jogador comece a entender a trama geral do jogo, tudo sem perder o mistério da história.  

SAROS 3
Review | Saros (PS5) 13

É uma forma interessante para contar a história de Saros, porém peca bastante na forma como esses NPCs são feitos e escritos: Há pouco material para se apegar a eles pois são usados quase sempre para comunicar apenas o necessário para a história principal, pouco se conversa sobre a vida de cada um deles. Para piorar, é durante essas conversas que conseguimos notar uma diferença grande entre as animações faciais das cutscenes, onde a qualidade é alto nível e impressiona, para as animações faciais ingame que chegam a ser cômicas de tão travadas são.

Uma atmosfera primorosa

SAROS 4
Review | Saros (PS5) 14

Um dos pilares da experiência de Saros é a sua atmosfera: Carcosa, planeta que tem nome retirado diretamente do clássico da literatura “O Rei de Amarelo”, livro cujo material inspirou diretamente o trabalho de H.P Lovecraft, parece um ser vivo próprio, sua estrutura mutável e ao mesmo tempo antiga,  dá a sensação de que o tempo passa diferente ali e que mesmo que a gente reconheça alguns códigos visuais, como estruturas religiosas que parecem terem sido tiradas diretamente da grécia antiga, aquilo não é a nossa terra.

Enquanto isso os estímulos sonoros corroboram na construção desse ambiente que parece tanto familiar quanto alienígena, com sons de fábrica se juntando ao som de lasers sendo lançados por objetos alienígenas, gritos de pessoas sendo torturadas ao fundo e máquinas sendo despertadas se juntam a trilha sonora de forma impecável, fazendo o jogador se perguntar o que realmente é aquele lugar. Estamos presos na mente de Arjun ou estamos num umbral? Tudo parece confuso, do jeito que uma obra inspirada em O Rei de Amarelo deveria ser. 

Esse trabalho de atmosfera de Saros é absurdo e vai ficando mais intenso da metade para o final do jogo, onde algumas revelações acabam sendo feitas e o jogador acaba tendo mais noção do que realmente está acontecendo. É nesse momento  que o jogador embarca de vez nessa tormenta junto com Arjun. 

Volte mais forte!

SAROS 5
Review | Saros (PS5) 15

Uma das coisas que me questionei bastante ao jogar Saros era se ele poderia de fato ser considerado um roguelite visto que há um trabalho enorme em facilitar pontos chaves desse subgênero, em especial a forma como o jogo não te pune por morrer em momentos mais avançados da história, existe um sistema de viagem rápida que te deixa começar diretamente no bioma em que estava, tirando completamente aquela tensão de morrer e ter que acabar recomeçando a jornada desde o primeiro bioma.

Além disso, apartir do momento que o jogador encontra o chefe de um bioma específico e acaba morrendo, a corrida de volta ao chefe é simplificada, deixando completamente nas mãos do jogador a decisão de explorar por mais aprimoramentos ou só indo direto ao chefe. Mas ir direto ao chefe não vai dar uma desvantagem na hora da luta? Não exatamente, já que há um sistema de melhorias permanentes muito acessível logo de cara, onde o jogador pode trocar lucenitas (moeda do jogo) por melhorias vitais para uma run mais fácil, dando um incentivo ainda maior para que os jogadores retornem ao hub do jogo.

SAROS 6
Review | Saros (PS5) 16

Returnal já tinha coisas parecidas, lá você conseguia ignorar completamente um chefe de um bioma depois de já ter derrotado ele e usar atalhos para pular fases inteiras. Porém, era mais difícil e tinha aprimoramentos permanentes menos facilitadores do que os de Saros. Fora que a reta final de Saros é estruturada de uma forma que você esquece completamente que se morrer vai ter que voltar desde o começo do bioma, há tantos recursos poderosos e as fases vão tão aceleradas que é quase impossível largar o controle ou não prestar atenção em tudo que vai acontecendo.

No geral, diria que Saros é o melhor exemplo de um roguelite que temos no mercado: ainda carrega uma progressão por runs fortíssimas e muitas vezes depende que o jogador retorne a estaca 0 de um mapa para que a história continue, mas também entrega tantas opções para facilitar a experiência que o torna mais acessível muitos roguelikes que tem pelo mercado. E isso é bom, Returnal recebeu muitas críticas pela dificuldade e até hoje tem gente que se recusa a jogar ele por medo de morrer demais, Saros ameniza isso e deixa claro que: Volte mais forte! 

Jogabilidade insana

SAROS 8
Review | Saros (PS5) 17

É óbvio que deixei para falar do melhor para o final: a jogabilidade de Saros é de um primor técnico que só a Housemarque poderia fazer! A mistura de bullet hell com jogo de ação em terceira pessoa é algo que deu super certo em Returnal e que aqui, em Saros, ta ainda melhor com mais armas, mais powerups e um sistema de escudo de energia que serve tanto para cadenciar o combate em alguns momentos, como para tornar as lutas ainda mais frenéticas depois que se domina completamente. 

Com o escudo conseguimos absorver a energia (azul) dispersada pelos inimigos e utilizar essa energia para usar a nossa arma secundária (que é um implante que Arjun utiliza no braço) ou utilizar para se locomover com mais mais velocidade, criando uma situação de risco e recompensa, onde os jogadores com mais familiaridade com os controles vão optar em procurar ir em direção a esses tiros azuis para absorver essa energia, fazendo com que os combate fiquem mais intensos. Ainda com esse escudo conseguimos absorver corrupção, que são energia amarelas soltadas pelos inimigos, que vão comendo a barra de integridade do jogador (HP) até que o jogador utilize a arma secundária para dispersar essa energia corrompida. 

SAROS 7
Review | Saros (PS5) 18

Há também um sistema de mudança de cenário, aqui o jogador opta por invocar um eclipse que faz com que os cenários mudam completamente. Fazendo isso, novos caminhos e recompensas são desbloqueados, porém… As recompensas começam a aparecer com passivas que dão algum tipo de status negativo ao jogador e os inimigos aparecem com mais frequência e com muito mais força. É uma ideia muito bacana para diversificar a gameplay e que causa lutas muito intensas. 

Para fechar, há uma variedade enorme de armas, armas diferentes de tudo que você já viu em um jogo de ação em terceira pessoa, coisas como uma arma que serve como um cabo de energia onde cabe ao jogador controlar a intensidade da energia que vai ser descarregada nos inimigos presos pelos tiros da arma. O controle dessa energia é feito pelo uso primoroso dos gatilhos do Dualsense, cada leve toque no gatilho altera diretamente o dano da arma.

Inclusive, é de se elogiar o empenho da Housemarque em usar todas as features do Playstation 5, algo que eles já tinham feito muito bem com Returnal e que aqui é feito de novo: Você consegue trocar o tipo de tiro que vai dar com uma arma só com a intensidade que será aplicado no gatilho, você sente cada passo de Arjun pelas respostas tátil e volta e meia toma uns cagaços pelo áudio 3D do jogo, principalmente quando se joga de fone.

Vale a pena jogar Saros?

SAROS 9
Review | Saros (PS5) 19

Apesar de ser um jogo consideravelmente mais fácil que Returnal, o que pode ser ruim para alguns, Saros é um jogo intenso tanto pela gameplay frenética quanto pela história que quer contar, mas que recompensa o jogador com uma das experiências mais viscerais que a Playstation Studios já lançou para o PS5. 

É como se a Housemarque estivesse seguindo à risca o próprio lema do jogo: Come Back Stronger. É visível que eles aprenderam bastante coisa com Returnal e voltaram ainda melhores, aprimorando o que já era ótimo e que ninguém da indústria tinha conseguido replicar ainda (o combate de Returnal) e consertando alguns pontos que afastaram Returnal de ser um hit absurdo em 2021. Saros é um jogo obrigatório para qualquer dono de PS5 que curta um bom jogo de ação cheio de lutas de chefes insanas.

O Review

Saros

9 Pontuação

Mesmo sendo mais fácil do que Returnal, Saros é um jogo intenso, tanto pela gameplay frenética quanto pela história que quer contar, mas que recompensa o jogador com uma das experiências mais viscerais que a Playstation Studios já lançou para o PS5.

PRÓS

  • Jogabilidade absurda de boa
  • História muito bem contada pelas runs do jogo
  • Atmosfera sem igual e imersiva, Carcosa parece viva
  • Muitas opções de acessibilidade, tanto para pessoas PCD's quanto para pessoas com dificuldades na gameplay

CONTRAS

  • Começo é um pouco desinteressante, depois do terceiro bioma que o jogo pega no tranco
  • Animação facial dos NPCs é estranha durante as conversas

Review detalhado

  • História 0
  • Jogabilidade 0
  • Gráficos 0
  • Áudio 0
Tags: saros
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