Enquanto alguns jogos apostam em experiências cinematográficas, gráficos realistas e centenas de sistemas diferentes, Schrödinger’s Call decide seguir por um caminho mais intimista, pequeno em escala, mas extremamente profundo. E é justamente nisso que ele aposta para conquistar o jogador.
Um aviso importante é que esta review acabará sendo um pouco mais curta do que o padrão, muito porque Schrödinger’s Call é majoritariamente uma visual novel e não possui muitos sistemas complexos de gameplay. Seu foco está na história e na narrativa, mas ambas serão abordadas sem spoilers.
21 segundos para o fim do mundo
Na história de Schrödinger’s Call, assumimos o papel de uma menina sem memória chamada Mary, que acaba acordando em uma sala muito estranha ao lado de um gato chamado Hamlet e tendo apenas um telefone sobre sua mesa.

Acontece que faltam apenas 21 segundos para que a Lua caia sobre a Terra e, estranhamente, Mary se tornará a “última confidente do mundo”. Através do telefone, ela poderá conversar com diferentes personagens, conhecer suas dores e entender os momentos que definiram suas vidas. Essa é a premissa inicial de Schrödinger’s Call, que coloca você no papel de alguém que faz a ponte entre a vida e a morte. Algumas dessas histórias são extremamente tristes e outras mais esperançosas, mas a intenção é sempre a mesma: fazer o jogador refletir.

A grande sacada está justamente no tema dessas conversas. Em vez de abordar dramas exagerados ou reviravoltas complexas, o jogo opta por explorar situações extremamente comuns, como relações familiares, amizades, amores perdidos e palavras que nunca foram ditas. E essa é a chave, porque não demora muito até que você se conecte com todas essas histórias, de tão humanas que elas são. Existe uma grande sensibilidade por trás de quem as escreveu, e isso é simplesmente incrível.
Infelizmente, o jogo não conta com legendas em português Brasil e isso com certeza pode afastar alguns jogadores, pois iria comprometer defintiivamente sua compreensão e experiência, o que é uma pena. Nos resta é torcer para que subam uma # de tradução no
Uma jogabilidade em palavras
É até estranho falar de jogabilidade em visual novels. Algumas costumam ser mais interativas, como Danganronpa, por exemplo, enquanto outras são muito mais focadas na leitura, como é o caso de Schrödinger’s Call. E veja bem, aqui você não vai encontrar combates dinâmicos, puzzles complexos ou nada do tipo, apenas uma experiência que permite desacelerar e absorver cada uma das histórias.

Mas vamos lá, a maior parte da experiência gira em torno dos diálogos através do telefone, da interação com um diário repleto de informações que dão mais profundidade a algumas histórias e de pequenas escolhas de diálogo que podem alterar o rumo das conversas. É importante escolher corretamente para realizar um ato de salvação para aqueles personagens, e o jogo segue nesse ciclo até a sua conclusão final.

O jogo não possui uma estrutura de múltiplos finais. Na verdade, sua progressão é estritamente linear, porque a proposta de Schrödinger’s Call não é mudar o destino das pessoas com quem Mary conversa, mas sim acompanhá-las em seus últimos momentos e compreender seus arrependimentos. Na prática, suas decisões servem mais para construir a experiência e reforçar os temas centrais do jogo do que para alterar o rumo da narrativa.
Também não há muito onde se aprofundar no aspecto da progressão, já que você não sobe de nível nem evolui de nenhuma forma. Ainda assim, existe uma espécie de progressão emocional que se manifesta na forma como você compreende melhor esse universo e o papel de Mary na história, algo que combina perfeitamente com a proposta do jogo.
Aspectos artísticos e técnicos
No que se refere à parte técnica, Schrödinger’s Call roda perfeitamente no computador. Não enfrentei nenhum bug ou qualquer outro problema durante toda a campanha, e a experiência foi extremamente tranquila. Acredito que será assim também no Nintendo Switch. Vale dizer que minha experiência foi dividida entre o PC e o Steam Deck, e, em ambos os casos, o jogo funcionou perfeitamente. Diria até que jogá-lo no portátil é a melhor forma de aproveitá-lo.

Na parte visual, o jogo possui uma identidade única graças à sua direção de arte. É tudo muito bonito, mas ao mesmo tempo extremamente melancólico por causa das cores utilizadas e da forte presença do preto. É como se o jogo estivesse de luto pelos personagens que construiu, e a forma que encontra para transmitir isso é justamente por meio de tons mais escuros. Tudo isso acaba sendo bastante memorável, especialmente quando combinado com a trilha sonora, que talvez não tenha nenhuma música destinada a entrar na sua playlist do Spotify, mas que conta com ótimas composições, principalmente para os momentos mais tristes. Embora, para ser sincero, talvez seja difícil prestar atenção nelas enquanto você chora até desidratar.
Schrödinger’s Call te desafia
Este definitivamente não é um jogo que vai agradar a todos os públicos. Visual novels costumam ser um gênero extremamente nichado, mas posso afirmar que esta é uma experiência que vale muito a pena ser vivida. Existem lições e histórias contadas aqui que tornam difícil não levar o jogador a refletir sobre algum aspecto da vida. Schrödinger’s Call te desafia a sair da zona de conforto e experimentar uma jornada emocionante, profunda e memorável. Para os fãs de boas histórias, Schrödinger’s Call é, sem dúvida, um título que merece ficar no radar.
O Review
Schrödinger's Call
Schrödinger's Call é uma visual novel contemplativa e emocional que acompanha almas presas entre a vida e a morte, explorando seus arrependimentos, sonhos e sentimentos não resolvidos. Com uma narrativa intimista, direção de arte inspirada em livros ilustrados e uma trilha sonora delicada, o jogo prioriza a força de suas histórias em vez de grandes desafios ou sistemas complexos. Trata-se de uma experiência curta, mas profundamente humana, capaz de provocar reflexões sobre perdas, relacionamentos e aquilo que realmente importa, deixando uma impressão duradoura muito depois dos créditos finais.
PRÓS
- Histórias extremamente humana e emocionante
- Direção de arte marcante
- Trilha sonora eficiente
CONTRAS
- Falta de legendas em Português Brasil






