2025 vem sendo um ano forte para a Microsoft, com muitos de seus estúdios trabalhando para entregar novos títulos, e a Compulsion Games, estúdio conhecido por Contrast e We Happy Few, adquirido pela gigante em 2018, havia anunciado seu novo jogo de aventura ambientado no Sul dos Estados Unidos, South of Midnight.
Com lançamento em acesso antecipado disponível desde já e acesso aberto no dia 7 de Março para PC e Xbox Series X|S, também disponível no serviço Xbox Game Pass. Confira conosco a análise dessa nova jornada, cortesia gentilmente cedida pelo estúdio Compulsion Games e pela Microsoft!
Simples e divertido, South of Midnight é uma das surpresas do ano

Jogabilidade divertida – mas um pouco cansativa
O esqueleto de um jogo, claro, é a sua jogabilidade, e South of Midnight não deixa a desejar nesse aspecto. O mundo do jogo é completamente linear, e a progressão é baseada em fases, com pequenas oportunidades de explorar e achar novos caminhos e recompensas.
Com elementos de plataforma como pular, se agarrar e escalar muros, planar e mover caixas, navegar pelo mundo é bastante divertido, apesar de que a recompensa praticamente nunca foge de dois campos: fios, que servem para melhorar suas habilidades; e memorandos e documentos, que servem para imergir o jogador no mundo de South of Midnight.

Além disso, o jogo claramente conta com seções de combate, as quais ocorrem somente em arenas específicas, nas quais você deve derrotar todos os oponentes para prosseguir, completamente segmentado das partes de exploração e plataforma.
As lutas cumprem sua proposta, mas havia espaço para mais
O combate em si é rápido e divertido de executar, mesmo que os combos básicos do jogo sejam os mesmos, há diversas habilidades que podem ser usadas de forma livre que deixam o combate mais refrescante.

No entanto, a progressão é um pouco confusa nesse aspecto, pois grande parte das habilidades de exploração quanto as de combate são obtidas relativamente cedo, o que deixa o jogo mais divertido de início, mas acaba caindo na repetição conforme o avançar da história, já que até mesmo os upgrades das habilidades mudam seus efeitos, mas não suas mecânicas.
A variedade de inimigos é boa o suficiente para a duração do game, e o comportamento de cada um deles mescla bem entre si, e as lutas contra chefes são igualmente bem boas, apesar de que fiquei com um gostinho de quero mais nesse aspecto, pois havia oportunidade para mais embates.

Narrativa surpreende positivamente
South of Midnight claramente se inspira e se baseia muito no folclore do Sul dos Estados Unidos, e claro, muitos elementos e criaturas são tirados diretamente dessa cultura, e algumas coisas não irão ressoar com pessoas de fora, como nós brasileiros, mas isso não impede o jogador de acompanhar a narrativa de Hazel de forma orgânica, ainda nos dando a oportunidade de conhecer mais sobre esse mundo, com seres como Tom Dois Dedos e a Molly Abraçadora.

Além da narrativa central focada na protagonista, temos a interação com diversos personagens secundários, e podemos descobrir mais sobre cada um deles através de diversos flashbacks e visões que mostram mais sobre suas histórias, algumas vezes tocando até em temas pesados e sensíveis, algo que se faz necessário dado o contexto da narrativa.

Pela duração do jogo, a narrativa se encaixa muito bem, mesmo que hajam algumas quebras de ritmo especialmente quando esses flashbacks acontecem logo após uma batalha – e isso ocorre com frequência -, mas no geral é uma jornada bem dinâmica que se desenvolve com poucas enrolações ou “encheção de linguiça”.
Visuais e trilha sonora fenomenais
Uma das coisas que mais me surpreendeu, mesmo com trailers destacando isso, foi a sua qualidade visual e a trilha sonora. O estilo artístico usado aqui é espetacular, com uma animação que simula o stop motion e dá um charme a mais ao jogo.

Os ambientes também são muito bonitos, que vão desde os pântanos até ambientes urbanos e fantasiosos, e os efeitos visuais são sempre bonitos, inclusive em combate. O design dos personagens em geral é bem bacana, com um destaque especial para os chefes, mesmo que os inimigos comuns sejam um pouco menos inspirados, mas com um motivo que faz sentido dentro da história.
A trilha sonora é um show a parte, com músicas ambiente e músicas cantadas percorrendo o jogo inteiro, e dão um toque especial de arrepiar em alguns momentos mais épicos como perseguições ou as batalhas mais importantes, e definitivamente é uma das melhores trilhas sonoras dos últimos tempos, com letras que se encaixam na história do jogo. Quem gosta de folk e blues irá se deliciar do início ao fim, e quem não gosta, provavelmente irá começar a gostar.

Os efeitos sonoros e a dublagem também são de qualidade técnica excepcional, e os atores de voz fizeram um esforço bem legal, deixando a aventura bem orgânica com personagens carismáticos o tempo todo, já que o jogo quase sempre conta com vozes dando desenvoltura para a narrativa e para a ambientação em geral.
Opções de acessibilidade vastas
Claro, haviam alguns pequenos bugs na parte visual, mas nada que atrapalhasse a experiência em geral, e a Compulsion Games nos lembrou de que o patch day one já irá adicionar mais polimento ao jogo, e estará disponível desde o dia 3 para quem adquiriu o acesso antecipado.

No quesito acessibilidade, South of Midnight não decepciona: a localização está excelente, entregando um conteúdo de qualidade na adaptação de todo o texto para o português brasileiro, mas não tivemos a opção de dublagem nacional, o que faz sentido dado o objetivo do jogo de representar uma cultura de outro país, que claro, também se aplica à linguagem, mas isso pode chatear algumas pessoas.
A customização em outras opções de acessibilidade também não fica atrás, com muitas opções de modificar a sua gameplay, facilitando para quem tem alguma dificuldade motora ou não consegue lidar bem com os sistemas de South of Midnight.

Além disso, opções visuais também são vastas, com personalização completa do esquema de cores, incluindo pré-seleções para tipos específicos de daltonismo ou outro impedimento visual, e a opção de mudar todos os elementos dos menus e HUD da forma que mais lhe agradar.
South of Midnight é diversão garantida
Em 2025, ano de grandes lançamentos com valor de produção e marketing altos, alguns jogos podem passar batido, mas South of Midnight definitivamente não deveria ser um deles para quem gosta de uma aventura divertida e rica.
A jogabilidade não é revolucionária, mas funciona muito bem, e no quesito narrativa e principalmente trilha sonora, fica evidente o carinho e a alma empregados pela Compulsion Games para entregar algo inspirado e satisfatório.
No geral, é um jogo que enriquece muito o currículo da empresa e dá uma diversidade necessária para o catálogo da Microsoft e do Xbox Game Pass, e com uma duração relativamente rápida, podendo ser concluído em até 12 horas, é um jogo que respeita o seu tempo e não se estende de forma desnecessária, finalizando um pacote bastante atrativo para quem busca algo com estética e conceito um pouco incomuns nos lançamentos atuais.
O Review
South of Midnight
Com um visual e uma trilha sonora únicos e excepcionais, South of Midnight entrega uma jornada altamente divertida e interessante, mesmo que a jogabilidade, embora prazerosa, possa ficar um pouco cansativa nas etapas mais avançadas do jogo.
PRÓS
- Jogabilidade divertida de início
- História profunda e sensível
- Cultura bem representada de forma interessante
- Músicas sem igual em momentos chave do jogo
- Gráficos charmosos e com um estilo stop motion bastante único
- Disponível em português e com muitas opções de acessibilidade
CONTRAS
- Jogabilidade pode ficar cansativa após um tempo
- Não há dublagem em português
- Incentivos para explorar pouco diversos
- Design de inimigos comuns pouco inspirado
- Ritmo é quebrado com a frequência de alguns flashbacks






