1 década após o lançamento do primeiro game, The Division finalmente chega aos dispositivos móveis com The Division: Ressurgence, a nova aposta da Ubisoft para o mercado mobile. Com a proposta de levar tudo o que fez a franquia conquistar milhões de fãs ao redor para os celulares, Ressurgence foi anunciado como um projeto ousado da Ubi, prometendo ser uma experiência muito próxima dos games da franquia para consoles e PC.
Estive experimentando o game nos últimos dias, e após algumas boas horas de jogo, chegou a hora de trazer minhas impressões sobre o mais novo lançamento da franquia The Division para os celulares!
Entre erros e acertos, The Division: Ressurgence entrega uma experiência sólida nos celulares

Lançado em 31 de março para dispositivos iOS e Android, The Division: Ressurgence é a primeira grande aposta da franquia para o mercado mobile, levando uma experiência inédita para os celulares. Se passando entre os eventos do primeiro e segundo jogo da franquia, Ressurgence coloca o jogador na pele de um agente da primeira onda de ativação dos agentes da SHD em Nova Iorque, ou seja, iremos vivencia os eventos das primeiras horas após a ativação do protocolo de ativação da Divisão.
Uma sacada legal e que com certeza será um dos pontos que irá atrair muitos jogadores ao título é o fato de que Ressurgence é uma história totalmente canônica para o universo de The Division, trazendo de volta facções do primeiro game e introduzindo algumas novas surpresas, sendo o jogo que de fato conecta The Division 1 e The Division 2.

Apesar dessa ser uma sacada interessante, a narrativa fica em segundo plano após o prólogo, servindo mais como um pano de fundo para os acontecimentos, apenas justificando as missões e contextualizando o jogador sobre o estado do mundo. Claro, por se tratar de um jogo canônico e importante para a timeline de The Division, a história tem um peso muito maior do que boa parte dos jogos de celulares spin-offs de grandes franquias, mas alguns problemas (que falarei sobre jaja) a impedem de alcançar o seu potencial de realmente prender o jogador a trama.
Gameplay
The Division: Ressurgence foi anunciado com a proposta de portar todas as principais mecânicas de gameplay que popularizaram a franquia para os celulares, e sendo bem honesto, a Ubisoft conseguiu cumprir essa promessa com perfeição, o que acabou se tornando uma benção e ao mesmo tempo umas das maldições do game. Ressurgence mantém todas as mecânicas que popularizaram a franquia ao longo dos anos: movimentação fluída, um bom sistema de cover que da liberdade de movimentação ao jogador, mira precisa e uma boa variedade de armas e inimigos.
Porém, ao ser colocado em um ambiente mobile, The Division: Ressurgence esbarrou em um grande problema, que honestamente, sequer podemos considerar a Ubisoft como totalmente culpada: os controles touch.

Pelo print acima já é possível notar a quantidade absurda de botões na tela designados unicamente para os combates, e mesmo ao utilizar aparelhos com telas consideradas grandes como o S25 Ultra e o S26 Ultra, que foram os dois aparelhos utilizados para esse review, não foram poucas as vezes em que me peguei brigando mais com a movimentação do meu personagem do que com os inimigos que estavam me metendo chumbo do outro lado, ou pior, me rushando para me dar ataques melees, criando uma confusão ainda maior para sair do cover e correr em uma pequena fração de segundos.
The Division: Ressurgence também traz um sistema de classes para os agentes, com cada uma das classes possuindo habilidades únicas como habilidades focadas em defesa, explosivos ou cura. A Vanguarda, por exemplo, focada em armas de fogo, possui habilidades que rastreiam inimigos e facilitam os combates a longa distância, contando até mesmo com uma habilidade ultimate que funciona como um “aimbot temporário”.
Esse sistema de habilidades acaba poluindo ainda mais o já confuso layout de botões touch, o que honestamente me fez esquecer da existência dessas habilidades por boa parte das minhas sessões de gameplay.

The Division: Ressurgence é um daqueles títulos que se beneficia de um controle, algo que o game oferece suporte completo. Mas convenhamos, nem sempre teremos um controle por perto, principalmente durante uma viagem ou em qualquer ambiente fora de casa, e a experiência de jogar com os controles touch screen realmente não é das melhores.
Tirado o elefante dos controle de touch da sala, posso finalmente falar sobre o que realmente me encantou em The Division: Ressurgence!
Ooh, New York!!!
The Division: Ressurgence nos leva mais uma vez para Nova Iorque, o coração financeiro do mundo e o ponto zero da “gripe do dólar”. Apesar de Ressurgence trocar a Snowdrop pela Unreal Engine, a Nova Iorque da versão mobile de The Division não deve em nada para os seus irmãos mais velhos nos consoles e PC.
Após o fim do prólogo, somos apresentados a Big Apple, se revelando ser um grande mundo aberto compartilhado por vários jogadores que estejam no mesmo “estado do mundo” que você, semelhante a The Division 2.
Uma vez desbloqueada, somos livres para explorar a cidade como quisermos, aproveitando todo aquele clima de neve que tornou o primeiro jogo tão icônico, dando um toque especial para a cidade. Claro, por se tratar de um jogo mobile, o nível de detalhes mesmo ao jogar com os gráficos no máximo não se equipara ao de The Division 1 e 2, mas é nítido que a Ubisoft colocou um empenho extra para tornar a cidade o mais imersiva possível.

Semelhante aos jogos principais de The Division, a cidade está repleta de inimigos de todas as diferentes facções espalhadas pela cidade, que não pensarão 2x antes de iniciar um combate a céu aberto. A cidade também serve de palco para as missões secundárias e as missões primárias da história, que seguem um sistema de progressão bem parecido com o de outros jogos para celular.
O objetivo continua o mesmo: completar missões e atividades, obter equipamentos melhores, completar mais missões e atividades, obter equipamentos ainda melhores, repeat. É uma fórmula que funciona e que foi fielmente adaptada para a versão mobile, sendo tão engajante (e viciante) quanto a sua versão para consoles.
Boa parte das missões e modos de jogo, como a Zona Cega (que falarei sobre jaja) estão trancados pelo nível, forçando o jogador a realmente se dedicar no grind para avançar na história e ter acesso a todo o conteúdo do game. Esse sistema acaba tornando acompanhar a narrativa um tanto quanto complicado, já que por mais engajado que você esteja na história, desbloquear o próximo capítulo ou até mesmo conseguir completar uma missão específica pode exigir sessões inteiras de grind.
Para amenizar um pouco, todas as missões principais podem ser jogadas em modo cooperativo para até 4 pessoas, contando com um matchmaking dedicado para cada uma das missões, o que pode acabar facilitando um pouco as coisas.
Apesar desse foco no grind para desbloquear conteúdos, The Division: Ressurgence oferece várias maneiras de conseguir equipamentos novos e EXP logo cedo no jogo, como a famosa Zona Cega, uma área PvPvE que é desbloqueada logo nos primeiros níveis e que se tornará a nova casa de muitos agentes.
Onde o filho chora e a mãe não vê
Em Ressurgence, a Zona Cega funciona da seguinte forma: ao entrarmos em uma sessão da Zona Cega, teremos 20 minutos dentro da área, na qual poderemos explorar livremente a região, seja enfrentando inimigos aleatórios, realizando missões exclusivas da Zona Cega ou até mesmo caçando outros agentes, caso decida se tornar um traidor e habilitar o modo PvP.

Por se tratar do local com os melhores loots do jogo e com o risco real de combates PvP, teremos um espaço dedicado em nossa bolsa para os itens especiais da Zona Cega, que só poderão ser equipados após serem extraídos para e descontaminados. Eliminar inimigos da zona cega também nos recompensa com materiais para craft de armas e equipamentos, além de moedas que podem ser trocadas por itens exclusivos.
Caso você morra antes de extrair, perderá todos os itens especiais que estavam em seu inventário, tornando a Zona Cega uma área de alto risco e alta recompensa. Para dar uma carga ainda maior de adrenalina, toda vez que um jogador ativar o modo traidor, um aviso será disparado para todos os jogadores na sessão avisando de sua presença, tornado cada visita a Dark Zone uma experiência única.
Podemos entrar na Zona Cega sozinhos ou juntos de um esquadrão pré-formado, fazendo da Zona Cega o possível destino principal para o endgame do jogo, que com certeza se tornará o local ideal para que os clãs rivais em Ressurgence resolvam suas diferenças.
Sistema de craft e monetização
Como todo jogo free to play, The Division: Ressurgence possui um sistema de monetização que oferece algumas regalias para os jogadores que decidirem abrir a carteira, mas honestamente, as mecânicas adotadas pela Ubisoft me pareceram muito mais justas do que o esperado. Para começar, não é possível adquirir armas ou equipamentos direto da loja do jogo, então se você procura um jogo mobile para despejar dinheiro e ter os melhores itens do jogo em 10 minutos, The Division: Ressurgence não é para você.
O que The Division: Ressurgence oferece, no entanto, são formas para poupar tempo de grind em formato de vendas de materiais, que são obtidos atravésa de recompensas de missões e atividades diárias, também podendo ser encontrados em bundles ou através de um sistema de gacha na loja. É importante notar que o sistema de gacha de materiais não é exclusivo para a moeda premium, já que as recompensas de missões diárias e semanais incluem moedas que são utilizadas para os “rolls” na caixa de suprimento.

Esses recursos podem ser usados tanto para criar armas e equipamentos quanto para dar os famosos “rolls” em habilidades, que possuem um papel importante para o endgame do jogo. Os bundles, no entanto, possuem limites de compra semanais, ou seja, não é possível despejar toneladas de dinheiro até conseguir os status e habilidades desejadas, o que em teoria, mantém o jogo justo para os jogadores pagantes e os totalmente F2P dedicados.

Outras formas de monetização são as vendas de cosméticos como skins para armas e roupas e para seu personagem, além do já famoso passe de batalha, que oferece recursos e skins exclusivas para os tiers pagos.
Umas das promessas da Ubisoft com The Division: Ressurgence era de que o jogo não seria um jogo pay to win, e de certa forma, a Ubisoft parece ter realmente se esforçado em criar um ambiente justo para os jogadores. As travas semanais nos bundles garantem que os jogadores pagantes não simplesmente consigam as melhores habilidades instantaneamente, o que dentro dos padrões para jogos de celular, é algo que eu considero como aceitável e um tanto quanto justo.
Performance
No que diz respeito a performance, pude testar o game em dois aparelhos top de linha (Galaxy S25 Ultra e S26 Ultra), ou seja, minha experiência pode não refletir a mesma experiência que jogadores com dispositivos mais modestos terão com o game. O que posso confirmar é que os chips Snapdragon 8 Elite e 8 Elite Gen 5 aguentam o tranco com MUITA facilidade, segurando 60 fps cravados no modo de alta taxa de quadros, que automaticamente joga os gráficos para o médio, e os 30 fps no modo máximo de gráficos.
Os gráficos são honestamente lindíssimos no display do celular, o que pode parecer uma grande mentira com os screenshots mostrados nesse review, mas acreditem em mim, a compressão de screenshots reduz imensamente a qualidade gráfica do game. Claro, o game não tem o nível de detalhes de seus irmãos mais velhos para os consoles, tanto pela diferença de hardware quanto por utilizar a Unreal ao invés da Snowdrop, mas The Division: Ressurgence é LINDO.
Mas eai, vale a pena?
The Division: Ressurgence surge como uma boa alternativa para quem procura um jogo de tiro extremamente competente para os dispositivos móveis ou para fãs apaixonados pela franquia que procuram uma experiência nova, já que o game cumpre com maestria a sua promessa de levar tudo o que tornou The Division tão popular para os celulares.
Apesar dos problemas com os controles de touch, o sistema de monetização e principalmente o grind que podem ser a grande pedra no sapato de boa parte dos jogadores, Ressurgence é um título que vale a pena ser pelo menos experimentado pelos jogadores de plataformas mobile.
O Review
The Division: Ressurgence
Apesar de dar alguns tropeços na progressão e principalmente nos controles touch, The Division: Ressurgence consegue replicar com maestria a formula que tornou a franquia um imenso sucesso nos consoles e PC, integrando o loop de gameplay a mecânicas de jogos de celular de maneira natural, conseguindo criar um ambiente justo e extremamente divertido para todos os jogadores.
PRÓS
- Gameplay fielmente recriada e adaptada para os celulares
- Ambientação imersiva
- Multiplayer cooperativo muito bem integrado
- Dark Zone está mais hostil do que nunca
CONTRAS
- Progressão e monetização podem desagradar alguns jogadores
- Controles touch podem gerar desconforto






