Em 2006, o mundo foi apresentado a The Elder Scrolls IV: Oblivion, desenvolvido e publicado pela Bethesda. O título rapidamente se consolidou como um dos RPGs mais aclamados de todos os tempos. Na época, foram 1,7 milhões de cópias vendidas em apenas 20 dias — um marco expressivo tanto para a empresa quanto para a indústria dos jogos eletrônicos. O sucesso avassalador não só consolidou a franquia The Elder Scrolls no mercado, como também formou uma legião de fãs apaixonados ao redor do mundo.
Agora, mais de 19 anos depois, a Bethesda surpreende ao anunciar e lançar no mesmo dia The Elder Scrolls IV: Oblivion Remastered. Porém, trata-se de muito mais do que uma simples remasterização — o jogo foi completamente refeito na Unreal Engine 5, trazendo gráficos, mecânicas e novidades que vão além de um mero polimento visual.
Mas afinal, valeu a pena esperar quase duas décadas pela remasterização de um dos títulos mais queridos da história dos videogames? É o que você confere na nossa análise completa.
Um mundo bonito e extremamente familiar.

Já há algum tempo, a Bethesda vem sendo alvo de críticas por insistir no uso do mesmo motor gráfico em seus jogos — uma escolha que gerou desconfiança e descontentamento por parte dos fãs, especialmente desde 2018. Para a surpresa de muitos, os responsáveis pelas franquias The Elder Scrolls e Fallout decidiram romper com esse paradigma ao trazer, na remasterização de Oblivion, um dos jogos mais impressionantes graficamente de sua história, graças à poderosa Unreal Engine 5.
Mais do que belos gráficos e efeitos de iluminação de última geração, o que realmente mantém a identidade deste título é aquilo que sempre definiu os mundos da Bethesda: a imensa liberdade de escolha. Embora exista uma missão principal — que envolve impedir a invasão dos demônios de Oblivion e salvar Tamriel —, nada impede que o jogador abandone completamente esse objetivo para se dedicar à exploração, às interações com o mundo ou às mais diversas atividades paralelas. E, como sempre, o jogo o recompensa por isso.
A narrativa da missão principal de The Elder Scrolls IV: Oblivion Remastered continua sólida, envolvente e repleta de personagens marcantes. A constante alternância entre Tamriel e as temíveis planícies infernais garante um ritmo dinâmico e tenso. No entanto, Oblivion nunca foi apenas sobre sua campanha principal. As missões secundárias — como as que envolvem a famosa Guilda dos Ladrões, por exemplo — são verdadeiras aventuras por si só. Elas estão longe de serem mero conteúdo opcional; são extensões orgânicas de um mundo rico, detalhado e absurdamente vivo.
Outro ponto que merece destaque é que a Bethesda foi muito além de um simples aprimoramento visual. Vários personagens — especialmente elfos — tiveram suas vozes regravadas, conferindo mais naturalidade e qualidade às interações. Além disso, diversas falas foram atualizadas, criando uma mescla muito bem-sucedida entre as vozes originais e novas gravações. O resultado é uma experiência que respeita o passado, mas que soa atual, polida e imersiva.
Se você não vai até o inferno, o inferno vai até você.

A missão principal de The Elder Scrolls IV: Oblivion pode parecer relativamente simples à primeira vista, mas, na prática, revela-se uma trama repleta de nuances, complexidade e um leque generoso de escolhas que se expandem conforme o jogador progride na aventura.
Tudo se inicia com seu personagem encarcerado, por razões desconhecidas, em uma cela. O destino, porém, rapidamente toma um rumo inesperado quando o Imperador Uriel Septim VII — alvo de uma conspiração mortal — cruza seu caminho. Ao confiar no protagonista, Uriel compartilha uma visão profética na qual seu personagem surge como o único capaz de impedir a destruição total do mundo. A ameaça vem de Oblivion, uma dimensão infernal habitada pelos temíveis Daedra, entidades demoníacas do universo de The Elder Scrolls.
Com inúmeros portais de Oblivion surgindo por toda Tamriel, hordas de Daedra assolam cidades e vilarejos, massacrando tudo e todos, sem deixar sobreviventes. A missão, portanto, recai sobre seus ombros: selar os portais, impedir a invasão e, consequentemente, salvar todo o reino. Uma tarefa simples, modesta… e sem nenhuma pressão, é claro.
Ao longo dessa jornada, o jogador se depara com inúmeras reviravoltas. Uma das principais envolve um culto fanático dedicado a Mehrunes Dagon, o príncipe Daédrico do Destruição, que atua como o grande antagonista por trás dos eventos catastróficos do jogo. Naturalmente, há muitos outros momentos marcantes que, por respeito à experiência do jogador — especialmente daqueles que terão seu primeiro contato com o título —, é melhor serem descobertos diretamente, dentro do jogo.
Um dos maiores desafios enfrentados pela versão original de 2006 estava no aspecto técnico: transitar entre Tamriel e Oblivion era frequentemente frustrante, graças às constantes telas de carregamento — uma limitação tecnológica da época. Felizmente, isso ficou no passado. Graças às tecnologias atuais e ao trabalho de otimização conduzido pela Virtuos, responsável pelo remaster, essas transições tornaram-se praticamente instantâneas. Pequenas pausas substituem os longos carregamentos, preservando o ritmo da aventura e proporcionando uma imersão muito mais fluida e agradável.
Algumas insistências do passado.

Apesar de ser uma obra extremamente bem executada, visualmente deslumbrante e tecnicamente polida, The Elder Scrolls IV: Oblivion Remastered ainda carrega consigo alguns problemas bastante específicos — muitos deles consequência direta de seu compromisso em se manter fiel ao material original. Que fique claro: isso não é, necessariamente, algo negativo. No entanto, certos elementos que, sem dúvida, envelheceram mal, poderiam — e talvez deveriam — ter sido revisados, ajustados ou até mesmo removidos.
Um dos exemplos mais incômodos está no sistema de notificações. Sempre que o jogador conclui ou progride em qualquer missão, uma janela de texto surge bem no centro da tela, interrompendo a gameplay de maneira abrupta e quebrando a imersão, especialmente em momentos mais intensos ou cinematográficos. E, infelizmente, isso não acontece de forma pontual, mas sim com uma frequência considerável, tornando-se uma distração recorrente.
Outro elemento que retorna diretamente do jogo original é o minigame de persuasão. Embora a proposta seja, em teoria, interessante, na prática, continua sendo pouco intuitiva, confusa e, muitas vezes, frustrante. Exige não apenas tempo, mas também uma dose generosa de paciência para que o jogador compreenda sua lógica pouco clara — algo que, convenhamos, poderia ter sido modernizado.
Por outro lado, nem tudo permaneceu intocado. Uma das mudanças mais acertadas está no sistema de progressão de níveis. Na versão original, a evolução do personagem estava atrelada exclusivamente às skills primárias. Por exemplo, um guerreiro só subiria de nível ao aprimorar perícias como armas brancas ou armaduras pesadas. Agora, essa mecânica se aproxima muito mais do que foi visto em The Elder Scrolls V: Skyrim, onde qualquer progresso em qualquer habilidade contribui para o nível geral do personagem. Trata-se, sem dúvida, de uma melhoria extremamente bem-vinda, que torna a progressão mais fluida, natural e menos punitiva.
Contudo, nem tudo foi modernizado com a mesma eficiência. Um problema clássico que persiste — e que sempre dividiu opiniões — é o nivelamento do mundo. A maior parte dos inimigos, senão todos, escalam diretamente com o nível do jogador. Isso cria uma barreira natural contra o fenômeno comum em RPGs onde o personagem se torna uma máquina de destruição incontrolável. No entanto, o sistema também carrega um efeito colateral: inimigos que já são naturalmente desafiadores tornam-se, em certos momentos, desproporcionalmente poderosos. Isso pode transformar encontros que deveriam ser equilibrados em verdadeiros testes de paciência, especialmente nas dificuldades mais altas.
Em resumo, Oblivion Remastered permanece incrivelmente fiel às suas raízes, para o bem e, em alguns casos, para o mal. A sensação é que, embora diversas melhorias tenham sido implementadas, certos elementos poderiam — e talvez devessem — ter sido atualizados com mais ousadia, visando oferecer uma experiência ainda mais refinada tanto para os veteranos quanto para os novos jogadores.
E ai? The Elder Scrolls IV: Oblivion Remastered Vale a pena?

The Elder Scrolls IV: Oblivion Remastered possui uma vasta gama de qualidades — e, de fato, são muitas. Entretanto, é impossível ignorar que a balança, em determinados momentos, pende perigosamente para o centro, justamente por conta dos problemas herdados de sua versão original. Por mais que tenha sido um lançamento surpreendentemente polido, tecnicamente sólido e bem recebido tanto pela crítica quanto pelo público, certas decisões — ou a ausência delas — em relação a modernizar mecânicas envelhecidas acabam pesando negativamente na experiência.
De maneira geral, trata-se, sem dúvida, de um título que vale muito a pena ser jogado. Foi, sem sombra de dúvidas, uma das melhores surpresas de 2025, conseguindo agradar tanto aos fãs de longa data quanto atraindo uma nova geração de jogadores para a franquia. Contudo, persiste uma leve sensação de que Oblivion Remastered poderia — e deveria — ter sido algo ainda maior, mais ousado e ambicioso. Ao optar por uma abordagem conservadora, priorizando a fidelidade absoluta ao material original, o projeto acabou, em certa medida, sacrificando parte de seu potencial pleno.
Por outro lado, não se pode ignorar avanços extremamente positivos, como a localização oficial para o português do Brasil — um acréscimo que faz toda a diferença, especialmente considerando que o jogo possui centenas de linhas de diálogo, fator que, em 2006, era uma barreira considerável para muitos jogadores brasileiros.
Portanto, se você busca um RPG de mundo aberto, repleto de conteúdo, liberdade, exploração e centenas de horas de diversão — ou se simplesmente deseja reviver uma das melhores experiências do gênero —, The Elder Scrolls IV: Oblivion Remastered continua sendo uma escolha extremamente válida.
A análise deste título foi feita com uma cópia gratuita cedida pela Bethesda.
O Review
The Elder Scrolls IV: Oblivion Remastered (PS5)
Uma revitalização necessária no clássico de 2006, Oblivion Remasterizado trás ótimos gráficos e diversas mudanças positivas. Infelizmente, a vontade de manter o material original intocado faz com que todo o potencial do jogo fique ofuscado e até alguns problemas do lançamento original persistam no título até hoje.
PRÓS
- Excelentes gráficos
- Ambientação muito bem feita
- O mundo é vasto e rico em exploração
CONTRAS
- Pouca ousadia nas novidades
- O jogo possui alguns stutters durante a gameplay que chegam a incomodar
- O combate do jogo pode ser estranho para novos jogadores






