The Last of Us Part II foi lançado originalmente em 2020, exclusivamente para PlayStation. Agora, o jogo finalmente chega ao PC em sua versão remasterizada, que havia sido lançada para PS5, trazendo novos conteúdos, além de melhorias adicionais e suporte a funcionalidades específicas para computadores. Nesta review, vamos explorar o jogo em detalhes e avaliar sua adaptação para a plataforma PC.
É necessário abordar os eventos de The Last of Us Part I ao falarmos sobre a Parte II, então esta análise contará com leves spoilers do primeiro jogo.
Intenso e emocionante
The Last of Us conta a história de sobreviventes em um mundo pós-apocalíptico devastado por uma pandemia causada por um fungo real chamado Cordyceps. A narrativa dá grande ênfase aos sobreviventes — daí o título “Os Últimos de Nós” — e mostra como a sociedade se reestruturou para continuar existindo. No primeiro jogo, acompanhamos uma história de esperança protagonizada por dois personagens: Joel e Ellie, que precisam atravessar os Estados Unidos com o objetivo de chegar a um hospital, onde será possível desenvolver uma vacina graças à imunidade de Ellie ao fungo. Contudo, as coisas não saem como o esperado, e ambos acabam tendo de fugir para salvar suas vidas.

A história de The Last of Us Part II Remastered começa cinco anos após os eventos do primeiro jogo. Joel e Ellie retornam a Jackson, uma comunidade onde o irmão de Joel é um dos responsáveis. Lá, encontram um ambiente mais seguro do que tudo que enfrentaram anteriormente, mas também marcado por tudo que viveram — e pelo rastro de sangue deixado para trás.

Esse mesmo rastro leva uma pessoa a buscar vingança contra os dois, desencadeando um trágico evento que inicia uma jornada marcada por ódio — tanto por parte dos personagens quanto do jogador. Esse ódio cega todos os envolvidos, numa história que nos conduz a Seattle, em uma caçada insana repleta de ação, perseguições e sangue, numa campanha que dura entre 20 a 30 horas. Já não há mais espaço para esperança nesse segundo jogo — apenas para o ódio.

O enredo de The Last of Us Part II sempre foi motivo de debate desde o seu lançamento. Algumas pessoas alegam que a ordem narrativa prejudica o todo, que certos eventos não foram bem desenvolvidos, e até afirmam que a história é ruim. A verdade é que essa narrativa abalou tanto o público que muitos passaram a construir suas próprias “versões preferidas” dos acontecimentos. Mas isso não significa que o que foi apresentado seja ruim de qualquer forma. Esta história é marcante, emocionante, intensa e conta com set pieces incríveis, além de momentos mais lentos que podem parecer deslocados em meio ao caos — mas que estão ali por um motivo, e um muito bom.
Um elenco de personagens marcante
Ainda sobre a história, é importante destacar os personagens. Este é um elenco extremamente interessante. O mundo de The Last of Us, desde o primeiro jogo, já se mostrou brutal — e aqui, ele está ainda mais cruel. Os responsáveis por essas crueldades são quase sempre os próprios humanos.

Vemos o desenvolvimento de diversos personagens que habitam uma zona cinzenta no compasso moral. Você gosta deles, mas questiona algumas de suas decisões. Você se importa com seu destino, mas sempre com uma certa desconfiança. Se eu pudesse resumir em poucas palavras, diria que esses personagens, dentro do contexto do jogo, são profundamente humanos. Desde os antigos, como Joel, Ellie e Tommy, até os novos, como Abby, Lev e Dina, todos têm um papel extremamente importante e relações fortes com os demais, que vão te impactar de alguma forma. No fim do dia, você provavelmente se perguntará se realmente existe algum tipo de vilão nesta história.
Jogabilidade refinada e satisfatória
Mas como funciona The Last of Us Part II? Temos aqui um jogo de ação em terceira pessoa, cuja base da jogabilidade se divide em três pilares principais: exploração, combate e gerenciamento de recursos. Você provavelmente já viu esse modelo muitas vezes, e ele não é exatamente revolucionário, mas o cuidado e a dedicação aplicados aqui são impressionantes.

Começando pela exploração, o nosso mapa principal durante a campanha é a cidade de Seattle, no estado de Washington. Por conta do apocalipse, a cidade perdeu muito de sua beleza, mas sua estrutura marcante — com grandes prédios, parques, arranha-céus e distritos residenciais — ainda está lá, embora muitas vezes tomada pela natureza. Durante a exploração, encontramos inúmeros recursos que podemos coletar (limitados a três de cada tipo), os quais servem para diversas utilidades. Também encontramos diferentes tipos de colecionáveis e documentos que nos contextualizam sobre a situação atual da cidade e o seu passado, durante o início da propagação do vírus.

Na segunda etapa, o gerenciamento de recursos, utilizamos os itens coletados para fabricar ferramentas essenciais para o combate. Podemos criar granadas, flechas, kits médicos e muito mais. É interessante destacar que algumas dessas ferramentas compartilham os mesmos materiais. Por exemplo, o coquetel molotov, que é bastante útil, é feito com pano e álcool — os mesmos ingredientes usados no kit médico. Isso faz com que o jogador precise refletir cuidadosamente sobre como utilizar seus recursos escassos.

Por fim, temos os encontros de combate, que ocorrem durante a exploração. Usamos os recursos coletados para ter as ferramentas necessárias para enfrentar os desafios do jogo. As arenas de confronto são variadas e colocam o jogador em diversas situações complicadas — muitas vezes claustrofóbicas. Para lidar com esses momentos, temos duas opções principais: furtividade ou combate direto. A primeira envolve eliminar inimigos silenciosamente, enquanto a segunda consiste em utilizar todos os nossos recursos, como armas brancas, explosivos e armamentos pesados. Ambas funcionam muito bem e proporcionam experiências extremamente satisfatórias.
De forma geral, é um título extremamente competente em todos os pilares que citei. Você está constantemente se divertindo, engajado com os sistemas, com o mundo e com os inimigos — sejam eles humanos, infectados ou ambos ao mesmo tempo. Isso gera situações memoráveis ao longo da campanha.
Sistemas de progressão
A progressão em The Last of Us Part II Remastered é bastante direta. Ao longo da exploração (olha esse pilar aparecendo novamente), coletamos pílulas que podem ser usadas para desbloquear melhorias para Ellie, como usar o kit médico mais rapidamente ou fabricar flechas.

A chave do jogo está no fato de que a exploração também nos recompensa com manuais de especialização, que liberam novas árvores de habilidades que complementam o estilo de jogo do jogador. Um exemplo é a árvore dedicada à furtividade, que dificulta a detecção pelos inimigos e permite criar um silenciador para a pistola.
Em geral, o sistema funciona muito bem e é recompensador desbloquear aquela habilidade que sabemos que vai nos ajudar a jogar melhor. Contudo, as escolhas aqui também são importantes, pois não é possível desbloquear tudo até o fim da campanha. Por isso, é necessário planejar bem as opções.
Level design e gráficos
No que diz respeito ao design de níveis de The Last of Us Part II, a Naughty Dog se dedicou intensamente a oferecer ao jogador ambientes ricos em detalhes, extraindo ao máximo o potencial do PlayStation 4 na época do lançamento original. Você atravessará diversas áreas — rurais, florestas, cidades com bairros comerciais e residenciais —, todas facilmente reconhecíveis mesmo em rejogadas. Você sabe em que parte da cidade está e o que tem pela frente.

As arenas de combate, como já mencionei, são projetadas com muita inteligência para fornecer recursos e alternativas ao jogador. Ellie, diferente de Joel, consegue pular e até se deitar no chão, o que abre um leque de novas possibilidades. Sempre há uma passagem ou uma forma diferente de resolver cada confronto, o que enriquece a experiência.
Extras e modo “Sem Volta”
The Last of Us Part II Remastered conta com muitos extras interessantes que podem ampliar sua experiência. O título inclui modo New Game+, dificuldade punitiva, modo foto e uma variedade de conteúdos desbloqueáveis ao finalizar o jogo — desde skins até filtros para personagens. Ou seja, há muito o que aproveitar mesmo depois de concluir a campanha principal.

Mas o que realmente chama a atenção é o modo “Sem Volta”, um roguelike dedicado ao combate (que, como já mencionei, é excelente). Nele, selecionamos um personagem com um conjunto específico de armas e habilidades, e entramos em um mapa onde enfrentamos uma série de arenas com inimigos que vêm em ondas, com modificadores diversos. No final, enfrentamos um chefe. Caso morramos, perdemos toda a progressão e os recursos coletados entre as arenas. É um modo viciante, desafiante e muito bem implementado.

Além disso, The Last Of Us Part II Remastered traz também as Fases Perdidas, um conjunto de trechos que acabaram não aparecendo no jogo final. Essas fases são interessantes porque vêm acompanhadas de comentários da equipe de desenvolvimento, que explicam qual era a ideia por trás de cada cena — e, em alguns casos, até o motivo de ela não ter sido incluída na versão final. É um conteúdo muito bacana para os entusiastas da série, oferecendo um olhar mais profundo sobre o processo criativo do jogo.
Performance no PC e Steam Deck
Agora, falando sobre como The Last of Us Part II Remastered está rodando no PC: muito bem. Os requisitos parecem um pouco exigentes à primeira vista, mas o título apresenta qualidade em todos os presets gráficos e oferece desempenho estável. Não tive problemas com bugs ou quedas de performance — uma experiência bem mais tranquila em comparação com o primeiro jogo, que até hoje apresenta muitos problemas no PC.

No Steam Deck, joguei principalmente o modo “Sem Volta”, e a performance foi muito boa. Claro, a qualidade gráfica é ajustada para o portátil, mas o jogo roda de forma consistente a 60 FPS com uso de FSR para estabilização. Não é a melhor experiência possível, mas é plenamente jogável do início ao fim — e bastante divertida.
Acessibilidade e demais recursos
Esta versão para PC de The Last Of Us Part II Remastered traz diversos recursos novos, como suporte a ultrawide, DLSS, Frame Generation e suporte completo ao DualSense no PC, com todas as funcionalidades como gatilhos adaptáveis. Joguei a maior parte do tempo com o DualSense e tudo correu muito bem.

Em termos de acessibilidade, os jogos da PlayStation vêm sendo referência há anos e em The Last Of Us Part II Remastered. Há inúmeros recursos para melhorar a experiência do jogador — desde dificuldades modulares, em que você ajusta cada aspecto do desafio, até ferramentas voltadas a pessoas com deficiência auditiva ou visual. Há muito o que explorar nessa área, e com certeza você encontrará maneiras de adaptar a experiência conforme suas necessidades. Vale a pena conferir as opções: são algumas das mais completas do mercado.
Vale a pena jogar The Last of Us Part II Remastered?
Eu já nem tenho mais elogios para The Last of Us Part II Remastered. Este é, com certeza, um dos meus jogos favoritos da vida. O port para PC está extremamente bem feito e é altamente recomendável — até mesmo para jogar no Steam Deck.
Este título vai te marcar, seja pela jogabilidade divertida, responsiva e satisfatória, seja por sua história com personagens marcantes e memoráveis. Seja como for, esta é, sem dúvida, a recomendação mais fácil que já dei em uma review.
O Review
The Last of Us Part II Remastered
The Last of Us Part II Remastered chega ao PC com melhorias visuais, ótimo desempenho e novos conteúdos. A narrativa intensa, os personagens marcantes e a jogabilidade refinada tornam o jogo inesquecível. O modo “Sem Volta” adiciona valor à experiência, e os recursos de acessibilidade impressionam. Um port excelente e altamente recomendado para qualquer tipo de jogador.
PRÓS
- História e narrativa excelentes
- Jogabilidade refinada
- Modo "sem volta" é uma ótima adição






