The Siege and the Sandfox foi revelado inicialmente em 2017 como uma espécie de protótipo técnico e conceito: a proposta era oferecer uma combinação inusitada de furtividade com a estrutura típica de jogos metroidvania, aliada a uma pixel art detalhada e uma ambientação que remete aos primórdios de Prince of Persia. Só essa mistura já havia chamado minha atenção, mas seria suficiente para resultar em um jogo realmente de qualidade?
A história clichê mas contada com carinho
Nossa narrativa se passa no reino de Akabeh, que está sendo cercado por forças inimigas com o objetivo de enfraquecer a cidade e invadi-la. Para impedir que isso aconteça, assumimos o papel de Sandfox, um espião extremamente experiente que trabalha diretamente para o rei de Akabeh. Em missão para alertar sobre essa investida contra o reino e colaborar com o planejamento da defesa, Sandfox parte em direção ao palácio. Contudo, ao chegar lá, ele é injustamente acusado de traição e assassinado, sendo jogado nas profundezas da cidade para apodrecer. Mas isso não acontece, sandfox sobrevive, e a partir daí começa a traçar seu caminho para salvar o reino da ruína e se vingar.

A história não tenta reinventar a roda, mas é eficiente: apresenta motivações claras, um universo interessante e, principalmente, uma narrativa cativante. Ela é contada por uma narradora de voz marcante, que se aprofunda em aspectos curiosos do mundo e nos guia pelo mapa de forma envolvente. No geral, a trama cumpre seu papel, mas nada além disso. Com certeza, não será pela história que The Siege and the Sandfox será lembrado.
Conheça o Stealthvania
Em termos de jogabilidade, fui bastante surpreendido. O conceito de stealthvania, que tanto divulgaram em torno de The Siege and the Sandfox, realmente é um dos seus principais pilares. Há um compromisso muito forte em entregar essa experiência, começando pelo fato de que o jogo não possui nenhum tipo de combate direto. Todos os inimigos precisam ser enfrentados com métodos furtivos, e qualquer erro pode ser fatal.

Aqui, a fórmula não muda muito do que já conhecemos: os inimigos patrulham em rotas pré-definidas e reagem quando veem ou escutam o jogador. Por isso, você precisa primeiro dominar a movimentação do Sandfox, que é capaz de escalar, se pendurar, rolar e agachar. Tudo isso é muito preciso e bem executado. Para complementar, será necessário fazer uso de ferramentas como o gancho, bombas de fumaça e outras que ajudam a abater os inimigos sem ser visto.

Quanto à parte de exploração, The Siege and the Sandfox apresenta um mapa interconectado, com diversas áreas que, no início, são inacessíveis, exigindo novas ferramentas ou habilidades para serem alcançadas. O aspecto interessante é que muitos desses caminhos inacessíveis são rotas alternativas para o mesmo objetivo, às vezes mais fáceis. Para exemplificar, se você precisa acessar um dos palácios, seguir pela rota tradicional pode significar passar por muitos inimigos e desafios. Já se optar por uma rota que antes era inacessível, poderá chegar mais rápido e de forma mais tranquila. Isso é muito interessante, pois oferece múltiplas soluções para um mesmo problema e faz você realmente se sentir uma sombra se movimentando pelos corredores.
Contudo, The Siege and the Sandfox também tem problemas nessa proposta. Primeiro, muitas vezes você não vai se sentir livre para explorar o mundo conectado, mas sim levado aos seus objetivos de maneira quase forçada. Segundo, os checkpoints são espaçados e têm o objetivo de punir decisões apressadas dos jogadores, o que pode tornar a experiência um pouco frustrante, principalmente na reta final do jogo. Em geral, achei que o jogo cumpre muito do que se propôs com esse subgênero de stealthvania, mas há pontos que certamente podem ser melhorados.
Progressão minimalista e funcional
Aqui preciso dar muito mérito a The Siege and the Sandfox por não trazer diversas árvores de habilidades complexas, experiência ou sistemas de loot, que são elementos extremamente populares nos jogos hoje. A progressão é focada em upgrades de equipamento e na descoberta de novas áreas no mapa.

Como o level design é bem inteligente e incentiva o uso eficiente do backtracking para encontrar passagens secretas e rotas rápidas, conhecer o jogo e suas mecânicas se torna algo recompensador e envolvente. Você passa a prestar muita atenção ao seu redor e a imaginar diferentes rotas de parkour para atravessar os inimigos e alcançar seu objetivo. Achei excelente esse aspecto.
Aspectos técnicos e artísticos
Preciso dizer que menti: não foi o conceito de stealthvania que chamou minha atenção, mas sim a absurda e incrível pixel art, que torna o jogo um espetáculo visual. Ela traz detalhes impressionantes, iluminação dinâmica, muitos efeitos de poeira sempre que executamos um movimento, além de cenários inspirados no Oriente Médio, como palácios dourados, masmorras úmidas e bibliotecas abandonadas. Tudo em The Siege and the Sandfox é montado nesse mapa interconectado de forma extremamente coesa, fazendo o jogador acreditar que está realmente passeando por ruas e construções de um reino.

A trilha sonora também é excelente, embora discreta, com músicas intensas durante os confrontos mais difíceis e fugas. Porém, a parte que mais chama atenção é o design de som. Toda ação em The Siege and the Sandfox gera um som distinto e diferente: os passos mudam conforme a superfície onde estamos andando, o que também impacta na jogabilidade, além dos efeitos sonoros de cada ferramenta utilizada. Tudo isso é feito com maestria.
Em relação à parte técnica, o jogo possui algumas poucas opções de acessibilidade, mas conta com legendas em português. No geral, rodou super bem e sem problemas tanto no meu computador quanto no meu Steam Deck.
Vale a pena jogar The Siege and the Sandfox?
The Siege and the Sandfox apela para dois nichos específicos: os fãs de stealth hardcore e os fãs de metroidvania, onde o jogo se mostra bastante competente. Ele traz uma abordagem rigorosa ao stealth, ausência de combate direto e um foco na exploração silenciosa, junto com o backtracking e o conhecimento para montar rotas alternativas. Tudo isso entrega uma experiência divertida, polida e até marcante.
Se você é fã de stealth clássico, como jogos como Thief, e curte level designs inteligentes, como os de Metroid, e não se incomoda com o ritmo mais lento do título, vale muito a pena jogar. Com certeza, é um jogo que vai te conquistar em muitos de seus acertos, mas que também será lembrado pelos pequenos erros que mereciam um pouco mais de cuidado no desenvolvimento.
O Review
The Siege and the Sandfox
The Siege and the Sandfox mistura stealth rigoroso com exploração metroidvania, destacando-se pela pixel art incrível e ambientação inspirada no Oriente Médio. A movimentação precisa e o design do mapa incentivam o uso de rotas alternativas. O jogo oferece uma experiência e compensadora e sólida para fãs de stealth hardcore e metroidvania.
PRÓS
- Movimentação fluída e responsiva
- Arte e trilha sonora espetaculares
- Mecânicas stealth rigorosas
- Progressão simples mas eficiente
CONTRAS
- Linearidade excessiva no início
- Falta de checkpoints






