Towa and the Guardians of the Sacred Tree é o mais novo roguelite publicado pela Bandai Namco e que traz uma proposta bem interessante e diferente dos demais jogos do mercado, mas será que agrega à fórmula ou só prejudica o jogo? A gente vai descobrir tudo isso nessa review completa.
Uma maior ênfase em sua história
Nossa ambiciosa história começa em um reino místico e distante, em uma grande vila chamada Shinju, que atraía diversos mercados e pessoas curiosas para conhecer, pois essa vila crescia embaixo de uma árvore sagrada que servia de casa para o Deus Shinju (a vila foi nomeada assim em homenagem a ele). Este lugar abençoado atraía todo tipo de gente de diversas raças, como homens-peixe, mulheres-gatos e muitos outros, dando vida a essa terra repleta de cor, magia e bênção.

Contudo, também atraiu o mal chamado Magatsu, que trouxe a essa terra e até ao Deus Shinju um conflito, usando uma magia maligna nomeada misma para corromper a terra e acabar com a paz da Vila Shinju, além de ameaçar a árvore sagrada. Para lutar em busca da paz, assumiremos o papel de Towa, uma jovem sacerdotisa que terá, junto com seus guardiões, de reconquistar suas terras e destruir os Magatsu.

Essa história é muito densa, contada através de diversas cenas com outros personagens e até monólogos da protagonista. E isso em Towa and the Guardians of the Sacred Tree (que, a partir deste parágrafo, irei me referir apenas como Towa) com certeza foi o primeiro aspecto que chamou a minha atenção. Em Towa existe uma ênfase muito forte em apresentar um universo, desenvolver personagens e se aprofundar neles, o que me pegou bastante de surpresa, já que não é muito comum do gênero. Em geral, apesar de ser uma clássica história de “bem contra o mal”, eu gostei.
Porém, acho que as cenas excessivas que entram no caminho da jogabilidade acabam sendo cansativas. Às vezes você só quer fazer uma run e aparecem cenas de 5 a 10 minutos. Outro ponto que incomoda é o fato de o jogo não possuir legendas em português do Brasil, o que pode impedir muitas pessoas de aproveitarem essa história.
Uma jogabilidade em duplas
Em relação à jogabilidade, Towa apresenta dois estilos distintos, o que também é novidade para o gênero: o primeiro é o de gestão da vila Shinju, feito usando a própria Towa. Podemos explorar a cidade, conversar com personagens, mexer nos status, produzir armas e muito mais. Essa parte é fundamental para o sucesso em combate durante as runs.

Já na parte do combate, onde realmente entramos em ação, também há novidades. Jogamos com um par de personagens escolhidos entre os oito guardiões. Cada um deles possui habilidades, armas e também uma progressão diferente durante a run. Selecionamos um personagem como suporte, chamado “Kagura”, e outro como principal, chamado “Tsuguri”. É importante levar em consideração suas habilidades para que se complementem de maneira eficiente em combate.

Entrando em ação, passamos por diversas salas em diferentes ambientes, como florestas, montanhas e muitos outros. De sala em sala, enfrentamos desafios, encontramos NPCs vendendo itens para ajudar na run (falarei disso na parte de progressão) e muito mais. O jogo todo tem visão isométrica que lembra bastante Hades, com um combate rápido, divertido e eficiente. Utilizamos duas armas diferentes, cada uma com seu moveset específico. Um detalhe importante é que elas se esgotam, então precisamos alternar constantemente, pois, enquanto usamos uma, a outra recarrega. Isso dinamiza bastante a run, já que você vai querer que as duas armas sempre estejam com os melhores upgrades para facilitar.

Em termos gerais, Towa oferece uma jogabilidade rápida e divertida em combate, mas cadenciada e até mesmo cansativa quando estamos fora dele. O gerenciamento da vila Shinju é interessante, mas são muitos microssistemas para acompanhar, exigindo tempo e dedicação. Eu aprecio o trabalho feito aqui, mas não acho agradável levar de 20 a 40 minutos entre uma run e outra. Ainda assim, é importante ir de mente aberta, já que isso pode não ser incômodo para todos os jogadores.
Sistemas de progressão e dificuldade
Falando agora sobre a progressão, aqui também temos duas formas. Novamente com Towa na vila Shinju, podemos realizar diversas atividades, como forjar novas armas para os guardiões utilizando metais mágicos coletados durante as runs, conversar com NPCs para melhorar relações, distribuir esferas mágicas para aumentar e desbloquear diferentes habilidades dos guardiões e muito mais. São muitos sistemas, principalmente o de forja, que é bem complexo e cheio de etapas. Fiquei surpreso e achei excelente.

Assim que as habilidades dos guardiões e as armas estiverem ajustadas, podemos iniciar a run. Em cada sala enfrentamos diversos inimigos e, no fim, coletamos recompensas que funcionam como cartas para aprimorar habilidades, seja para o dash, o ataque carregado ou o ataque básico. Existem muitas habilidades diferentes que aumentam o dano, aplicam efeitos especiais e possuem raridades distintas, sendo douradas as mais fortes e brancas as mais simples.

Em termos gerais, eu achei novamente que ambos os sistemas, tanto com Towa quanto em combate com os guardiões, foram excelentes. Contudo, mais uma vez a parte de Towa tem muito destaque e pode atrapalhar a parte realmente interessante, que é o combate. Ainda assim, são sistemas bem competentes que, em conjunto, permitem combinações interessantes para testar. Porém, devo dizer que o jogo é fácil e não demora muito para encontrar uma combinação de guardiões com boas armas e upgrades que tornam até mesmo os chefes pouco desafiadores nas runs.
Aspectos técnicos e artísticos
Falando da parte técnica agora, é importante destacar que este é um título bem simples, então não teremos gráficos surpreendentes ou revolucionários. Mas ele se apoia bastante em sua estética e direção de arte, ambos que destaco como belíssimos, principalmente no que se refere ao jogo de cores. Existem áreas que são muito bonitas, e o design dos personagens, mais puxado para o estilo anime, também chama a atenção de maneira marcante.

Outro elemento que complementa bastante é a sua dublagem, que eu achei impressionantemente boa. Alguns guardiões têm um carisma reforçado graças às suas vozes. As músicas também são belíssimas, com muita ênfase no instrumental. Tudo isso garante um título que roda bem e de maneira sólida no PlayStation 5; não tive problemas com quedas de frames ou bugs durante toda a minha experiência, correu tudo bem. Mas há um ponto negativo: a falta de muitas opções de acessibilidade. É um jogo bem simples nesse aspecto também.
Afinal, vale a pena jogar Towa and the Guardians of the Sacred Tree?
Se você se interessou pela proposta da história e pela dinâmica de jogabilidade dupla que mistura gestão e combate, há grandes chances de se encantar com este título. No entanto, ele chega em um momento delicado, com lançamento marcado para 18 de setembro, em meio a uma enxurrada de grandes jogos. Isso significa que será preciso dar uma atenção especial para que ele não passe despercebido.
Ainda assim, acredito que a experiência valha a pena. Towa traz frescor, dinamismo e muito potencial. Porém, existe uma certa crise de identidade: em alguns momentos ele flerta com o aconchego de um cozy game, em outros assume a intensidade de um roguelite. Há ocasiões em que essa combinação funciona de forma criativa e complementar, mas em outras ela acaba atrapalhando o impacto da experiência final.
O Review
Towa and the Guardians of the Sacred Tree
Towa and the Guardians of the Sacred Tree oferece uma mistura encantadora de história, jogabilidade com personagens duplos e combate estratégico que pode facilmente cativar os jogadores. É único e dinâmico, com claro potencial. Apesar de uma certa tensão entre elementos de jogo aconchegante e mecânicas roguelite, a experiência final é interessante e recompensadora quando explorada com atenção.
PRÓS
- História envolvente e mundo místico bem construído.
- Jogabilidade dupla (personagens em dupla) que mistura combate e estratégia.
- Combinação de mecânicas roguelite com elementos cozy traz momentos criativos e interessantes.
CONTRAS
- Algumas vezes a mistura de cozy game com roguelite causa tensão e prejudica a experiência.
- Falta de legendas em português Brasil
- Baixo nível de dificuldade






