Desde o primeiro anúncio, Wuchang: Fallen Feathers estava no meu radar. Tudo o que foi apresentado desde então sempre chamou minha atenção. Mas será que o jogo é realmente bom? Vamos descobrir nesta review.
Como não contar uma história
Wuchang: Fallen Feathers se passa na China, durante os últimos anos da dinastia Ming. Apesar de o período não ser exatamente relevante para o enredo, assumimos o papel de Wuchang, uma mulher acometida por uma misteriosa doença chamada Plumagem, que faz com que os infectados desenvolvam penas pelo corpo, percam a memória e enlouqueçam até se tornarem criaturas monstruosas.

Wuchang desperta em um templo que serve de refúgio para outros sobreviventes, onde um médico busca maneiras de retardar os efeitos da Plumagem ou, com sorte, encontrar uma cura. Sem muitas lembranças e preocupada com o avanço da infecção, partimos em uma jornada para ajudar o médico e outros personagens, relembrar nosso passado e, por fim, tentar nos livrar da doença.

Apesar de partir de uma premissa interessante, Wuchang: Fallen Feathers tropeça em sua narrativa. A história é contada principalmente por meio de itens e diálogos com NPCs, seguindo o estilo da FromSoftware. No entanto, o excesso de termos, personagens e descrições obscuras, somado à forte presença de referências culturais pouco familiares ao público ocidental, torna a compreensão extremamente difícil. A sensação é de desorientação constante: você não sabe exatamente o que está fazendo, nem por que. Faltou cadência na introdução dos conceitos e isso compromete significativamente a experiência narrativa.
Level Design, exploração e dificuldade
Antes de falarmos da jogabilidade, é preciso destacar o level design de Wuchang: Fallen Feathers, que também é usado para contar fragmentos da história, incentivar a exploração e desafiar o jogador.Visitaremos florestas, vilarejos, templos e cavernas, todos devastados pelo caos da Plumagem. A variedade visual é decente, e certos ambientes ganham vida por meio de NPCs e arquivos de texto que contextualizam eventos passados.

No entanto, a exploração em si é decepcionante. Os mapas são compostos, em sua maioria, por longos corredores. A proposta parecia ser algo próximo de Dark Souls 1, com áreas interconectadas e atalhos, mas como cada região se limita a um único tipo de cenário, tudo acaba parecendo repetitivo muito rapidamente. Isso prejudica a navegação e confunde o entendimento sobre onde cada atalho leva, tornando a experiência frustrante, especialmente devido à dificuldade elevada.
No início, o jogo apresenta um claro desbalanceamento: os inimigos causam um dano exagerado, e mesmo o primeiro chefe pode eliminar o jogador em segundos. Passei diversas tentativas até conseguir derrotá-lo sem tomar um único golpe. A dificuldade não está no moveset do inimigo, mas na sensação de que o dano recebido é maior do que deveria. Felizmente, à medida que evoluímos, o jogo se torna mais equilibrado.

Outro ponto que agrava a exploração é a distância entre os checkpoints, o que torna a progressão exaustiva em alguns trechos. Por outro lado, há uma sensação genuína de alívio e conquista ao alcançar um novo ponto de descanso ou derrotar um chefe difícil. De forma geral, minha experiência teve um começo áspero, com picos intensos de dificuldade ao longo da campanha. Alguns chefes vão testar suas habilidades além dos limites da sua build, exigindo domínio dos sistemas e o uso estratégico de itens. Prepare-se para uma jornada que alterna entre diversão e frustração.
Combate de excelência e possibilidades
Se há um ponto em que Wuchang: Fallen Feathers brilha, é no combate. Essa foi, sem dúvida, a parte que mais me manteve engajado do início ao fim. Durante a jornada, enfrentamos inimigos comuns, minichefes e chefes utilizando cinco tipos de armas: machado, katanas, lança, lâminas duplas e bastão. Podemos equipar até duas ao mesmo tempo, alternando durante o combate. Nada surpreendente para o gênero, certo?

A mágica acontece na execução. Cada arma exige gerenciamento de estamina entre golpes fortes, fracos e esquivas. Além disso, cada uma possui duas habilidades exclusivas: a habilidade de arma (única para cada modelo) e a habilidade de disciplina (personalizável). Também existe o saque rápido, que permite trocar de arma instantaneamente durante um combo.
Esses elementos ganham profundidade quando você entende que as habilidades de arma, disciplina e o saque rápido podem ser integrados aos combos básicos de Wuchang, permitindo criar sequências devastadoras e únicas. O resultado é um sistema de combate fluido, técnico e altamente recompensador.

Há também um sistema de magias que pode ser ativado a partir de qualquer arma, desde que tenhamos pontos celestes, obtidos ao realizar esquivas perfeitas ou consumir itens específicos. Esses pontos são utilizados para lançar feitiços, ativar habilidades de disciplina e outras ações especiais. A combinação entre ataques físicos e mágicos oferece uma ampla gama de possibilidades.
O único porém é que, em certos chefes, o combate se torna menos permissivo, e ousar em combos mais longos pode resultar em morte instantânea. Ainda assim, considero o combate o maior trunfo do jogo: divertido, estratégico e exigente.
Sistemas de Progressão
A progressão de Wuchang: Fallen Feathers segue a fórmula conhecida dos soulslike. Derrotar inimigos rende mercúrio vermelho (equivalente à experiência), que pode ser usado para comprar itens ou subir de nível. Ao morrer, ele é deixado no chão e pode ser recuperado depois. Porém, há um diferencial interessante: ao matar humanos ou morrer, uma barra de loucura se enche. Quando atinge o máximo, Wuchang entra em estado de frenesi, causando e recebendo mais dano. Se ela morrer nesse estado, uma versão corrompida de si mesma aparece para proteger o mercúrio perdido. Será preciso derrotá-la para recuperar os recursos.

Nos checkpoints, representados por estátuas, é possível realizar ações como subir de nível no “Receptáculo do Ímpeto”, distribuir pontos em três árvores de habilidades (armas, magia e utilitários), além de aplicar melhorias às armas. Cada nodo dessas árvores representa um atributo: força, vida, magia etc.

Encontramos habilidades passivas, golpes de disciplina e melhorias para combos, além das bênçãos, que garantem bônus passivos, e a temperagem, que usa agulhas especiais para reforçar atributos ou aplicar efeitos elementais às armas.

A progressão é profunda e personalizável. É possível resetar sua build gratuitamente, o que incentiva a experimentação. Meu único ponto de crítica é à árvore de utilitários: investir nela é necessário para aumentar o número de poções ou desbloquear temperagens, mas isso pode significar abrir mão de atributos ou habilidades mais impactantes no combate direto.
“Itemização“
Um dos elementos importantes desse gênero é a combinação de itens como armaduras e acessórios, e como eles interagem com os demais sistemas de progressão. No geral, tudo aqui é bem simples: vamos adquirindo novas peças de armadura conforme avançamos, cada uma com diferentes tipos de resistência. Isso nos permite montar a combinação ideal para cada situação.

Além disso, há também uma seleção de pingentes que fornecem efeitos passivos, como resistências adicionais ou aumento de dano em certos tipos de ataques. No entanto, achei que essas opções são mal distribuídas. Levei bastante tempo, por exemplo, para encontrar uma lança melhor do que a inicial.

Em relação às armaduras, como não há um sistema de peso que afete a esquiva, eu sempre optava pela peça com maior defesa. E, para manter o estilo da personagem, utilizava o sistema de “alteração” para modificar o visual das armaduras, deixando minha Wuchang o mais estilosa possível. Em resumo, o sistema de equipamentos é funcional, mas não muito profundo. Ainda assim, cumpre bem seu papel dentro da proposta do jogo.
Aspectos Técnicos e Artísticos
Tecnicamente, Wuchang: Fallen Feathers surpreende por ocupar apenas 15 GB no PS5. Ele oferece três modos: Qualidade (maior resolução), Performance (60 fps estáveis) e Balanceado (resolução intermediária a 40 fps). Joguei majoritariamente no modo Performance, mas em chefes com animações complexas, optei pelo modo Qualidade para facilitar a leitura dos movimentos.

Não encontrei bugs ou problemas técnicos relevantes. A experiência foi estável do início ao fim. Artisticamente, Wuchang se apoia fortemente na estética chinesa da dinastia Ming. Algumas áreas são mais memoráveis do que outras, com destaque para estátuas e palácios que servem como pontos de referência visuais e dão identidade ao mundo.
WUCHANG: Fallen Feathers Vale a pena?
Se você busca um desafio acompanhado de um sistema de combate profundo, Wuchang: Fallen Feathers vale muito a pena. Ele oferece uma experiência soulslike em escala reduzida, com foco em mecânicas bem elaboradas e execução competente. Apesar de tropeçar na narrativa e no design de níveis, o jogo entrega o que promete. A dificuldade pode assustar no início, mas acredito que futuros patches trarão mais equilíbrio à experiência.
O Review
WUCHANG: Fallen Feathers
Wuchang: Fallen Feathers é um soulslike promissor que chama atenção pelo combate fluido, técnico e envolvente, com boas possibilidades de customização e progressão. A história, embora com premissa interessante, sofre com excesso de termos e narrativa mal conduzida. O level design é repetitivo e a exploração, pouco recompensadora. A dificuldade inicial é desbalanceada, mas melhora com a progressão. Tecnicamente, o jogo é estável e impressiona pelo tamanho reduzido e modos de desempenho. Com ambientação rica e artística, Wuchang entrega uma experiência desafiadora, ainda que com falhas, e é uma boa pedida para fãs do gênero que priorizam jogabilidade.
PRÓS
- Combate fluido, técnico e recompensador
- Estabilidade técnica
- Progressão profunda e customizável
- Possibilidade de resetar a build gratuitamente
CONTRAS
- História confusa e mal contada
- Exploração decepcionante e mapas com design repetitivo






