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Análise | Yakuza 6: The Song of Life

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Yakuza 6: The Song of Life

Yakuza 6: The Song of Life é um dos maiores títulos — se não o maior — de ação e aventura com aspectos de beat em’ up e RPG da SEGA. O título já possui uma série de games, desde décadas atrás. O diferencial é que este, teoricamente, trata de encerrar o ciclo do protagonista Kazuma Kiryu, sempre presente na saga. O exclusivo de Playstation 4 traz sim diversas melhorias, mas mantém a essência dos antigos, destacando a atenção ao detalhe e o alívio na tensão da trama principal. Confira nosso review de Yakuza 6: The Song of Life

Enredo

Partindo com base nas histórias anteriores, a trama de The Song of Life não exige que o jogador seja fã ou tenha acompanhado a série de cabo a rabo. Controlamos Kazuma Kiryu, um mafioso que caminhou por toda a hierarquia até chegar à líderança da gangue japonesa.

Logo no início nos deparamos com Kiryu em uma cama de hospital. Não muito tempo depois, ainda se recuperando, a polícia demanda sua prisão, bem como a de alguns que estavam acompanhando sua recuperação. Logo ao acordar, é levado e acaba passando três anos na cadeia.

Cumprindo sua sentença, ele retorna para a casa onde se encontram as crianças que estavam sob seus cuidados, incluindo a ídolo pop japonesa Haruka, sua protegida e a motivação de Kazuma para seguir em frente. Finalmente encontrando a criançada, agora pré-adolescentes, ele chega apenas para descobrir que Haruka foi embora do orfanato. No desenrolar da história, ele ainda descobre o envolvimento de um suposto filho de Haruka, ainda bebê, cujo pai é desconhecido. Buscando Haruka e respostas, nosso personagem parte em regresso para seus velhos costumes, provando o quão disposto está para se arriscar por aqueles que quer proteger.

A nova jornada do nosso protagonista o leva para caminhos já conhecidos em sua história, voltando para territórios em que tudo mudou e têm de recuperar o fôlego para novas e mais intensas batalhas.

O príncipe da liberdade

Sobre a jogabilidade, vale ressaltar algo extremamente importante: Se você é novo com a saga Yakuza, provavelmente deve ter ouvido muitos dizerem que é um “Grand Theft Auto no Japão”. Não se engane, alguns aspectos da liberdade são sim semelhantes, mas o jogo não envolve tiroteios constantes, roubos de carro e assaltos. Muito pelo contrário, armas de tiro são secundárias nesse jogo, logo que o estilo do foca centralmente nas lutas, envolvendo alguns aspectos de evolução em RPG. Algo relativamente óbvio para apreciadores de longa data do título, todavia, novatos na saga acabam se equivocando facilmente.

Por outro lado, nos é entregue um cenário razoavelmente grande para exploração. Nas trocas de capítulos você muda o mapa de forma distinguível, com um novo ambiente para exploração. Entre idas e vindas, também é disponibilizada a possibilidade de pegar um táxi, que te leva para pontos chave do mapa, sem ter que percorrer todo caminho a pé, correndo ou andando.

Os cenários são um pouco limitados em caminhos e saídas, apesar de ser nele que o jogo se destaca mais.

Mesmo com uma trama dramática e urgente, o game te proporciona mini-games, missões secundárias e outras liberdades, todas divertidíssimas e que facilmente levam sua jogatina de simples 50 horas para até 100.

Esmero e atenção

O cuidado com os pequenos detalhes em Yakuza é inacreditável. A liberdade do jogo é colocada em prioridade, assim como a diversão, nem que isso custe um pouco de sua seriedade — mas não se preocupe, isso acontece com tal naturalidade que é imperceptível.

Só para ter uma ideia: você pode comer diversos tipos de comida — todas aparentemente deliciosas —, cantar no karaokê — músicas completas, cantadas e interpretadas realmente pelo nosso protagonista —, frequentar a academia, conversar com garotas bonitas online ou simplesmente pegar um dos diversos tipos de bebidas em alguma máquina de venda automática pela rua. Mas não pense que tudo isso vem de graça! A todo momento sua ação tem uma reação benéfica. Ter uma boa dieta, por exemplo, traz benefícios na academia (desde que você siga o que seu personal trainer indicou), até tomar uma água para correr por mais tempo. Nesses pequenos detalhes, The Song of Life te ganha, mesmo que você esteja deixando um pouco a filha de Kiryu de lado…

Com aspectos de RPG, podemos evoluir as habilidades de luta do nosso protagonista. Mas não é só isso, somos livres para evoluir a “sorte” dele com habilidades. Melhoramos desde o dano dos ataques e a fluidez da esquiva, até por quanto tempo podemos correr sem cansar. É possível desbloquear diversos golpes para as lutas, alguns bem curiosos, como combater um inimigo com um par de chopsticks (hashi) da maneira mais badass possível.

A evolução é sútil conforme o avanço, sendo também muito prazerosa de se conquistar.

Tudo acompanhado por uma trilha-sonora muito bem feita,  ressaltando os momentos tensos e de batalha.

Controles e visão técnica

Com uma melhoria drástica desde o último título, temos uma movimentação mais leve e fluída. Os controles respondem bem, principalmente nas lutas, que são constantes. Infelizmente, embora os gráficos tenham sim melhorado, eles continuam levemente ultrapassados — calma! Eu explico. Os gráficos não são ruins, entretanto, alguns aspectos técnicos como anti-analising poderiam ser melhorados, já que o serrilhado é frequente. Os NPCs em certos momentos tem feições de personagens do famoso 007 Goldeneye, de Nintendo 64. Mas podemos relevar por serem eventos raros.

A movimentação dos personagens não jogáveis pode irritar levemente. As vezes eles travam o caminho do protagonista, não sendo afetados de forma efetiva pela física quando trombam com você.

Outro fato, deixando a jogabilidade de lado, é a ausência de legendas em português. O game é todo em japonês, as legendas só em inglês. Um diferencial que pode incomodar jogadores com dificuldade no idioma estrangeiro.

Parte dos erros são entendíveis, assumindo o lançamento inicial, há dois anos, em 2016, no japão.

Grandes novidades

Muitos aspectos leves mostram a singularidade do título. Algumas novidades foram implementadas e destacadas na trama principal. Uma delas é o modo RTS, no qual você comanda sua gangue em conflitos, em um modo parecido com StarCraft. O combate não flui muito bem, mas ainda é divertido de se participar.

Outro detalhe! Agora os salvamentos podem ser feitos a partir do celular do protagonista. Nessa atualidade, além do quick-save, podemos receber novidades na rede social Troublr, que atua como ponte para algumas side-quests. Além disso,  Kazuma pode tirar selfies. Que tal aproveitar aquele momento engraçado?!

Conclusão

Yakuza 6: The Song of Life traz um final para a saga com o protagonista Kazuma Kiryu. O jogo tem uma trama bem construída, fazendo o personagem memorável e criando uma história com com pilares sutis, não forçando o jogador a jogar todos os outros games para entender o enredo, tornando-se amigável para novatos na saga.

Tecnicamente, os gráficos ficaram um pouco ultrapassados, mas o avanço de um jogo para o outro nos faz relevar a situação. Com melhorias extensas na jogabilidade, a SEGA com certeza se destacou dessa vez.

Extremamente divertido, The Song of Life nos traz diversas possibilidades de ficar horas cativados. Toda ação se torna um mini-game, toda necessidade é muito bem recompensada e a evolução do personagem traz um prazer imenso em cada desbloqueio. Explorando, você com certeza pode tornar o que seriam 30 ou 40 horas de gameplay facilmente em mais de 100 horas.

Caso nosso review te influencie a comprar, fica aqui uma dica: Yakuza 6: The Song of Life não é um jogo que se deve correr, desatencioso pelo cenário, apenas para finalizar. Aproveite os detalhes feitos com esmero, e acima de tudo, se divirta! Afinal, o mesmo te dá inúmeras maneiras de fazê-lo.

A cópia de Yakuza 6: The Song of Life foi gentilmente cedida pela SEGA.

Publicado em 3 de setembro de 2018 às 19:26h.
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