É impressionante como a marca Like a Dragon (Yakuza) se consolidou de vez em 2025. Depois de revitalizar os primeiros passos de Kazuma Kiryu com remakes de peso, o último grande desafio era trazer o clássico Yakuza 2 para a modernidade. Foi assim que nasceu o Yakuza Kiwami 2, um projeto ambicioso que abandonou a estrutura visual antiga para abraçar o poder da Dragon Engine.
Agora, com o novo upgrade de PlayStation 5 anunciado pela SEGA no fim de 2025, o jogo alcançou sua melhor forma, barreiras técnicas que incomodavam no lançamento original ficaram para trás, entregando uma experiência fluida e visualmente impecável. É, sem dúvida, o ponto final que a trilogia inicial de remakes merecia.
Uma Disputa de Poder e o Peso do Título de “Dragão”

A história de Yakuza Kiwami 2 se passa um ano após o caos que virou o Clã Tojo de cabeça para baixo no primeiro jogo. Vemos um Kazuma Kiryu em uma vida comum e sossegada criando a pequena Haruka. Mas, como já sabemos, o passado de um ex-Yakuza nunca dorme. A paz é interrompida pelo assassinato brutal de Yukio Terada, o homem que estava à frente do clã, jogando a organização em uma crise de sucessão perigosa. Por respeito à memória de seus mentores, Kiryu se vê obrigado a sair da aposentadoria para evitar que uma guerra civil destrua o que restou de sua antiga família.
É nessa viagem de Kiryu até Osaka, em busca de um acordo de paz com a poderosa Aliança Omi, que a trama realmente decola e nos apresenta um dos melhores antagonistas da série, Ryuji Goda. Diferente de outros vilões motivados apenas por dinheiro ou território, Ryuji é movido por um código de honra implacável e uma obsessão pessoal, para ele, Kiryu não é apenas um rival político, mas um obstáculo existencial. Essa disputa de egos e ideologias entre os dois é o que dá alma ao jogo, transformando a guerra entre as facções em um duelo épico para decidir quem é o verdadeiro Dragão.

Dragon Engine brilha a 60 fps no PS5
A grande virada de chave em Yakuza Kiwami 2 está, sem dúvida, na transição para a Dragon Engine, o motor gráfico da RGG Studio introduzido a partir de Yakuza 6 e que até hoje é utilizado nos games da franquia. Essa mudança não foi apenas estética, ela alterou profundamente a forma como jogamos Yakuza, trazendo mudanças significativas quando comparado a Yakuza 0 e Kiwami.
Se nos títulos anteriores alternávamos entre vários estilos de luta, Yakuza Kiwami 2 traz um estilo unificado, baseado no estilo Dragão ou Legend dos games anteriores, sendo muito mais visceral e pesado. Você realmente sente o impacto de cada golpe e graças à nova física, o cenário deixa de ser apenas um plano de fundo e vira parte da briga. Ver um inimigo atravessar a vitrine de uma conveniência ou tropeçar em mesas de forma orgânica traz um realismo que a série ainda não tinha alcançado até então.
Essa evolução também trouxe um sistema de progressão muito mais inteligente, herdado de Yakuza 6. Agora, evoluir o Kiryu não depende apenas de bater em bandidos na rua. O jogo te incentiva a viver as cidades, já que tudo o que você faz gera pontos em categorias específicas. É um sistema recompensador que transforma tarefas simples, como experimentar todos os pratos de um cardápio em Sotenbori, em combustível para melhorar seus atributos de dano e vida ou desbloquear habilidades únicas.
No fim das contas, Yakuza Kiwami 2 faz você sentir que cada minuto gasto explorando o mapa realmente contribui para transformar o protagonista em uma lenda imbatível.

É no conteúdo secundário que Yakuza Kiwami 2 realmente se liberta e prova que tem identidade própria, deixando de ser apenas um “herdeiro” do que vimos em Yakuza 0. O grande trunfo aqui é o retorno do Cabaret Club Grand Prix, o simulador de gerenciamento de boates volta ainda mais polido, com uma narrativa própria que te prende com a mesma facilidade da trama principal. Mas a dose de loucura clássica da série fica por conta da Majima Construction. Esse modo transforma o jogo em um Tower Defense completamente surtado, onde o objetivo é defender um canteiro de obras de hordas de invasores, tudo regado ao humor caótico e imprevisível que é a marca registrada do Goro Majima.
Para quem gosta de se perder pelas ruas, as opções de lazer em Yakuza Kiwami 2 são quase infinitas, indo das cantorias no karaokê até partidas de golfe, mahjong e as garreadeiras nos fliperamas. O único ponto que exige um pouco mais de paciência são as missões de segurança, embora sejam o caminho mais curto para conseguir dinheiro e itens raros, a estrutura delas é bem monótona e pode cansar quem busca algo mais dinâmico. No fim das contas, é esse excesso de personalidade nas atividades paralelas que faz o mundo de Yakuza Kiwami 2 parecer tão vivo.

Outra adição importante é o Majima Saga. Não espere um sistema de combate super profundo ou complexo, o foco é 100% no carisma do “Cachorro Louco de Shimano”. Ela funciona como um bônus de luxo que preenche as lacunas da história entre o primeiro e o segundo jogo, mas o seu maior trunfo é o peso emocional: ela finalmente dá um encerramento digno para alguns arcos que ficaram abertos desde o Yakuza 0. É aquele tipo de conteúdo feito de fã para fã.
Performance e Localização
A parte técnica de Yakuza Kiwami 2, é sem exagero, a versão definitiva que o jogo merecia. Ele resolve o antigo “calcanhar de Aquiles” da versão de PS4, que sofria para rodar a Dragon Engine e acabava entregando uma sensação incômoda de “câmera lenta”. Agora, com 60 FPS cravados em 4K, a experiência é outra. O combate responde instantaneamente e explorar as cidades virou um prazer visual, sem aquelas travadinhas que quebravam a imersão antigamente.
Visualmente, Yakuza Kiwami 2 atingiu seu ápice. A iluminação dos neons em Kamurocho e o reflexo nos canais de Sotenbori estão mais vibrantes do que nunca, e o detalhamento das expressões faciais nas cenas [e algo cinematográfico. O melhor de tudo é que o hardware do PS5 lida com isso de forma tranquila, ao contrário de outros jogos pesados da franquia, como Judgment, este remake não faz o console ferver. O único problema são alguns engasgos raros de um ou dois segundos que podem rolar durante golpes especiais. Não é nada que estrague a experiência, mas fica a dica: salve o progresso com frequência só por precaução.

Localização e Upgrade para a atual geração
Não dá para ignorar o esforço da SEGA em trazer o Yakuza Kiwami 2 totalmente localizado para o nosso idioma. A tradução para o português (Brasil) segue o mesmo padrão de excelência que vimos no primeiro Kiwami, o que ajuda muito na imersão, especialmente nas piadas e gírias.
Sobre o acesso ao Yakuza Kiwami 2, vale um aviso importante: o upgrade para o PlayStation 5 é gratuito para quem já possui a versão digital de PS4, o que é uma notícia fantástica. Por outro lado, fica o alerta de que não há suporte para cross-save. No fim das contas, Yakuza Kiwami 2 encerra com perfeição essa primeira fase de remakes da saga. É um título que transborda personalidade e entrega um Japão tão detalhado que a jogabilidadee acaba sendo só um dos muitos atrativos. Com o lançamento de Yakuza Kiwami 3 já aparecendo no horizonte, este é o momento ideal para voltar a Sotenbori e reviver o auge da rivalidade entre Kiryu e Ryuji Goda.
Essa review de Yakuza Kiwami 2 foi produzida através de uma chave de review do game para PlayStation 5, gentilmente disponibilizada pela SEGA
O Review
Yakuza Kiwami 2 (PS5)
Yakuza Kiwami 2 é a versão definitiva de um dos capítulos mais importantes da saga. Ele consegue equilibrar a nostalgia da franquia com a jogabiliade moderna da Dragon Engine. Se você sentia que o original de PS4 era pesado ou arrastado, a fluidez dos 60 FPS aqui muda completamente o jogo, tornando cada movimento em uma nova experiência. É um prato cheio para quem busca uma história madura, mas com uma excelente carga de humor, algo que só a RGG Studio sabe entregar.
PRÓS
- A performance em 4K e 60 FPS é estável
- Ryuji Goda entrega uma das rivalidades mais impactantes e carismáticas
- O minigame de gerenciamento de cabaré retorna com força total
- A localização para o português brasileiro segue um padrão de excelência
CONTRAS
- O sistema de combate simplificado da Dragon Engine
- As missões de segurança para limpeza de áreas possuem uma estrutura repetitiva
- A Majima Saga apresenta uma jogabilidade limitada e uma narrativa que pode parecer redundante






