Anunciado como parte das comemorações de 20 anos da franquia Yakuza e Like a Dragon, Yakuza Kiwami 3 & Dark Ties chega no próximo dia 12 de fevereiro para PS4, PS5, Xbox Series X|S, Nintendo Switch 2 e Steam com a missão de finalmente dar o tratamento “Kiwami” para Yakuza 3, um dos títulos mais amados pelos fãs mais antigos da franquia. Como se o desafio de levar a jornada de Kiryu por Okinawa para a Dragon Engine já não fosse o suficiente, A RGG Studio resolveu dar um passo além, trazendo Dark Ties no pacote, um novo capítulo “Gaiden” da franquia focado em Yoshitaka Mine, um dos personagens mais icônicos de Yakuza 3.
Como grande fã da franquia desde a era do PS3, o anúncio do remake me deixou um tanto empolgado, já que a mudança para a dragon engine poderia finalmente corrigir os problemas do jogo original, e de bônus, poderia conhecer um pouco mais sobre Mine, que finalmente receberia um melhor desenvolvimento graças a Dark Ties.
Estive jogando Yakuza Kiwami 3 & Dark Ties nas últimas semanas (valeu, SEGA!), e após cair na porrada em Okinawa e pelas ruas de Kamurocho mais uma vez, posso finalmente compartilhar minhas impressões sobre um dos games mais aguardados do ano!
Yakuza Kiwami 3 & Dark Ties enxuga o gelo e troca antigos problemas por novos problemas

Yakuza Kiwami 3 & Dark Ties traz o remake do terceiro game da franquia principal de Yakuza e o novo capítulo Dark Ties, focado em Yoshitaka Mine, em um único pacote comemorativo, permitindo que os jogadores revivam ou experienciem pela primeira vez a desesperada jornada de Kiryu para salvar o orfanato Glória da Manhã em Okinawa, juntamente a um novo olhar para Mine, que finalmente ganhou a sua tão merecida história de origem.
Apesar de estarem incluídos no mesmo pacote, os dois jogos são acessados individualmente, possuindo mecânicas e atividades únicas, sendo duas experiências únicas que se complementam. Dedicarei parte dessa review para cada um dos jogos, começando pelo prato principal: Yakuza Kiwami 3!.
Um recomeço para o Dragão
Yakuza Kiwami 3 se inicia 2 anos após os acontecimento de Yakuza Kiwami 2, com Kiryu e Haruka finalmente deixando Kamurocho para trás, trocando as ruas repletas de neon e corrupção do distrito da luz vermelha de Tóquio pelas belas praias de Okinawa. Para começar uma nova fase em sua vida, Kiryu resolve finalmente abraçar o seu lado paterno por completo e assume o orfanato Glória da Manhã, se tornando responsável por 8 órfãos além de Haruka.

Apesar de Kiryu ter deixado a sua vida de Yakuza e o Clã Tojo para trás, a vida de Yakuza parece simplesmente se recusar a abandoná-lo, já que o orfanato começa a receber ameaças de despejo vindas de uma das famílias de Okinawa. Disposto a resolver esse problema, Kiryu segue uma dupla de Yakuzas que estavam vigiando o orfanato, encurralando-os no centro de Ryukyu, distrito fictício de Okinawa baseado no distrito real de Naha.
Os dois Yakuzas se revelam como Rikiya Shimabukuro e Mikio Aragaki, membros da Família Ryudo, donos do terreno onde o orfanato Glória da Manhã foi construído. Após “conversar” com Rikiya, Kiryu é levado até o escritório da família, apresentando o ex-presidente do Tojo a Shigeru Nakahara, patriarca da Família Ryudo.

Nakahara revela a Kiryu que as terras onde o Glória da Manhã está sendo sondada por figurões da política, que pretendem construir um enorme resort em Okinawa para potencializar o turismo na região. Paralelamente, um projeto para expandir as bases americanas em Okinawa também está sendo apresentado por um outro político poderoso, que também pretende fazer uso das terras do orfanato.
Os políticos envolvidos em ambos os projetos sabiam que não seria fácil conseguir as terras necessárias para realizar suas ambições, os levando a solicitar o auxílio do Clã Tojo para tal. Sem saída, Nakahara se viu forçado a forçar Kiryu e as crianças a abandonarem o orfanato, algo que Kiryu definitivamente não pretende fazer sem lutar.
Em meio a isso tudo, um misterioso homem atira em Daigo, que se recusava a levar para frente o plano de expulsar Kiryu do orfanato. Apesar de seu nome ser um mistério, seu retrato falado coloca dúvidas na cabeça de Kiryu, já que seu rosto é idêntico ao de Shintaro Kazama, pai adotivo de Kiryu.

Com o destino de suas crianças em risco, Kiryu se vê novamente em meio a um novo conflito com a Yakuza e com parte do governo, o obrigando a levantar seus punhos pelas ruas de Okinawa para defender o orfanato e descobrir a verdade sobre o misterioso atirador, custe o que custar.
Narrativa e cidade repaginadas
A narrativa de Yakuza Kiwami 3 segue em boa parte idêntica ao do game original, fazendo algumas leves mudanças em sua estrutura, seja adicionando, removendo ou realocando conteúdos. A história segue a luta de Kiryu e de seus novos amigos de Okinawa, que lutam para impedir os planos dos dois políticos que ameaçam a existência do Glória da Manhã em troca de um possível futuro melhor para Okinawa e da defesa do país.

Yakuza Kiwami 3 apresenta um novo cast de personagens, deixando um pouco de lado algumas figuras centrais do núcleo de companheiros de Kiryu como Majima para dar lugar a alguns nativos da cidade praiana, como Rikiya, Mikio e Nakahara, que apesar de começarem a história em lados opostos ao de Kiryu, se rendem ao carisma inigualável do quarto presidente do Clã Tojo.
Essa transição é feita de uma forma suave e que realmente faz com que o jogador crie vínculos com o novo núcleo, passando a verdadeiramente se importar com o bem-estar de todo o novo núcleo de personagens. A essência de todos os personagens foram mantidas intactas do jogo original para Kiwami 3, com Rikiya e Mikio continuando a ser os bobos alegres e de bom coração que amamos, esbanjando carisma e roubando a cena sempre que estão em tela.
O próprio Clã Tojo também está repleto de novas figuras que chegaram ao topo após a guerra desencadeada durante os eventos de Kiwami 2, como Yoshitaka Mine, Tsuyoshi Kanda e Goh Hamazaki, que junto a figuras já conhecidas como Majima e Kashiwagi formam a cúpula de tenentes do Clã Tojo. O núcleo do Tojo tem como principal objetivo fazer com que o jogador a todo o momento se questione quem está ou não do lado de Kiryu nesse grande jogo de xadrez, algo que funciona extremamente bem assim como no jogo original, criando uma dinâmica única dentro da franquia.
A evolução da ambição de cada uma deles é algo extremamente bem desenvolvido durante o roteiro, tornando todos os acontecimentos naturais e condizentes com a personalidade de cada um deles. O núcleo do Tojo era um dos pontos mais fortes de Yakuza 3, sendo responsável por criar um dos vilões mais icônicos de toda a franquia, e isso foi recriado com êxito em Yakuza Kiwami 3.

O principal novo núcleo de personagens apresentados em Yakuza Kiwami 3 é sem dúvidas as crianças do Glória da Manhã, que trazem um peso maior para toda a narrativa do game, fazendo com que Kiryu tenha que pensar 2x antes de tomar qualquer decisão, já que qualquer movimento errado pode colocar seus filhos em perigo. Apesar da história principalmente fazer um bom trabalho em desenvolver as crianças e fazer com que o próprio jogador crie um apego emocional a elas, a decisão de fazer com que os plots de história que envolviam os problemas pessoais das crianças se tornassem conteúdos secundário é um tanto quanto questionável, já que boa parte do que fazia Yakuza 3 ser tão amado pelos fãs era a conexão criada entre o jogador e as crianças do orfanato.
Claro, boa parte daqueles momentos do jogo original ainda estão presentes no game, podendo ser acessados através do novo sistema de relacionamento (que falaremos sobre jaja), mas remove-los da campanha principal pode fazer com que novos jogadores que estão tendo seu primeiro contato com as crianças acabem não criando o vínculo emocional necessário não apenas para a narrativa de Kiwami 3, mas para os demais jogos da franquia.

Apesar desse deslize com as histórias envolvendo as crianças, as demais mudanças no roteiro deixaram a narrativa de Yakuza Kiwami 3 com um melhor ritmo sem sacrificar o desenvolvimento dos personagens, encurtando um pouco a campanha principal, que agora dura cerca de 13 horas, mas abrindo espaço para mais histórias paralelas. Todo o núcleo de personagens continuam trazendo toda a carga emocional do game original, com um excelente trabalho de atuação que VAI te emocionar nos momentos mais dolorosos da narrativa e te empolgar como nunca antes durante as sequências de ação.
Embora siga praticamente a risca os eventos do jogo original, Yakuza Kiwami 3 traz algumas mudanças para a mesa, que podem ou não agradar os fãs mais dedicados a série. Não foram mudanças que atrapalharam minha experiência com o game, mas certamente podem desagradar alguns fãs.
No geral, a narrativa de Yakuza Kiwami 3 mantem a essência do jogo original, com um melhor ritmo e algumas decisões duvidosas, mas que ainda assim, faz jus a um dos capítulos mais emblemáticos de toda a jornada de Kazuma Kiryu.
Antes de seguir para o próximo tópico, preciso deixar novamente os parabéns a equipe de localização, que fez um excelente trabalho em Yakuza Kiwami 3. Apesar do deslize com a localização de Yakuza Kiwami, o time de localização da SEGA tem acertado em cheio nos seus últimos títulos, e Kiwami 3 é mais um nome para a lista de jogos da desenvolvedora a contar com uma excelente localização, que respeita os termos do idioma original ao mesmo tempo que regionaliza vários outros, agregando a experiência.

A lenda do Dragão motociclista
Além da história principal, Yakuza Kiwami 3 também da continuidade a tradição da franquia em trazer diversas histórias paralelas, incluindo uma atividade secundária “principal”, que funciona como a principal história secundária do game. Em Kiwami 3, esse espaço é preenchido pela história da gangue de motoqueiras Garotas Haisai.
Encabeçada por Tsubasa, líder da gangue e filha do mestre de Kiryu na arte do estilo Ryukyu (que falarei mais em detalhes jaja), a narrativa da gangue de garotas Haisai segue uma história a parte da campanha principal, tendo como foco o submundo das gangues bosozoku de Okinawa. O grande objetivo de Tsubasa é criar uma gangue diferente das outras, que ajude as pessoas ao invés de criar o caos pela cidade.
Essa visão de mundo, no entanto, leva as garotas a serem encurraladas por uma gangue rival vindo de Tóquio, que pretende expandir sua influência para Okinawa ao absorver as gangues locais. Após salvar Tsubasa e as garotas fundadoras da gangue, Kiryu acaba aceitando se tornar o novo presidente da gangue, com o objetivo de recrutar as demais gangues de Okinawa para enfrentar a ameaça vinda do norte

A estrutura da atividade segue a receita de bolo dos demais mini-games de gerenciamento de membros da franquia: recrutaremos diversos novos membros para a gangue ao realizar algumas missões secundárias ou avançar na história das Garotas Haisai, fortalecendo a nossa gangue a cada nova batalha vencida.
O grande trunfo do modo são as batalhas de gangue, que nos permite levar até 3 esquadrões para sair na porrada com uma gangue rival no porto de Okinawa, com direito a poder utilizar a motocicleta para derrotar nossos inimigos com heat actions exclusivas. O mini-game é a casa dos conflitos de larga escala do game, que utilizam muito do que já havia sido trazido em Like a Dragon: Pirate Yakuza in Hawaii, como habilidades especiais que podem ser utilizadas durante os combates para nos concederem uma vantagem.

Confesso que inicialmente, a atividade me pareceu um tanto quanto repetitiva, mas conforme desbloqueamos novos modos e habilidades, tudo começou a clicar, se tornando honestamente uma das minhas atividades secundárias favoritas de toda a franquia. A narrativa também não decepciona, trazendo aquela dose de bom humor já característica das missões secundárias da série, sendo o local utilizados pelos roteiristas para extravasarem nos diálogos caricatos.
Além da história das Garotas Haisai, Yakuza Kiwami 3 também traz novas atividades exclusivas para o Glória da Manhã, que conta com um novo sistema de relacionamento do Kiryu com as crianças do orfanato. Nessas atividades, Kiryu agirá como um verdadeiro paizão, cozinhando, costurando, auxiliando na lição de casa e claro, brincando.


Cada criança tem o seu próprio medidor de afinidade, que ao ser preenchido, desbloqueará eventos que servirão para desenvolver o relacionamento das crianças com Kiryu. Também é possível realizar diversas tarefas como costurar itens específicos, pescar ou plantar alimentos para vender para os vizinhos do orfanato, o que renderá dinheiro e aumentará a reputação de Kiryu como a vizinhança.
Yakuza Kiwami 3 também conta com várias outras histórias secundárias hilárias espalhadas por Okinawa e Kamurocho, incluindo algumas retornantes do game original. Essas histórias são carregadas de bom humor e momentos que vão te fazer questionar “isso é mesmo um jogo sobre a Yakuza?”.
Outras atividades secundárias também incluem o retorno do coliseu e a caça por membros expulsos do Tojo para quem procura mais atividades relacionadas ao combate, além dos já clássicos karaokê, mahjong, bilhar, dardos, e claro, jogos antigos da SEGA, que podem ser acessados através das casas de arcade espalhadas pela cidade ou no quarto do Kiryu. A grande novidade de Yakuza Kiwami 3 é a adição de jogos do Game Gear, o clássico console portátil da SEGA que contêm alguns títulos icônicos que podem ser jogados dentro de Kiwami 3.

Por último mas não menos importante, o sistema de customização também retorna em Yakuza Kiwami 3, nos permitindo trocar as roupas de Kiryu com uma vasta opções de peças, que vão desde camisas e roupas casuais até figurinos mais… “únicos”, digamos assim. Claro, o sistema é totalmente opcional e não influência em nada nos status de Kiryu, portanto, se você for um dos que como eu prefere o Dragão utilizando seu bom e velho paletó branco e camisa vermelha, a existência da customização de roupas não irá atrapalhar em nada sua experiência.
O Dragão de Dojima renasce!
O gameplay de Yakuza Kiwami 3 é uma evolução natural das mecânicas de Yakuza Kiwami 2, trazendo melhorias para o estilo Dragão e um novo estilo: o estilio Ryukyu! Utilizando armas como nunchakus, bastões de madeira e escudos, o estilo foi passado de geração em geração por famílias tradicionais em artes marciais de Okinawa, e ensinando a Kiryu pelo mestre Miya.
Para evoluir tanto o estilo Ryukyu quanto o estilo Dragão, Yakuza Kiwami 3 traz um sistema que utiliza tanto dinheiro como pontos para desbloquear novos golpes e melhorar os status de Kiryu, abandonando o sistema de progressão de Yakuza 6 e Kiwami 2. Esses pontos podem ser conquistados ao realizar diversas atividades pela cidade, como cantar no karaokê e atingir uma certa pontuação ou utilizar heat actions em inimigos durante as lutas.

Porém, nem todos os movimentos especiais podem ser desbloqueados através da árvore habilidade, já que ao acumular uma certa quantia de pontos, Kiryu precisará passar por uma prova para passar de faixa e aprender novas técnicas, que podem ser utilizadas tanto no estilo Ryukyu quanto no estilo Dragão.
É possível trocar entre os estilos a qualquer momento durante o combate, permitindo utilizar cada um dos estilos de maneira mais estratégica, além de criar combos ao misturar movimentos de ambos os estilos.


Apesar disso, algumas mecânicas de combate deixaram a desejar, principalmente as heat actions, que foram drasticamente reduzidas em comparação aos jogos anteriores da série. Heat actions clássicas da Dragon Engine foram retiradas, e poucas novas foram introduzidas, deixando um gosto um pouco amargo na boca. Para compensar um pouco a ausência das heat actions, a esquiva e opções defensivas foram melhoradas, contando agora com uma esquiva perfeita que ao ser bem executada, recompensa o jogador com uma heat action.
Os memes de “Blockuza 3” também são coisas do passado, já que apesar do inimigos continuarem a se defenderem bastante, Kiryu tem mais formas de abrir a guarda dos inimigos, seja com golpes carregados, técnicas do estilo Ryukyu ou com o novo Modo Acelerado, que ao ser ativado, torna os golpes de Kiryu mais rápidos e letais.
Apesar do deslize com os heat actions, Yakuza Kiwami 3 tem um bom sistema de combate, mas que infelizmente deixa um sentimento de “downgrade” se comparado a outros jogos da série, até mesmo com Like a Dragon: Gaiden. O estilo Ryukyu foi uma boa adição ao arsenal de Kiryu, que juntamente as novas mecânicas ofensivas e defensivas, criam um bom kit de movimentos para o Dragão, mas que deixa um gostinho de “poderia ser melhor” no final do dia.
Um ponto importante a ser ressaltado é que sim, os problemas gráficos reportados pelos jogadores que jogaram a versão DEMO de Yakuza Kiwami 3 & Dark Ties foram de fatos corrigidos, conforme prometido pela RGG Studio. Nada de iluminação estourada ou texturas estranhas para o jogo final!
Dark Ties

Já Dark Ties traz um novo capítulo inédito protagonizado por Yoshitaka Mine, mostrando todos os acontecimentos que o levaram a entrar para a Yakuza e criar uma admiração inabalável por Daigo Dojima. Dark Tides se inícia alguns anos antes da história principal de Yakuza Kiwami 3, mostrando um Mine ainda a procura de uma relação realmente verdadeira, atuando como presidente de uma startup.
Após ser traído por seus colegas de trabalho, Mine é testemunha de um ataque a Daigo Dojima, e presencia os homens do Clã Tojo darem a sua vida pelo sexto presidente, despertando sua curiosidade. Intrigado e decidido a descobrir o que Dojima tem de tão especial para fazer com que tantos homens não pensem 2x antes de arriscar suas vidas por ele, Mine decide se juntar a Yakuza, trilhando um caminho pelo submundo de Kamurocho.
Para isso, Mine usa Tsuyoshi Kanda, um membro da Família Nishikiyama que recém saiu da prisão. Utilizando seu poder financeiro, Mine compra o seu lugar junto a Yakuza, dando início a um plano de poder para, quem sabe, chamar a atenção de Daigo Dojima.

Dark Ties tem como principal função trazer um melhor contexto para alguns dos acontecimentos de Yakuza Kiwami 3, trazendo um novo olhar para o relacionamento fraterno entre Mine e Kanda, desenvolvendo com mais profundidade tanto as motivações e personalidade do futuro presidente do Clã Hakuho. Por se tratar de um curto episódio “Gaiden”, Dark Ties acaba não tendo tempo para adicionar novos personagens memoráveis a trama, que constantemente é interrompida por atividades secundárias obrigatórias para dar uma esticada no tempo de jogo.
O principal objetivo de Mine durante a campanha de Dark Ties é elevar a moral de Kanda por Kamurocho, fazendo com que, eventualmente, ele ganhe um lugar na alta hierarquia do Tojo, o que o colocaria mais próximo de sua ambição em entender o que leva a todos no Tojo pelo menos respeitarem Daigo. Para isso, Mine terá que ajudar os civis de Kamurocho em nome de Kanda, seja protegendo pessoas que estão sendo ameaçadas por valentões locais, encontrar gatinhos perdidos ou simplesmente fazer um strike no boliche para impressionar alguém.
Realizar essas tarefas irá aumentar a reputação de Kanda pela cidade, desbloqueando a progressão da história principal e dando acesso a histórias secundárias, que podem ser acessadas através do QG da Família Nishikiyama.

Apesar de curta, a proposta de dar mais destaque a Mine e torná-lo um personagem ainda mais icônico é bem executada, dando mais profundidade ao personagem e expandindo o mundo de Yakuza Kiwami 3, apesar de apressar um pouco demais as coisas. O carisma de Mine é o coração de Dark Ties, mantendo o jogador preso a narrativa e questionando a todo o momento qual será o próximo passo do personagem, que vai aos poucos sendo tomado pela podridão de Kamurocho.
Corações acorrentados no submundo de Kamurocho

Dark Ties aproveita a base de Yakuza Kiwami 3 para as suas mecânicas de combate, trazendo algumas modificações para melhor refletir a personalidade e estilo de luta de Mine. Tendo um estilo mais explosivo que Kiryu, Mine tem em seu arsenal golpes rápidos e precisos, contando com um agarrão que o arremessa para o ar e pode ser convertido em 3 diferentes finalizações.
Ele também possui a sua própria variação do Modo Acelerado, fazendo uso de toda a sua angustia e tristeza, canalizada em seus punhos. Podemos ativar esse modo ao estourar um, dois ou três corações que ficam abaixo da barra de cólera de Mine, que são preenchidos ao causar ou levar dano dos adversários. Assim como Kiryu, Mine ganha acesso a golpes exclusivos ao entrar nesse modo, modificando drasticamente o seu moveset enquanto permanecer nesse estado.
A forma de evoluir os status e aprender novas habilidades também permanece a mesma da de Yakuza Kiwami 3, porém, os pontos aqui são deixados de lado, já que esse sistema é utilizado para a progressão da reputação de Kanda. A progressão de Mine utilizar apenas dinheiro faz uma alusão a sua natureza empresarial, utilizando seu poder financeiro para chegar ao topo.

Dark Ties também possui uma atividade secundária “principal”, que leva Mine ao submundo de Kamurocho para investigar um estranho coliseu, que atrai pessoas em situação de dívidas com a promessa de altos ganhos em dinheiro para lutar em uma espécie de gincana, com suas mortes sendo o principal divertimento de parte da elite podre de Kamurocho.
Chamada de Arena do Inferno, esse local abriga o clássico coliseu e uma nova atividade exclusiva para a campanha de Dark Ties, o Inferno de Sobrevivência. Fazendo uso das masmorras procedurais introduzidas em Like a Dragon: Infinite Wealth, o Inferno de Sobrevivência coloca o jogador em uma luta pela sobrevivência pelos estreitos corredores das dungeons, tendo como principal objetivo enfrentar hordas de inimigos e ativar gongos espalhados pelos mapas até, eventualmente, enfrentar um chefe final.
Conforme exploramos as masmorras, desbloquearemos power-ups como habilidades passivas e armas especial, além de personagens que podem ser recrutados para nos auxiliarem durante os desafios.


Apesar da premissa parecer interessante, o Inferno de Sobrevivência acaba se mostrando como uma atividade secundária não tão interessante, se tornando aquelas atividades que apenas os complecionistas de plantão irão se dedicar em completar. O coliseu, por outro lado, traz desafios realmente interessantes, sendo em minha opinião o melhor conteúdo disponível na Arena do Inferno.
Como já dito anteriormente, Dark Ties também possui suas próprias missões secundárias, que também são carregadas de bom humor e que ajudam a quebrar a seriedade da campanha principal, sendo boas adições a jornada de Mine. Claro, Mine também tem acesso a todos os prazeres de Kamurocho, incluindo sua própria versão de Baka Mitai no karaokê.

Um bom remake com decisões controversas
Yakuza Kiwami 3 & Dark Ties faz um bom trabalho em recontar uma das histórias mais icônicas da franquia, corrigindo antigos problemas e trazendo alguns novos, mas acima de tudo, mantendo muito de sua essência intacta, apesar de tomar algumas decisões questionáveis no caminho. O episódio Dark Ties também se provou como uma boa adição a história, dando novas camadas a Mine e enriquecendo a narrativa de Yakuza Kiwami 3, apesar de ser um tanto quanto curto e carecer de uma atividade secundária realmente engajante.
Trocando em miúdos, Yakuza Kiwami 3 & Dark Ties é um bom pacote para as comemorações de 20 anos da franquia, sendo uma versão mais agradável de Yakuza 3 para novos jogadores e um ótimo “remember” para os fãs antigos que já haviam experienciado o game original em sua versão original no PS3 ou em sua remasterização.
Essa review de Yakuza Kiwami 3 & Dark Ties foi produzida através de uma cópia de review do game para PS5, gentilmente cedida pela SEGA
O Review
Yakuza Kiwami 3 & Dark Ties
Yakuza Kiwami 3 & Dark Ties traz um remake completo do terceiro game da série juntamente a um novo episódio de história, que complementa a narrativa de Yakuza Kiwami 3 ao se aprofundar ainda mais nas motivações e desejos de Yoshitaka Mine. Yakuza Kiwami 3 traz uma versão mais compacta da história de Yakuza 3, tomando algumas decisões questionáveis ao realocar alguns conteúdos para atividades secundárias, além de trazer mudanças signifcativas para o gameplay de Kiryu. Já Dark Ties acerta em se focar exclusivamente no desenvolvimento mais aprofundado de Mine, trazendo uma campanha curta que sabe a hora de se encerrar, apesar de pecar um pouco nos conteúdos secundários.
PRÓS
- Estilo Ryukyu traz um ar de novidade para o gameplay de Kiryu
- Narrativa de Yakuza Kiwami 3 traz melhorias em seu ritmo
- Dark Ties é uma boa adição ao universo de Yakuza
- Mini-games e atividades secundárias extremamente divertidas
CONTRAS
- Mudanças questionáveis no roteiro
- Reformulação nos heat actions deixou a desejar
- Atividades secundárias de Dark Ties deixam a desejar






