A franquia de terror SAW (Jogos Mortais) ganhou seu primeiro grande projeto interativo de peso durante a Summer Game Fest 2026, realizada nesta sexta-feira no Dolby Theatre, em Los Angeles. Batizado de SAW: Genesis, o jogo foi um dos destaques da noite e despertou atenção imediata por unir uma das marcas mais reconhecidas do terror mundial a uma proposta multijogador competitiva. A revelação aconteceu logo após a icônica aparição do boneco Billy pedalando seu triciclo, deixando claro a que universo o título pertence.
Mais do que uma simples adaptação, SAW: Genesis se propõe a contar uma história inédita dentro da mitologia da série, mostrando como nasceu a filosofia que mais tarde inspiraria o personagem Jigsaw. A ambientação é um dos pontos mais curiosos: em vez do cenário urbano contemporâneo conhecido nos cinemas, o jogo se passa no período conturbado após a Primeira Guerra Mundial, um século antes dos eventos que tornaram a franquia famosa.
Um confronto 3×1 entre o Juiz e os Acusados
A principal aposta de SAW: Genesis está em seu formato de jogo de terror multijogador assimétrico, no estilo 3×1. Nele, um jogador assume o papel do Juiz, descrito como um dos primeiros arquitetos da filosofia que originaria Jigsaw, enquanto os outros três controlam os chamados Acusados, que precisam cooperar para escapar de um labirinto repleto de armadilhas. As partidas acontecem em mapas gerados proceduralmente, o que promete variar a experiência a cada nova sessão e aumentar a tensão da fuga.

O diferencial criativo aparece na forma como o Juiz foi concebido. Ao contrário de outros antagonistas de jogos assimétricos, que costumam dominar pela força bruta, esse vilão é fisicamente vulnerável e depende de estratégia para alcançar seus objetivos. Moldado por suas experiências traumáticas na Grande Guerra, ele acredita ser possível reabilitar a humanidade por meio da dor e do sacrifício, uma ideia perturbadora que define todo o tom da proposta.
Para sustentar essa abordagem, o jogo oferece um arsenal de recursos voltados à manipulação. O Juiz pode acessar corredores secretos, contar com um mapa equipado com detector sonoro e empregar gás alucinógeno e toxinas paralisantes para desorientar e imobilizar os Acusados. Há ainda a figura de um Cúmplice, que pode ser convocado para arrastar as vítimas até as chamadas Armadilhas de Reabilitação. O objetivo, fiel à essência da franquia, não é simplesmente matar, mas forçar escolhas brutais entre a vida e a integridade física. Viver ou morrer passa a ser uma decisão dos próprios Acusados.
Bloober Team à frente do projeto e o futuro da franquia
O desenvolvimento de SAW: Genesis está a cargo da Bloober Team, estúdio polonês que vem se consolidando como um dos nomes mais relevantes do gênero de terror nos últimos anos. A companhia ganhou destaque internacional com títulos como Layers of Fear, Observer e The Medium, além de ter assumido o aclamado remake de Silent Hill 2, projeto que ajudou a reposicionar o estúdio como uma referência confiável quando o assunto é horror psicológico. Assumir uma marca do porte de SAW representa um passo ambicioso e reforça a estratégia da empresa de trabalhar com propriedades reconhecidas.
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A escolha de transformar a franquia em uma experiência multijogador competitiva, no entanto, gerou reações divididas. Parte do público acompanhava a possibilidade de um jogo de terror mais tradicional, focado em narrativa solo, e demonstrou certa frustração com a guinada para o formato online. Esse tipo de proposta, porém, vem se mostrando comercialmente sólido no mercado, impulsionado pelo sucesso duradouro de jogos assimétricos que mantêm comunidades ativas por anos.






