Hoje em dia, os jogos indie já são costumeiros e corriqueiros na indústria, sendo um verdadeiro deleite para todos os tipos de fãs, especialmente os que estão cansados do mercado AAA, mas isso já foi diferente. No início da geração do Xbox 360, alguns jogos foram particularmente importantes na criação dessa “moda” nos games, como Limbo, Braid, e… Super Meat Boy, um jogo de plataforma de precisão 2D que além de nostálgico, era bastante desafiador, difícil e que exige muita persistência e habilidades do jogador.
Após esse grande boom inicial, o criador original de Super Meat Boy, acabou deixando sua criação e perdendo controle dos direitos do game, indo trabalhar em outros grandes sucessos como The Binding Of Isaac e o mais recente sucesso Mewgenics. Enquanto isso, o time original ainda lançou alguns jogos, como Super Meat Boy Forever e Dr. Fetus Mean Meat Machine, mas nenhum chegou perto do sucesso do game originário da série.

No entanto, dessa vez as estrelas parecem se alinhar. Lançado no dia 31 de Março, Super Meat Boy 3D não só busca reavivar o estilo clássico do game, mas também quer expandir o escopo e dar a devida continuidade ao legado de um dos pioneiros da esfera indie. Mas e aí, funcionou? Bom, graças à chave gentilmente disponibilizada pela publisher, iremos descobrir isso nessa análise completa!
Gameplay totalmente renovada
Bom, começando pelo início, Super Meat Boy 3D mantém a simplicidade do game original, na qual o jogo é separado por fases geralmente curtas, e o foco é correr, pular e grudar nas paredes(nas quais também corremos e pulamos…), sendo mecanicamente quase idêntico ao jogo 2D, mas claro, com uma câmera oblíqua, e que, por mais que a jogabilidade se mantenha, adiciona muito mais camadas à Super Meat Boy.

Além disso, cada mundo possui suas particularidades e novos sistemas, como trampolins, esteiras, portais e outras ferramentas que amplificam a gameplay, bem como novos obstáculos, que vão além das famosas serras, tendo até mesmo torretas que dispararam mísseis teleguiados, rios de lava e placas eletrificadas(uma das barreiras que mais me deram raiva…).
Como esperado: prepare-se pra morrer. Muito. Até cansar. Sim, o jogo é exigente, e grande parte do loop de gameplay envolvem morrer, mas devo dizer que isso não é tão perfeito quanto poderia ser, especialmente no que tange ao level design. Claro, devo dizer que na maioria das vezes, Super Meat Boy 3D faz o trabalho bem feito, com fases divertidas, desafiadoras e bastante exigentes, especialmente se você busca a bandagem ou pegar o A+, rank obtido por terminar a fase em um tempo específico.

Super Meat Boy 3D entrega bem, mas não é perfeito
Uma coisa, no entanto, chama a atenção, e positivamente: em Super Meat Boy 3D, as fases também são lineares e direto ao ponto, mas apesar do circuito estar claro e óbvio, é bastante possível(e recomendado) que, com as habilidades certas de pulo e dash, conseguimos cortar atalhos e agilizar no timing, sendo até mesmo facilitador por evitar alguns obstáculos com um raciocínio rápido e um bom domínio dos controles.
Mas, apesar de ser uma boa evolução do título original, devo dizer que algumas coisinhas me incomodaram, mesmo que não sejam bastante frequentes no título. Pra começar, algumas das bandagens, usadas pra desbloquear novos personagens, estão bastante escondidas, o que é o oposto do que deveria ser em Super Meat Boy, já que o jogo é baseado em habilidade e rapidez, as bandagens deveriam estar sempre expostas, mas com um desafio extra de habilidade pra quem se arrisca a buscar.

Além disso, outra coisa que incomoda, embora ainda não seja tão frequente, são leves deslizes no level design que não prejudicam o título como um todo, apenas deixa de se igualar à perfeição, especialmente quando os níveis se aproximam de um estilo kaizo, que é aquela tentativa de “trollar” o jogador, como fazem jogos estilo Cat Mario e Level Devil, o que também não corresponde com Super Meat Boy. Sim, o jogo é difícil, mas por uma questão de habilidade, e não em pegar o jogador de surpresa, sendo quase “obrigatória” a morte pra poder antecipar a armadilha e conseguir superar o nível.
Algumas boas pisadas na bola…
Claro, como dito antes, não é tão frequente, mas parece um certo deslize em espremer mais a jogabilidade e as particularidades de cada mundo em relação às habilidades, sendo uma saída “fácil” pra manter o estigma da dificuldade e das mortes, mas sem manter a essência de exigir habilidades ao invés de se fazer valer na tentativa e erro.

Na questão narrativa, Super Meat Boy 3D também é bem desimportante. “Ah, mas é jogo de plataforma simples com foco na jogabilidade”, sim, de fato, mas também não é só isso. Se pensar no jogo original, mesmo simples e bobinho, temos algumas cutscenes com certa progressão na história, e até um personagem inimigo tem seu arco de redenção. É simples, mas existe, e até mesmo Super Meat Boy Forever, a ovelha negra da franquia, tem uma narrativa que dá continuidade e até mesmo tem uma história separada, com o arco do esquilo revolucionário, e que de novo, não é o mais importante mesmo, mas existia algo ali.
Já no 3D, não tem praticamente nada. É uma reutilização do plot do jogo original sem nada além disso, e até as cutcenes no início e fim de cada capítulo só mostram algumas cenas aleatórias com a introdução dos chefes e cada mundo novo, sendo bem mais simples e com ainda menos espaço pra fazer alguma brincadeirinha narrativa, como faziam-se antigamente.

Não é perfeito, mas é uma boa pedida para os fãs, sem pecar demais
Na questão do estilo visual, Super Meat Boy 3D também é simples. Sim, é uma espécie de “tradução” do jogo 2D para o 3D, mas o estilo gráfico tá… um pouco mais genérico, sem muito charme. Novamente, é funcional e legal, mas na inevitável comparação com o game original, a versão 3D sai perdendo. Mas claro, ainda temos cenários bem legais, especialmente nos dois últimos mundos, com elementos visuais mais diversos, como os rios de lava, os cenários futuristas e até o estilo de ruínas na penúltima fase são bem legais.
E em trilha sonora? Rapaz… vamos lá, de novo, é funcional, mas bem, bem fraquinho, e não chega nem perto do Super Meat Boy 2D. Os efeitos sonoros estão bem bons, até viscerais, o que faz parte da experiência, mas as músicas, mesmo sendo do compositor Ridiculon, o mesmo de Isaac e Mewgenics, não é tão bom quanto a original de Danny Baranowski.

Além disso, Super Meat Boy 3D conta com localização completa em português brasileiro, e funciona tanto no controle quanto em teclado(honestamente, não jogue no teclado), e definitivamente é uma expansão boa o suficiente para o jogo original, e definitivamente é muito melhor que Super Meat Boy Forever, e é uma boa pedida para todos os fãs de plataforma de precisão, sem mais.
Por fim, Super Meat Boy 3D pode não superar o revolucionário jogo original, e muitos podem até apontar a falta de Edmund McMillen nesse impeditivo, mas honestamente, considerando o que temos em mãos, o jogo é bem divertido e um bom presente para os fãs do clássico e do gênero, mesmo que não seja perfeito
O Review
Super Meat Boy 3D
Embora não seja uma sequência perfeita de Super Meat Boy original, a sua versão 3D é uma evolução boa o suficiente, e mesmo com algumas pisadas na bola, entrega um jogo divertido, desafiador e bastante estressante(positivamente).
PRÓS
- Gameplay muito bem traduzida do 2D para o 3D
- Novos elementos em cada mundo são bem legais
- Estilo gráfico bastante fiel ao original
- Level design desafiador e bastante exigente nas habilidades do jogador
- Efeitos sonoros bem competentes
- Localização completa em português brasileiro
CONTRAS
- Algumas fases estilo "kaizo" são chatos
- Narrativa nula, um downgrade em relação aos outros
- Trilha sonora longe do ápice da franquia






