Como fã da franquia Tales Of, eu sempre fico empolgado com um novo lançamento ou relançamento, como é o caso dos remasters recentes, pois permitem que jogos antigos sejam lançados em plataformas modernas com atualizações gra´ficas e de qualidade de vida, mantendo o legado dessa franquia viva, o que eu acho bem incrível.
Mas o caso com Tales of ARISE é um pouco diferente, o jogo está recebendo na verdade uma versão definitiva que inclui o jogo base e sua DLC mas a parte importante mesmo, é que o título está chegando ao nintendo switch 2, então você pode jogar pela primeira vez essa aventura no console da nintendo. Mas será que esse port ficou bom? vamos descobrir nessa review.
História
Nessa história, vamos assumir o papel de dois protagonistas: o escravo mascarado chamado Alphen e a amaldiçoada Shionne. O caminho dos dois se cruza justamente em um momento no qual Shionne está sendo perseguida pelo exército de Rehna, responsável pelo domínio absoluto de Dahna, um planeta rico em recursos naturais, cujo povo foi escravizado enquanto suas riquezas são constantemente exploradas e saqueadas pelos Renans.

A grande sacada aqui é que, enquanto Alphen é um Dahnan, Shionne é uma Renan, ou seja, são completamente opostos um ao outro. Contudo, ambos compartilham o mesmo ódio pelo domínio de Rehna e, para mudar essa realidade, será necessário derrotar os cinco lordes que governam seus respectivos reinos em Dahna, algo que está longe de ser uma tarefa fácil. Para isso, será preciso contar com a ajuda de diversos personagens, como Rinwell e Law, que vão compor o grupo principal nessa difícil jornada.

A história é contada principalmente por meio de cenas entre os personagens, animações e, sobretudo, das chamadas “skits”, trechos opcionais de diálogo apresentados através de quadros que passam a sensação de estar lendo um mangá. Em geral, a narrativa funciona bem, principalmente por apresentar um início rápido e envolvente, capaz de prender sua atenção ao levantar diversos mistérios sobre o mundo e seus personagens. Afinal, por que Alphen usa uma máscara? E que maldição é essa que Shionne carrega?

Mas essa trama não está livre de problemas. Pensa assim: a franquia Tales é conhecida por entregar histórias extremamente memoráveis. Para citar dois dos meus favoritos, temos Tales of Berseria e Tales of the Abyss. Porém, em Tales of ARISE, a Bandai Namco acaba não entregando uma dessas narrativas de excelência, o que deixa um gosto amargo ao longo da experiência. A trama é extremamente previsível, os personagens possuem a profundidade de um pires e os “arcos” raramente são desenvolvidos o suficiente para compensar os grandes mistérios apresentados, o que evidencia um potencial claramente desperdiçado.
Jogabilidade
Em termos de jogabilidade, Tales Of ARISE é um JRPG que mistura exploração com combates em arenas, e já já eu explico melhor essa parte. Primeiro, vamos falar da exploração: basicamente, o jogador é lançado em diferentes mapas, masmorras e demais ambientes e, neles, não existe muito segredo. Há alguns itens para coletar, segredos para encontrar, como chefes opcionais, além de caminhos necessários para alcançar itens importantes ou momentos-chave que permitem a progressão da campanha.
Nessa parte, devo dizer que Tales Of ARISE é bem fraco. Apesar de possuir áreas grandes e masmorras longas, tudo é extremamente simplificado e muito linear. Você vai de reino em reino, enfrentando lorde após lorde em dungeons lotadas de inimigos, mas sem qualquer tipo de puzzle ou missão mais elaborada que torne a progressão realmente interessante. Nesse aspecto, tudo parece simplificado demais.

Mas, para compensar, o jogo possui um excelente sistema de combate que, como mencionei antes, funciona em arenas. O que quero dizer é que, toda vez que o jogador, durante a exploração, entra em contato com um inimigo no mapa, todos são teleportados para uma arena circular e o jogo entra automaticamente em modo de combate. Nesse momento, assumimos o controle de um grupo com quatro personagens para derrotar os inimigos em batalhas extremamente divertidas e cheias de personalidade.
Primeiro, cada personagem possui seus ataques básicos, além de diferentes artes terrestres e aéreas para conjurar. Como a jogabilidade é extremamente fluida, você consegue facilmente combinar ataques normais com diferentes artes para criar combos enormes e causar quantidades absurdas de dano. Mas a parte mais interessante do combate é que cada personagem possui uma mecânica própria. Por exemplo, Rinwell é uma maga capaz de armazenar uma de suas artes mágicas para combiná-la com outra, lançando ambas simultaneamente e causando danos devastadores. E é justamente aí que o sistema brilha: cada integrante do grupo possui peculiaridades e estilos próprios de gameplay, funcionando como um excelente incentivo para experimentar constantemente personagens diferentes.
Além disso, você pode usar o direcional para chamar aliados específicos e executar golpes combinados, ataques que causam bastante dano e ainda contam com animações lindíssimas, repletas de efeitos visuais e muito estilo. Em termos gerais, o combate é extremamente divertido e satisfatório, principalmente pela grande quantidade de possibilidades que ele oferece.

Mas nem ele escapa dos problemas. Tales of ARISE infelizmente sofre bastante com a falta de variedade de inimigos. Você enfrentará praticamente os mesmos grupos do início ao fim do jogo, mudando apenas suas cores e pequenas variações visuais. Isso certamente prejudica a diversão, porque suas estratégias raramente precisam mudar. O cenário só muda de verdade durante as batalhas contra chefes, momentos em que você finalmente precisa prestar mais atenção nos padrões de ataque e pensar melhor nos seus movimentos.
Entre uma exploração simplificada e linear e um combate excelente, mas prejudicado pela baixa variedade de inimigos, Tales of ARISE acaba sendo, sim, uma boa experiência. Porém, por conta de sua campanha relativamente longa, com cerca de 40 horas de duração, esses pequenos incômodos acabam crescendo ao longo do tempo e fazem com que a experiência se torne um pouco arrastada, até mesmo nos melhores momentos da história.
Progressão
Em relação à progressão da campanha, ela segue uma estrutura bem linear, com algumas poucas missões espalhadas pelos diferentes reinos. Todas são extremamente simples, mas algumas exigem que o jogador esteja em níveis mais altos para conseguir concluí-las. Ou seja, o jogo espera que você eventualmente retorne para essas áreas. As recompensas, em sua maioria, consistem em itens, materiais e experiência.
Também ganhamos experiência a cada combate concluído e, por consequência, subimos de nível, o que garante aumentos nos atributos base, como vida, dano e defesa. Porém, o mais importante são os Skill Points (SP). Com eles, podemos comprar diferentes habilidades divididas em “pentágonos”, cada um agrupando estilos específicos, como Artes aéreas, habilidades de cura e Artes mágicas. Esses pentágonos contêm cinco diferentes habilidades, incluindo passivas, Artes mágicas e físicas. Quando você desbloqueia tudo dentro de um grupo, completa o respectivo pentágono e recebe bônus significativos de atributos.
Além disso, outra parte importante da progressão está nos equipamentos. Ao longo da aventura, você desbloqueia diferentes armas e armaduras, cada uma com efeitos passivos próprios que, quando combinados com uma boa escolha de Artes, podem garantir quantidades enormes de dano. Outro elemento importante são os diferentes materiais coletáveis, desde carnes, peixes e minérios. Os alimentos podem ser utilizados para preparar refeições que concedem bônus temporários de status para toda a party, enquanto os minérios servem para aprimorar partes do seu equipamento.
Novamente, são sistemas extremamente simples, mas que, no geral, funcionam bem. Você estará constantemente microgerenciando cada membro do grupo, desbloqueando novas habilidades passivas e ativas, trocando equipamentos e mantendo todos alimentados com diferentes refeições para garantir bônus de status. É simples, mas bastante eficiente. Minha única reclamação é que a progressão de equipamentos é excessivamente linear. Em nenhum momento você realmente se pergunta se vale mais a pena melhorar um equipamento antigo ou trocá-lo pelo novo que acabou de conseguir, porque o equipamento recém-adquirido quase sempre será significativamente superior.
Beyond The Dawn
Essa edição definitiva, como mencionei antes, também inclui uma DLC que funciona como uma extensão da história principal e possui aproximadamente entre 6 e 10 horas de duração. Não posso entrar em muitos detalhes sobre sua narrativa por conta de spoilers, mas ela busca expandir o universo apresentado no jogo e até criar um possível gancho para uma continuação.

Em termos de progressão, iniciamos essa DLC diretamente pelo menu principal e já recebemos personagens e equipamentos “prontos” para essa nova aventura. Durante a jornada, enfrentaremos novos inimigos e chefes enquanto avançamos para resolver as questões apresentadas pela trama, além da introdução de um novo personagem que possui bastante importância para os acontecimentos dessa expansão.
No geral, é uma DLC ok, principalmente porque não se estende demais em sua duração e consegue complementar bem aquilo que Tales of ARISE oferece na campanha principal. O mais importante é saber que ela já está incluída nesta edição definitiva, o que acaba sendo um ótimo bônus para quem pretende jogar essa versão.
Um port que merecia mais carinho
Em termos técnicos, no que se refere à trilha sonora, Tales of ARISE entrega músicas principais e temas de ambientação excelentes, principalmente a música de abertura, que é simplesmente sensacional. As faixas das batalhas contra chefes também agradam bastante, ajudando a manter a tensão dos confrontos e elevando ainda mais o impacto dos combates, algo que funciona muito bem em conjunto com a direção artística do jogo, que aposta em um visual fortemente inspirado em anime e entrega cenários e personagens belíssimos.

Mas a versão de Nintendo Switch 2 de Tales of ARISE apresenta problemas quando o assunto é desempenho. Aqui, a Bandai Namco optou por portar o jogo a 30 FPS, tanto no modo dock quanto no portátil. Até aí, tudo bem, porém existe algo muito estranho acontecendo com o frame time, pois o jogo parece significativamente mais travado do que deveria. Existe também um atraso perceptível nos inputs, algo que acaba incomodando bastante durante as batalhas e momentos de exploração.
Além disso, o Nintendo Switch 2 possui potência suficiente para rodar esse jogo a 60 FPS, pelo menos no modo portátil, que trabalha com resolução limitada a 1080p. Por isso, fica difícil não sentir que houve uma certa falta de otimização nessa versão. No mais, apesar de eu ter me divertido com o combate e com a experiência mais simplificada de Tales of ARISE, devo dizer que ainda não tenho certeza se o Nintendo Switch 2 é o melhor lugar para experimentá-lo. Talvez, no futuro, quando o título receber atualizações de performance, a experiência se torne mais agradável e menos frustrante. Mas, neste momento, eu provavelmente preferiria jogar em outra plataforma.
O Review
Tales Of ARISE - Beyond the Dawn Edition
Tales of ARISE chega ao Nintendo Switch 2 em sua edição definitiva, incluindo o jogo base e sua DLC de expansão. O título entrega um combate extremamente divertido e cheio de personalidade, acompanhado de uma ótima trilha sonora e uma direção artística belíssima inspirada em anime. Porém, a experiência acaba sendo prejudicada por uma exploração excessivamente linear, pouca variedade de inimigos e uma narrativa que não alcança o mesmo nível de excelência de outros jogos da franquia. No Switch 2, problemas de desempenho também impedem que esta seja, ao menos por enquanto, a versão definitiva do jogo.
PRÓS
- Combate extremamente divertido e cheio de possibilidades
- Direção artística belíssima
- Progressão simples, mas eficiente
CONTRAS
- Exploração simplificada e excessivamente linear
- Pouca variedade de inimigos
- Narrativa abaixo do esperado para a franquia
- Problemas de desempenho no Nintendo Switch 2






