A disputa entre Sony e Tencent acaba de ganhar um novo capítulo digno de atenção. Após ser processada pela Sony, que acusa o jogo Light of Motiram de copiar elementos da aclamada franquia Horizon, a Tencent decidiu reagir, e com argumentos que vão além da defesa técnica.
Segundo documentos obtidos pelo site The Game Post, a empresa chinesa entrou com um pedido formal para arquivar o processo, classificando a ação como “exagerada” e juridicamente infundada. A Sony, vale lembrar, havia solicitado um julgamento com júri, a proibição do lançamento de Light of Motiram e uma indenização de até US$ 150 mil por cada suposta infração ligada à série Horizon.

A resposta: heróis ruivos e ruínas não têm dono
Para a Tencent, o cerne da acusação é mais criativo do que jurídico. A companhia alega que a rival japonesa está tentando transformar elementos narrativos amplamente utilizados em “propriedade exclusiva”. Entre os aspectos listados estão protagonistas ruivos, civilizações pós-apocalípticas e monstros mecânicos — todos, segundo a defesa, presentes em inúmeros títulos anteriores a Horizon, como The Legend of Zelda, Far Cry, Outer Wilds, Biomutant e Enslaved: Odyssey to the West.
Em tom crítico, a Tencent afirma que a Sony não busca proteger uma criação única, mas sim “monopolizar convenções narrativas” que fazem parte da cultura dos videogames há décadas.
Documentário da própria Sony é citado contra ela
A defesa ainda foi além: para desmontar o argumento de originalidade da franquia Horizon, a Tencent citou um documentário oficial da Sony, no qual Jan-Bart Van Beek, diretor de arte de Horizon Zero Dawn, admite que a premissa central já havia sido vista antes. Ele inclusive chegou a comparar a ideia com o jogo Enslaved, de 2013, sugerindo, à época, que talvez não fosse o caminho mais original a seguir.
De acordo com a Tencent, a Sony arquivou temporariamente a proposta por esse motivo — e só voltou atrás mais tarde, ciente de que o conceito não era inédito.

Questões jurídicas e alvos errados
Além do debate criativo, a Tencent também tenta desmontar o processo sob o ponto de vista legal. Alega que a Sony acionou as entidades erradas: Tencent America, Proxima Beta U.S. e Tencent Holdings. Nenhuma delas, segundo a defesa, tem envolvimento direto no desenvolvimento ou publicação de Light of Motiram.
O jogo, que ainda está previsto para 2027, estaria nas mãos da Polaris Quest/Aurora Studios, estúdio chinês operando sob a Tencent Technology (Shanghai) Co. Ltd., e da Proxima Beta PTE Ltd., com sede em Singapura e ligada às marcas Tencent Games e Level Infinite.
Batalha épica no tribunal?
Se depender da Tencent, o processo não vai muito longe. Mas, se a corte decidir seguir adiante, o caso promete levantar debates importantes sobre os limites da criatividade, originalidade e direitos autorais no mundo dos videogames. Por enquanto, a única certeza é que essa história ainda terá novos capítulos, e talvez não menos dramáticos que os de Horizon Zero Dawn.






