Desde seu lançamento em 2020, The Last of Us Parte II se consolidou como uma das obras mais ambiciosas da história dos videogames. Desenvolvido pela Naughty Dog e lançado exclusivamente para o PlayStation 4, o jogo recebeu dezenas de prêmios, incluindo o cobiçado título de Jogo do Ano no The Game Awards. Com gráficos impressionantes, narrativa ousada e um nível de detalhamento técnico que desafiou os limites do hardware, o game foi um marco na indústria.
No entanto, para muitos entusiastas da franquia — inclusive eu — nem todo esse prestígio foi suficiente para esconder as oportunidades desperdiçadas ao longo do ciclo de vida do título. Aspectos como o cancelamento do modo multiplayer e a ausência de conteúdos adicionais deixaram a sensação de que The Last of Us Parte II poderia ter ido ainda mais longe — tanto no engajamento do público quanto no retorno financeiro para a PlayStation. Neste artigo, vou te explicar várias oportunidades que o jogo deixou escapar.

Modo Factions: uma promessa que nunca se concretizou
O multiplayer do primeiro The Last of Us — conhecido como Factions — foi uma das gratas surpresas do título de 2013. Com uma abordagem tática e tensão semelhante à da campanha principal, o modo conquistou uma base sólida e ativa de jogadores, que continuaram envolvidos por anos após o lançamento. Naturalmente, havia grande expectativa de que o segundo jogo traria uma evolução dessa experiência.
A Naughty Dog chegou a confirmar que o modo online estava em desenvolvimento, alimentando esperanças por anos. A proposta era promissora: permitir que os jogadores criassem seus próprios personagens e disputassem partidas competitivas em um universo pós-apocalíptico rico em possibilidades. Porém, em 2023, a desenvolvedora anunciou oficialmente o cancelamento do projeto. A justificativa foi clara — o foco do estúdio havia se voltado integralmente para experiências single player.
A notícia caiu como uma ducha fria na comunidade. Muitos ainda acreditavam que o Factions seria uma forma eficaz de manter viva a experiência de The Last of Us Parte II por anos, criando um ecossistema online que agregaria valor ao jogo original e abriria espaço para novas monetizações.

Bastidores revelam erro estratégico em The Last of Us Parte II
Em uma entrevista concedida em 2025, Shuhei Yoshida, ex-presidente da PlayStation, trouxe novos detalhes sobre os bastidores dessa decisão. Segundo ele, o projeto multiplayer de The Last of Us era extremamente divertido e tinha grande potencial. A iniciativa de transformá-lo em um jogo como serviço foi da própria Naughty Dog, mas o estúdio enfrentou dificuldades ao entender a complexidade do modelo.
Conforme relatado por Yoshida, a Bungie — estúdio responsável por Destiny e referência em jogos como serviço — foi consultada para oferecer orientação. Após essa conversa, a Naughty Dog concluiu que não teria recursos ou estrutura para manter o projeto de pé sem comprometer o desenvolvimento de novos títulos, como o ambicioso Intergalactic: The Heretic Prophet. A decisão, embora compreensível, evidenciou uma certa falta de planejamento a longo prazo, resultando em um cancelamento que poderia ter sido evitado com uma avaliação mais realista desde o início.
Ainda hoje, o multiplayer do The Last of Us Remastered continua ativo, com jogadores acessando-o pelo PS4 e PS5, mesmo após o desligamento dos servidores da era PS3. Isso apenas reforça o apelo contínuo que um modo online pode ter dentro do universo da franquia.

Expansões narrativas: caminhos não explorados
Outro aspecto que gera debate entre os seguidores da franquia é a ausência de DLCs narrativas em The Last of Us Parte II. O jogo apresenta personagens complexos e eventos dramáticos que abrem espaço para múltiplas histórias paralelas. A Naughty Dog, porém, não lançou nenhuma expansão que aprofundasse essas tramas.
O cenário do jogo, majoritariamente ambientado em Seattle, já estava construído e ricamente detalhado, o que permitiria a reutilização de assets e um desenvolvimento ágil de conteúdos adicionais. Uma ideia que sempre me vem à cabeça seria uma DLC centrada em Jesse — um personagem carismático cuja trajetória até Seattle permanece, em grande parte, fora da tela. Explorar sua jornada desde Jackson, enfrentando ameaças pelo caminho até reencontrar Ellie e Dina, poderia ter rendido uma narrativa instigante e emocionalmente envolvente.
Outra possibilidade seria um episódio focado em Tommy, personagem que adota um papel sombrio e vingativo ao longo da trama. Vivenciar momentos cruciais de sua jornada, como a perseguição implacável aos Lobos e o confronto na ponte com a sniper, teria potencial para entregar uma experiência intensa e complementar ao arco principal.
Vale lembrar que a própria Naughty Dog já explorou esse formato com sucesso em Uncharted: The Lost Legacy, expansão de Uncharted 4 que se tornou referência ao oferecer uma história independente de alta qualidade com personagens secundários.

O futuro de The Last of Us e as expectativas por um terceiro jogo
Apesar das críticas sobre oportunidades perdidas, The Last of Us Parte II permanece como um exemplo de excelência em narrativa e design. O diretor Neil Druckmann já afirmou que um terceiro capítulo só será produzido caso surja uma ideia que esteja à altura dos impactos emocionais dos dois primeiros jogos. Isso indica que a Naughty Dog ainda trata a franquia com respeito e cautela, mas também mostra que novas histórias podem demorar a surgir.
Enquanto o próximo passo da franquia não é revelado, fica a sensação de que The Last of Us Parte II poderia ter se tornado ainda maior, caso tivesse apostado em recursos adicionais que ampliassem a imersão e mantivessem a comunidade engajada por mais tempo. E você, o que pensa sobre isso?






