A segunda temporada de The Last of Us chegou ao fim no último domingo, deixando impressões mistas entre o público. Inspirada no aclamado jogo lançado em 2020, a nova leva de episódios teve momentos relevantes, mas acumulou mais tropeços do que acertos, e acabou não atingindo o impacto narrativo nem da primeira temporada, nem do próprio jogo em que se baseia.
A história começa após os acontecimentos dramáticos de Jackson, onde Abby e seus companheiros buscam Joel, responsável por exterminar membros dos Vagalumes, incluindo o pai da jovem, um cirurgião. A vingança se concretiza de forma brutal diante de Ellie, que, devastada, decide caçar os assassinos em Seattle ao lado de Dina.

No entanto, ao longo dos episódios, a narrativa sofre com decisões de roteiro que diluem a força emocional da trama. Um exemplo significativo é o intervalo de três meses entre o momento em que Ellie sai do hospital e sua partida para Jackson — uma mudança que enfraquece o senso de urgência presente no jogo, onde tudo acontece em apenas dois dias após a morte de Joel.
Outro ponto controverso foi a adição da personagem Gail, uma psicóloga que tenta ajudar Ellie, mas cuja função narrativa pouco contribui para a evolução da trama. Sua presença, embora pensada para aprofundar os dilemas dos personagens, acaba servindo apenas como um instrumento expositivo sem grandes repercussões.
Apesar das falhas, a temporada também apresentou acertos. Dina ganhou mais tempo de tela e falas relevantes, entregando momentos de destaque que ampliaram seu papel em relação ao jogo. Já o ataque a Jackson, protagonizado por criaturas infectadas, ofereceu sequências de ação intensas e bem executadas.
Ellie enfraquecida é o maior tropeço da temporada de The Last of Us
O maior problema, contudo, reside na construção de Ellie. Interpretada por Bella Ramsey, a personagem parece ter perdido o brilho e a complexidade que a tornaram memorável. Sem a sagacidade e a força que demonstrava no jogo, ela é frequentemente guiada por Dina e Jesse, inclusive em decisões cruciais. Em vez de uma Ellie estrategista e determinada, o público se depara com uma jovem confusa, frágil e dependente.
O episódio final prometia resgatar essa versão mais fria e calculista da protagonista, mas a execução ficou aquém. Mesmo ao enfrentar membros dos Lobos e ao se deparar com Mel e Owen, suas reações revelam uma fragilidade emocional incompatível com a personagem dos games.
Terceira temporada de The Last of Us terá desafio de retomar o peso narrativo

Ainda assim, a temporada está longe de ser um fracasso completo. Alterna entre episódios sólidos e outros que decepcionam, e mesmo com os problemas de ritmo e fidelidade, não se enquadra entre as piores adaptações de games. Entretanto, a expectativa para a terceira temporada é alta, especialmente agora que a narrativa se volta para Abby. Será necessário ajustar o ritmo e resgatar o peso emocional que definiu o sucesso da primeira temporada.
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No balanço final, a segunda temporada de The Last of Us recebe uma avaliação moderada: uma nota 6, com momentos que empolgam, mas uma execução que precisa ser aprimorada para fazer jus ao legado que carrega. Quem sabe o ritmo melhore na próxima.






