Depois de 9 anos desde seu anúncio, finalmente temos a data de lançamento de Lost Soul Aside. Porém, além da enorme jornada de Yang Bing, desenvolvedor principal do projeto, que começou trabalhando completamente sozinho no jogo na época do seu trailer inicial em 2016, a origem da própria ideia do título é um pouco curiosa, e tem tudo a ver com a Square Enix, e principalmente com um de seus principais diretores: Tetsuya Nomura.
Final Fantasy Versus XIII

Eis um nome que acabou ficando um pouco esquecido após o anúncio de Final Fantasy XV, mas a verdade é que Versus XIII e XV, apesar de levarem os mesmos protagonistas, não são o mesmo projeto. Para entender de onde surgiu Lost Soul Aside, e como seu protagonista é visualmente parecido com o de Final Fantasy XV, e até Yozora de Kingdom Hearts 4, é preciso voltar para o ano de 2006.
Final Fantasy Versus XIII, até então dirigido por Tetsuya Nomura, foi anunciado durante a E3 daquele ano como parte do projeto Fabula Nova Crystallis, uma coleção de jogos em que todos estariam unidos de alguma forma, incluindo o próprio Final Fantasy XIII e o título de PSP Final Fantasy Type-0, chamado de Agito na época. No final das contas, Versus XIII acabaria, infelizmente, nunca vendo a luz do dia.
Por conta da má recepção de Final Fantasy XIII, a Square Enix ficou receosa em investir em novos títulos para a sétima geração, e resolveu criar duas sequências para o título. Essa ideia economizaria gasto com novos assets, já que a maioria deles poderiam ser reciclados do primeiro jogo da protagonista Lightning. O problema é que, para a produção desses jogos, a Square precisou usar quase toda a equipe que estava trabalhando em Versus XIII.
Sem uma equipe para trabalhar no jogo, Nomura ficou de mãos atadas durante anos desde o anúncio de Final Fantasy Versus XIII. Ele focou em fazer projetos menores para sua outra franquia, Kingdom Hearts, criando três jogos para dispositivos portáteis: Kingdom Hearts: Coded, Kingdom Hearts: 258/2 Days e Kingdom Hearts: Birth by Sleep.
Entre os anos de 2006 a 2011, o projeto havia andado em torno de apenas 20% de seu desenvolvimento total. Essas informações foram divulgadas em entrevistas que citaram o jogo ao longo dos anos.

Mas como assim, Final Fantasy Versus XIII não acabou virando o XV?
A verdade é que apenas algumas características de Final Fantasy Versus XIII acabaram indo para o XV. Quando foi anunciada a transformação do projeto para virar Final Fantasy XV, o próprio Tetsuya Nomura comentou que o universo passaria por mudanças por conta de não fazer mais parte da Fabula Nova Crystallis, virando agora seu próprio Final Fantasy numerado.
Os dois projetos também tem uma quantidade significativa de diferenças em relação aos primeiros trailers de Versus XIII, como a decisão de todos os membros da party serem controláveis pelo jogador. Quando Final Fantasy XV foi lançado, apenas Noctis era jogável, e demorou algum tempo até que a atualização trouxesse Ignis, Prompto e Gladio como personagens jogáveis.
Mas a principal questão que separa Versus XIII de XV é a direção. Tetsuya Nomura foi retirado como diretor do projeto em dezembro de 2013, sendo assumido pelo então co-diretor, Hajime Tabata, que já havia dirigido Final Fantasy VII: Crisis Core e Final Fantasy Type-0.

Em vez de Hajime Tabata seguir os planos originais de Nomura para a conclusão do desenvolvimento, o novo diretor decidiu fazer uma série de mudanças na história, e até mesmo eliminando personagens, como Stella, para colocar outros no lugar. Com um tempo de desenvolvimento que já se prolongava, não se sabe o porquê desse tipo de decisão.
Tabata não seguia os planos de Nomura nem mesmo no quesito gameplay, com vários fãs na época chegando a pedir várias vezes para que o combate do jogo voltasse ao que era nos trailers iniciais, quando ainda tinha a mão do antigo diretor. Tabata nunca acatou aos pedidos, preferindo fazer novas mecânicas de combate do que voltar ao que já havia sido estabelecido anteriormente.
Relatos de supostos desenvolvedores que trabalharam em Final Fantasy XV apontam que, meses antes do lançamento do jogo, Tabata ainda estava fazendo modificações na história, que já deveria estar pronta. Tudo isso culminou em um título com diversos problemas na história, conteúdo claramente cortado para vender DLCs, e um combate defeituoso.

Então, quando dizem que Final Fantasy XV passou 10 anos em desenvolvimento, isso está bem longe da verdade. Os dois projetos contém mais diferenças do que semelhanças entre si. Teorias apontam que Versus XIII falaria muito sobre sonhos, por isso Noctis sempre aparecia dormindo nos trailers. O que também conectava com o nome da capital de seu reino: Insomnia, e a música tema, chamada “Somnus” que significa “sono” em latim.
No final das contas, a versão de Tabata não levou nenhuma dessas características em consideração, além de deixar Noctis durante 10 anos dentro de um cristal. Mas tecnicamente, isso não é dormir.
Lost Soul Aside e Verum Rex

Bom, e o que essa situação toda gerou, principalmente nos longos anos em que Versus XIII foi aguardado pela comunidade? Bom, no caso de Yang Bing, gerou um jogo. Em uma entrevista recente para a Famitsu, o criador de Lost Soul Aside admitiu ser um grande fã de Final Fantasy, e que o design dos personagens é inspirado na franquia.
Mas colocando Noctis e o protagonista de Lost Soul Aside lado a lado, é clara a inspiração no protagonista do décimo quinto jogo numerado da franquia. Na verdade, ele lembra até um pouco mais a sua primeira versão, de Versus XIII, do que a que acabou sendo feita para Final Fantasy XV. Apesar de ainda não ter admitido, Yang Bing com certeza é mais um membro do clube de viúvas de Versus XIII.
Porém, o clube de viúvas não está sozinho, já que conta com o que talvez seja a maior viúva do jogo que nunca foi: o próprio Tetsuya Nomura. Em Kingdom Hearts 3, tivemos a introdução de um personagem muito parecido com Noctis, mas com um esquema diferente de cores na roupa, cor de cabelo e até nos olhos: Yozora.

Sem contar a similaridade entre os nomes, enquanto Noctis significa “noite” em latim, Yozora pode ser traduzido para algo próximo de “céu noturno”. Ele apareceu brevemente na versão base de Kingdom Hearts 3, sendo um personagem de um jogo de videogame no mundo de Toy Story, mas acabou tendo uma função maior na história quando a DLC Re Mind foi lançada, virando um boss secreto que estava procurando pelo protagonista Sora.
Nomura chegou a admitir em uma entrevista que pretendia que o próximo título da franquia Kingdom Hearts fosse somente Verum Rex, mas decidiu por não seguir por esse caminho por medo de confundir ainda mais as pessoas. Com isso, teremos a continuação da história de Yozora em Kingdom Hearts 4. Muitas das cenas do personagem são parecidas com a de trailers iniciais de Versus XIII e XV, o que deixou uma pulga atrás da orelha dos fãs.
O diretor em nenhum momento deixou claro se Yozora seguirá a história original planejada para Noctis na época do Versus XIII, Nomura gosta de dar apenas respostas misteriosas quando o tema é sobre narrativa, e apenas deu a entender que a história de Final Fantasy XV em muito pouco tem a ver com a proposta original, e que apenas ele sabe para onde a história de Versus XIII seguiria.
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Aparentemente, no fim das contas, os fãs do antigo Versus XIII terão uma experiência mais próxima em Kingdom Hearts 4 e Lost Soul Aside, do que com Final Fantasy XV, e o que ele acabou se tornando ao longo dos anos de desenvolvimento. O jogo chinês será lançado no próximo dia 30 de maio, enquanto o próximo Kingdom Hearts ainda não tem previsão de lançamento.






