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Review | Bloodstained: Curse of The Moon

Com a campanha mais bem-sucedida do Kickstarter, a inti Creates arrecadou, até agora, incríveis 5,5 milhões de dólares com Bloodstained: Ritual of The Night, projeto que para muitos será o sucessor espiritual do aclamado clássico Castlevania: Symphony of the Night. O início da campanha no Kickstarter causou um imenso alvoroço entre os gamers, e, partindo de uma meta inicial de 500 mil dólares, Koji Igarashi e sua pequena equipe quebraram o recorde de arrecadação entre os jogos financiados na plataforma. O projeto é liderado pelo renomado Koji Igarashi, produtor da grande maioria dos jogos da série Castlevania desenvolvidos pela Konami entre os anos 1990 e 2000.

Como uma bonificação para os apoiadores desse projeto, a Inti Creates anunciou o lançamento de Bloodstained-Curse of The Moon, um metroidvania em 2D, com estilo retrô que faz uma grande homenagem aos clássicos de 8bits, em especial ao queridos jogos da série Castlevania que marcaram gerações de jogadores no início dos anos 90, e de quebra serve como uma introdução a história contada em Bloodstained: Ritual of The Night.

Após ser distribuído entre os apoiadores da campanha no Kickstarter, em meados de maio 2018, Bloodstained: Curse of The Moon chega para PC, PS4, Xbox One, PS Vita, Nintendo Switch e Nintendo 3DS.

A MALDIÇÃO DA LUA

Bloodstained-Curse of The Moon possui um enredo simples, apresentado da mesma maneira que os clássicos dos anos 80 em que se inspira, e a temática é mais do que o suficiente para embasar a jogatina.

A história tem início com uma maldição demoníaca lançada em um habilidoso espadachim, chamado Zangetsu, que a partir de então, começa a perseguir e eliminar implacavelmente os demônios que o amaldiçoaram. Ele passa a dedicar sua vida a essa jornada sem fim, viajando de um abismo de escuridão a outro, matando todos os demônios que cruzam seu caminho.

Em mais uma noite de matança, ele sente a presença de um grandioso demônio, e então, ruma inexoravelmente em busca dessa batalha, mas essa missão não será tão simples. Até enfrentá-lo, Zangetsu precisará superar inúmeros obstáculos, encontrando aliados nas situações mais inesperadas possíveis. Ao longo desse caminho, o mestre espadachim se depara com Miriam, Alfred e Gebel, que poderão auxilia-lo ao longo da sua jornada de vingança.

JORNADA PARA O ABISMO

A mecânica de jogo em Bloodstained: Curse of The Moon, é absolutamente fantástica!,Se por um lado a sensação de estar jogando os clássicos de 8 bits se mantêm ao longo de todo o gameplay, por outro, a inti Creates conseguiu inovar essa jogabilidade a muito estabelecida de uma maneira única e respeitosa, tornando-a mais rápida e dinâmica.

Como em todos os metroidvanias, a exploração dos cenários e o combate com os inimigos evolui conforme novas habilidades são desbloqueadas. Em Curse of The Moon, poderemos explorar as fases com até 4 personagens, sendo que cada um deles possui características únicas que modificam quase que completamente a maneira como o gameplay vai se desenrolar, além do estilo de combate com os diversos inimigos, novas áreas poderão ser exploradas, facilitando ou não, o caminho até o Boss que protege a fase explorada.

Inicialmente, jogaremos com Zangetsu, que possui um ataque curto com a espada, e um salto de altura mediana, como vantagem causa a maior quantidade de dano e possui a maior barra de vida. Ele tem acesso ainda a 3 ataques especiais, coletados durante o jogo: uma corrente que realiza um ataque em diagonal para cima com um alcance razoável, uma máscara de demônio que aumenta consideravelmente o dano causado pelo seu ataque normal, e uma carta energizada, que pode ser arremessada ao saltar, formando um pequeno vórtice de energia que provocara dano constante aos inimigos.

Os atributos de Miriam são focados na mobilidade, ela possui uma barra de vida menor que a de Zangetsu, porém, seu ataque com um chicote tem um alcance consideravelmente maior, além de poder realizar saltos muito mais altos que ele, possui ainda um dash lateral, que possibilita ao jogador acesso a novos caminhos e a itens específicos durante o gamplay. Ela também possui 4 ataques especiais adquiridos ao longo do game, uma faca de arremesso lateral, uma faca de arremesso em diagonal, um machado que pode ser arremessado lateralmente e funciona como um bumerangue, além de um machado gigante que realiza um ataque pesado de curta distância.

Alfred, o Alquimista funciona basicamente como um mago, possui a menor barra de vida e o ataque físico mais lento e de menor alcance, porem sua magia é eficaz e quase que indispensável em determinadas partes do jogo, possui 3 ataques especiais: uma barreira de fogo ao seu redor, tornando-o momentaneamente imune e causando dando a tudo o que tocar, uma faca de gelo que congela instantaneamente os inimigos, e uma bola de energia que se move aleatoriamente causando dano em tudo o que toca.

E por fim teremos a possibilidade de jogar com Gebel, um vampirão clássico, que possui uma barra de vida aproximadamente similar à de Miriam, e um ataque que é no mínimo, peculiar: ele dispara três morcegos que voam em diagonal para cima. Ele pode ainda se transformar, a custo de mana, em um morcego que além de poder acessar locais secretos, realiza um ataque lateral. Essa habilidade especial é essencial para exploração de determinados locais do jogo, além de facilitar, e muito, a luta contra certos chefões.

Apesar de seguir a premissa essencialmente simples dos jogos em que se inspira, Bloodstained: Curse of The Moon consegue melhorar o que já foi estabelecido com a possibilidade da alternância imediata entre qualquer um dos quatro personagens jogáveis, dando ao jogador a possibilidade de explorar as fases do jogo ou até mesmo derrotar os chefões de maneiras completamente diferentes e criativas.

O jogo apresenta duas dificuldades básicas, veterano e casual. Na primeira tudo funcionará exatamente como em Castlevania, e os seus erros serão punidos, quase sempre, com a morte. Vale ressaltar aqui, que quando um dos personagens morre, você não poderá explorar o restante da fase com ele ao reiniciar o cenário. O modo Casual, é para os jogadores nutella ou menores de 9 anos de idade, que querem aproveitar o jogo sem estresse. Após zerar o jogo ao menos uma vez no modo veterano, você terá acesso a uma nova dificuldade, Nightmare que no seu final, vai apresentar o verdadeiro final do jogo.

GRÁFICOS E TRILHA SONORA

Os gráficos são um espetáculo, um pixel art moderno, feito com absoluto capricho, mas que ainda assim, associado a um level design impecável e a dificuldade característica dos jogos do estilo no final dos anos 80, consegue despertar nos jogadores mais velhos um delicioso sentimento de nostalgia. E tudo isso é acompanhado por uma trilha sonora que condiz com o tom do jogo e acentua os momentos de tensão ao enfrentarmos os chefões ou explorarmos determinadas áreas do jogo.

CONCLUSÕES

É quase impossível indicar algum ponto negativo nesse jogo, talvez a única coisa que possa ser vista como tal, é a curta duração do mesmo. É possível zerá-lo no modo veterano, em aproximadamente 2,5h. O que talvez não justifique o preço cobrado na maioria das plataformas, onde seu valor gira em torno dos 10 dólares.

Bloodstained: Cursed of the Moon é um metroidvania impecável, que mostra a que veio Koji Igarashi, e por si só explica todo o sucesso alcançado em sua campanha no Kickstarter. Seguramente, é um jogo obrigatório aos amantes do gênero, e altamente indicado para todos os gamers que viveram a geração de 8 e 16 bits entre os anos 80 e 90. Certamente, o jogo vai despertar um interesse ainda maior para Bloodstained: Ritual of The Night, cujo lançamento está atrasado, mas deve acontecer no segundo semestre de 2018.

Publicado em 29 de julho de 2018 às 11:15h.
2018-07-29 11:15:23

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